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quarta-feira, 2 de maio de 2012

UMA GRATA SURPRESA

 
 
El 11 Titular de Racing:

 
 
El 11 Titular de Fénix:


Desde que me reintegrei a este charmoso esporte minha cosmovisão de mundo do Futebol de Botões se ampliou.  Em minha estreita visão anterior, os goleiros eram botões e em sua grande maioria, estes arqueiros tinham o mesmo tamanho que muitos de meus jogadores. Vi imagens deste esporte em outras partes da Argentina e do  mundo.  Constatei que outros botonistas utilizavam goleiros de formatos diferentes e em alguns lugares, também utilizavam "botões como arqueiros", porém, com dimensões consideravelmente maiores do que os demais jogadores da equipe.  Com isto, trago à memória, um velho botão.  Era , naquela época, o goleiro do Clube Belgrano e com certa ironia, por seu grande tamanho, o chamávamos "Chiquito Bossio" ( em homenagem ao antigo goleiro argentino Carlos Bossio ).   Ele era um botão antigo de bolsa, de cor verde claro, opaco. 
Para adaptá-lo ao futebol de botões, havia sido limado e lixado,  em sua parte inferior, e além de ser um excelente goleiro ( por sua dimensão ), também podia desempenhar perfeitamente as funções de jogador de campo/linha ( ou seja, defensor, meio-campista ou até atacante ), por sua pegada firme e implacável.  Ele era mais um  de tantos botões que abandonei com pezar e dor quando resolvi reduzir minhas diversas equipes a somente duas.
Continuei vendo imagens de vídeos e cada vez que vislumbrava um botão de grande dimensão repetia para mim mesmo: " que lástima não ter mais o meu craque Chiquito Bossio".
Antes de ontem fui jantar na casa de meus pais, meu antigo local de jogos de Futebol de Botões e onde aconteciam a maior quantidade de encontros da minha Liga de Botones.  Antes da ceia com os familiares me dirigi a um velho roupeiro para localizar algumas caixas, placas-matrizes e outros artigos de computação ( sou técnico de computadores em reparação de PCs ).  Neste momento, recordei a velha caixa de botões que possuia a minha avó e pensei: "quem sabe, nesta lata encontro os botões-jogadores que abandonei outrora".  Perguntei à minha mãe pelo paradeiro da dita lata.  Ela encaminhou-se até uma caixinha de madeira que utilizava como caixa de costura e me disse: a caixa referida a retirei há muito tempo, porém tudo que nela guardava está aqui e me alcançou tres bolsas pequenas de botões.  Nesse momento, e ao constatar que o montante de botões que possuia minha avó  havia sido reduzido a tres pequenas bolsinhas, imaginei que os botões que  "não servem para costuras porque estão lixados" ( frase mais agressiva, danosa e repelente para um botonista ) haviam sido desprezados e abandonados.  Com mínima esperança que me restava e ante o olhar de minha mãe e de minha esposa, despejei o conteudo das duas primeiras bolsas sobre a mesa.  Revirei, procurei, voltei a olhar e não encontrei nenhum dos meus antigos jogadores.  Nas bolsas, como havia imaginado, somente haviam "botões que serviam" para costuras.
Já com mínimas e quase nulas esperanças, e com certo desânimo, esvaziei o conteudo da terceira bolsa sobre a mesa.  E precisamente nesse momento, como se uma luz o iluminasse, visualizei-o.  No meio de todos os botões, rodeado como se estivesse postado para distribuir autógrafos, , estava ele, o procurado.
Ao ve-lo, agarrei-lhe com a mão direita, levantei o olhar e disse emocionado para minha esposa e para minha mãe: " é Chiquito Bossio ".  Para elas, claro está, esta informação era completamente, irrelevante.   Mais opaco do que me recordava, pelos longos anos  de sono prolongado e letargia que lhe fora destinado, por viver confinado, inicialmente, numa lata e posteriormente, na pequena bolsa de couro, porém, certamente, com a vontade indomável  que tem um craque  para retornar ao jogo, depois de uma grave e prolongada lesão.
Hoje descansa na caixa de concentração das equipes que mantenho em casa de botões selecionados que prontamente, constituiram parte das novas esquadras titulares de Racing e Fênix, de Venado Tuerto na Argentina.
Matéria extraida do Blog de Fútbol de Botones de Venado Tuerto - Argentina, do botonero articulista D.Ciliberti, o novo companheiro conectado na Internet.
Tradução do colaborador e articulista  Enio Sebert  

FÚTBOL DE BOTONES



         O último texto que escrevi foi em julho, sobre o Mundial da África do Sul...  Levei muito tempo para voltar a escrever.  E a razão pela qual retorno é porque, finalmente, pude reconciliar-me com o futebol, graças  a uma recordação que o purifica de todo o vexame que o tenha envergonhado na Copa.
Um dia, quando juntamente com meu irmão, éramos jovens, meu pai apareceu com uma velha caixa de lata cheia de botões muito estranhos.  Não havia dois botões iguais, todos tinham as bordas limadas e lixadas, com diferentes angulações, e cada um levava gravado com tinta nankim o nome de algum jogador dos anos cinquenta, principalmente argentinos.  Bem, havia um um pequeno botão que não tinha nada escrito, nem estava lixado, além de ser muito menor do que os outros.  Era um botãozinho de camisa.  A pelota ou bola do jogo. 
         Nunca descobri jogo mais incrível.  Em segundos, a mesa de refeições, retangular e de madeira, se transformava em um perfeito campo de futebol.  Com cinta adesiva se traçavam as "linhas de cal", demarcatórias do campo de jogo, as áreas e círculo central na linha divisória.  As goleiras eram montadas com lápis brancos, cortados convenientemente, na altura das traves, e unidos com cola.  As redes,malhas finas.  Onze botões de um lado, onze do outro.  E um pequeno pedaço de régua era a palheta, o instrumento para impulsionar os jogadores, fazendo pressão sobre suas "cabeças" (partes superiores), e assim poder golpear arremessando a bola. 
         Com meu irmão, tratamos de dividir os apreciados botões-jogadores de meu velho, e na continuação, viemos a nos encantar muito com esses botões que, sinceramente, não mais os víamos como tais.
Os botões mais altos eram naturalmente bons defensores.  Por outro lado, os mais baixos tinham boas condições e melhores aptidões para "correr" rápido pelas bandas laterais ( eram os que melhor deslizavam sobre a madeira da mesa, além de ter a capacidade de "levantar" a pelota quando dos arremessos ao gol adversário ).  Por último, os arqueiros, altos, pesados  e largos, não podiam ser outros que os botões retirados de algum velho sobretudo.
          Não passou muito tempo até que praticamente todos os jovens do bairro se incorporaram nesta nova paixão coletiva.  Inclusive, até um amigo de meu pai apareceu um belo dia com uma equipe completa de botões, com nomes dos jogadores e tudo o mais, para participar dos torneios que semanalmente, tinham lugar na mesa da sala; quando não era usada para atividades menos transcendentais como fazer as refeições.
          Com meu irmão e meu velho pai, nós passávamos tardes inteiras sentados na varanda  de cimento áspero da nossa casa, limando e lixando os velhos botões, com paciência de cirurgião, buscando melhorar suas habilidades, ante os olhares estranhos e curiosos de nossos vizinhos.
Inclusive, em algumas oportunidades, também fomos à Loja de Botões do bairro, com a esperança de converte-la num recanto de "novas estrelas no mundo dos botões", porém, não foi o caso...  Botões ?   Botões eram os de antes...

TRANSCRITO DO BLOG DE JAVIER BELTRAMINO, ARTICULISTA ARGENTINO.
TRADUÇÃO AUTORIZADA DE  ENIO SEIBERT