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sábado, 30 de junho de 2012

OUTRAS TESES E HIPÓTESES SOBRE AS ORIGENS DO JOGO DE FUTEBOL DE BOTÃO


Postagem em site espanhol.  O jogo de futebol de botão foi inventado na Espanha, por um jovem chamado José Huelva Quintero, no final do século passado. Não pode-se esquecer que o futebol foi introduzido na Espanha, especificamente, para a Província de Huelva.  O primeiro jogo de botões foi realizado pelo jovem chamado José Quintero e um amigo, cujo nome do jogo foi dado no pátio da casa de sua família, em rua de Palos, da cidade de Huelva.  Foi exatamente a 06 de dezembro de 1900, faltando  25 dias para começar o novo século.

Matéria na publicação brasileira " Mundo Estranho " nos dá uma pista sobre a origem dessa prática no Brasil.
" Sua origem é incerta, mas tudo indica que ela pertence ao Brasil.  Relatos de antigos colecionadores contam que marmanjos do Estado do Pará  já brincavam de fazer gols com pequenos botões, por volta da década de 20.  Logo, o jogo chegaria ao Rio de Janeiro onde, em 1930, o músico, ator e publicitário Geraldo Décourt, publicou o primeiro livro de regras oficial ".  A partir do Rio de Janeiro, o futebol de botão passou a ser difundido para vários Estados, afirma Elcio Vicente Buratini, em seu depoimento. 

Publicado em " O futebol de botão por aí ", no site Zamorim.com, por seu titular Marcus Amorim.   O historiador José Ricardo Caldas e Almeida disse em 12-02-12: Grande Zamorim. Para você ter uma idéia de como não é possível determinar quem inventou e quando o futebol de mesa, passamos a vida inteira ouvindo o pessoal falar que foi no Estado do Pará.  Realmente, no Pará, o pessoal joga desde a década de 20 ( inclusive tem um botonista vivo, que jogou por essa época ).  Mas o registro mais antigo que já  foi conseguido sobre futebol de mesa, está no livro " Campos Sales, 118 - A História do América ", de Orlando Cunha e Fernando Valle.  Lá, em sua página 94: " Outra seção organizada, esta a 22 de agosto de 1917, foi a de futebol de mesa, que outra coisa não era, senão o apreciadíssimo " Jogo de botões ", responsável por tantas horas de deleite, na infância de todos nós.  Se já existia uma seção, podemos imaginar algo mais antigo para o começo do futebol de mesa, pelo menos no Rio de Janeiro.

Outros historiadores e botonistas espanhóis, relatam em seus depoimentos em vídeos, entrevistas a canais de televisão e publicações na internet, que marinheiros espanhóis foram os grandes responsáveis pela propagação do novo jogo em várias partes do mundo, em suas viagens inter-continentais, as quais tinham suas paradas de reabastecimento, nas cidades portuárias, dentre as quais, toda a costa sul-americana, explicando a chegada do jogo de botões à cidade-porto de Belém do Pará, no Brasil.

Conclusão de historiadores diversos: Tudo indica que o mais brasileiro e popular dos passatempos dos meninos do século XX, tem origem espanhola.  O grande Geraldo Décourt merece todas as homenagens, mas deve ser lembrado como um grande incentivador do jogo no Brasil, o maior divulgador de sua época.

por ENIO SEIBERT - enioseibert@hotmail.com

A PAIXÃO PELO FUTEBOL DE BOTÃO


Em certos momentos de nostalgia e lembranças, começo a recordar como foi o meu primeiro contato com o jogo de futebol de botão.  Me vem à lembrança e visualizo, como se fosse hoje, quase 60 anos passados, na cidade gaucha de Cachoeira do Sul, os times de " botões panelinhas ", fabricados pela Estrela, C.R.Vasco da Gama e Flamengo F.R., os papões da década de 50, no futebol de campo, os donos da torcida brasileira, os reis do Maracanã recém inaugurado para a Copa do Mundo de 1950, campeonato mundial de triste lembrança.Foi amor à primeira vista!  Mas, não poderia imaginar jamais que ali, naquele momento, com aquela encantadora diversão infantil, com aqueles simples botões " panelinhas "  de plástico, deslisando sobre uma mesa, simulando jogos de futebol de verdade, estava nascendo uma paixão que poderia perdurar, e efetivamente duraria, por quase toda uma vida.
Eu ficaria sabendo, somente muitos anos depois, que o meu primeiro arqueiro de time de botões, era Moacir Barbosa, o famoso e legendário goleiro do Vasco e da Seleção nacional, e que o ataque que eu manipulava com a ficha/palheta, pela primeira vez na vida, era formado por Tesourinha ( o Garrincha da época ), Jair da Rosa Pinto, Ademir Marques de Menezes ( o famoso artilheiro Ademir Queixada ) e Chico ou Friaça.   Com relação a este  jogador (Friaça), ponteiro cruz-maltino, tive a oportunidade de conhecer seu irmão, o palhaço de circo Reco-Reco que percorria o Brasil chegando  à minha cidade no interior do Rio Grande do Sul e que me disse ser o nome real da família Friance, abreviado pela imprensa esportiva por Friaça.  Na ingenuidade de criança, achei o máximo, na época, haver conhecido o irmão de um jogador de Seleção...
Aquela linha atacante do meu time de botões, era praticamente, o ataque titular da Seleção Brasileira na Copa de 50, a famosa e malfadada copa perdida por uma fatalidade para o Uruguai, na final de triste lembrança  dos brasileiros por 2 X 1 no Maracanã.  Eu manuseava os botões que personificavam a base do time canarinho ( na época, portando uniforme com camisas brancas, logo depois abandonadas em decorrência da derrota inexplicável na Copa ).  Sem saber na época, eu era o todo poderoso técnico Flávio Costa, igualmente treinador do Vasco da Gama e Seleção Brasileira.
Comandando o poderoso e famoso time campeão carioca do Vasco da Gama, transformado em Seleção Brasileira em tantas ocasiões, onde somente faltava o craque Zizinho do rival Flamengo, este simplesmente o ídolo e inspirador de Pelé, o craque dos craques que surgiria mais tarde para tornar-se o maior jogador de futebol do mundo em todos os tempos.  Pelé declarou em entrevista á imprensa esportiva que chegava a pagar ingresso no Estádio de Bauru, onde morava aos 15 anos, para assistir seu ídolo Zizinho jogar pelo São Paulo F.C., último clube em sua carreira.
Apesar de jogarmos encima de improvisadas mesas de salas, ou rústicas mesas de passar roupas, com as eternas goleiras de plástico mole e goleiros que podiam " saltar e voar "nos arremessos das bolas-discos em gol ( porque os arqueiros retangulares que defendiam de pé possuiam hastes de arame manipuladas pelos técnicos das equipes que os posicionavam e movimentavam  por trás das goleiras ), as fotos mágicas dos craques do passado da minha infância, coladas no centro rebaixado dos botões, junto com os escudos dos clubes, estão presentes na memória fotográfica deste botonista idealista e sonhador que insiste em lembrar  daqueles primeiros botões de sua vida  e primeiros jogos com companheiros de rua e colégio.  Momentos de felicidade e lembranças inesquecíveis que o tempo não conseguiu apagar.
E que este veterano botonista teima em continuar um eterno apaixonado por este esporte dos sonhos !

por ENIO SEIBERT - enioseibert@hotmail.com
 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O CAMPEONATO, E O BOTÃO VAI ACABAR

CAMPEONATO MUNDIAL DE FUTEBOL DE MESA SECTORBALL

O Clube Israelita Brasileiro e a Confederação Brasileira de Futebol de Mesa sediaram e realizaram no Rio de Janeiro, o VI Campeonato Mundial de Futebol de Mesa, modalidade Sectorball, de 07 a 10 de junho de 2012.  A referida modalidade é praticada nos países do Leste Europeu, principalmente na Hungria, Sérvia e Romênia.

A Seleção Húngara, integrada por seus quatro  jogadores, ganhou os seus tres confrontos,  contra o Brasil ( 8 x 0 ), Seleção da Sérvia e Seleção da Romênia., sagrando-se hexa campeão mundial.
A Seleção do Brasil, integrada por jogadores do Vasco da Gama e Bangu A.C. do Rio de Janeiro, venceu a Romênia por 6 x 2 e a Sérvia por 5 x 3, e perdeu de goleada por 8 x 0 para a Hungria, tornando-se vice campeã da competição com as duas vitórias obtidas no torneio que reuniu as seleções dos quatro países.
Romênia e Sérvia foram as outras duas seleções disputantes do Mundial, tendo que lamentar-se que a equipe da Romênia  colocou na competição, apenas os seus tres botonistas de que dispunha, acarretando em consequência, a perda de antemão do seu quarto jogo por  WO, por não comparecimento do seu quarto jogador nas mesas, nos seus tres confrontos com as demais equipes ( presume-se que o quarto integrante da Seleção da Romênia não tenha viajado ao Brasil ).

No Mundial  de Sectorball individual a Hungria, com seu atleta botonista SZENDREI TIBOR, alcançou  seu Tri Campeonato Mundial nesta competição, e inclusive, desta feita, de maneira invicta em todos os seus jogos.  O Vice Campeão Mundial foi o atleta botonista MARTONFI, procedente da Romênia. 
Do terceiro ao oitavo lugar todas as colocações ficaram com jogadores da Hungria, Romênia e Sérvia, aparecendo os representantes brasileiros do Vasco da Gama, Weber Gomes em 9o. lugar e Robson Marfa em 11o. lugar.

No Mundialito paralelo, com os botonistas desclassificados na série principal, o representante brasileiro MARCELO LAGES, também do Vasco da Gama, sagrou-se campeão, disputando com 12 outros jogadores.  O Vice campeão  do Mundialito foi ERNO BÁNDI da Romênia.   Marcelo Coutinho chegou em 3o. lugar e Lauro Couto ficou com a 4a. colocação.

No Mundial de Sectorball de duplas a representação da Hungria levou o troféu de Campeã Mundial com a dupla  LUKACS e SZATMARI, o vice campeonato ficou com a dupla romena MARTONFI e KOSZTA e os brasileiros MARCELO LAGES e IGOR MONTEIRO subiram ao pódio na 3a. colocação.
A campanha da dupla brasileira nos seis confrontos foram os seguintes:  2 vitórias ( contra a outra dupla brasileira integrada por Bruno Coutinho do Bangu / Barthez do Círculo Militar-SP  e  a dupla sérvia na decisão do 3o. lugar ), 2 empates contra as duplas da Sérvia e Hungria, e 2 derrotas para as duplas húngaras e romenas.

Resumo da ópera.  A delegação da HUNGRIA, pátria inventora, mantenedora e mentora do Sectorball no Leste Europeu, levantou os TROFÉUS DA TRÍPLICE COROA desta modalidade de Futebol de Mesa com os títulos  de  HEXA CAMPEÃ MUNDIAL DE SELEÇÕES, CAMPEÃ MUNDIAL DE DUPLAS  e  TRI CAMPEÃ MUNDIAL INDIVIDUAL.

E os dirigentes brasileiros responsáveis pela estranha adoção do Sectorball como Regra Internacional oficial de parte da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa, não podem reclamar das dificuldades no aprendizado da Regra húngara, pois este foi o 3o. mundial disputado pelo Brasil, apesar da tradução da Regra Sectorball, somente ter chegado ao nosso país em 2011, ou seja, há pouco mais de um ano.
Como é que a Seleção Brasileira disputou os outros dois mundiais anteriores na Hungria, sem a tradução da regra húngara para o portugues, ninguém sabe ou consegue explicar.
Restou um consolo aos botonistas, principalmente, praticantes cariocas da bola esférica de feltro dos 3 toques;  a referida regra carioca, considerada de difícil assimilação pelos botonistas, na comparação, seria um jogo de damas, na sua simplicidade, em contraste com a complexidade de jogo de xadrez do Sectorball húngaro.
E ainda,  na comparação com a Regra Paulista de 12 toques, os contrastes entre as duas modalidades são chocantes e infinitamente maiores;  a Paulista, fácil demais de assimilar, jogar, chutar e marcar gols, e o  Sectorball, como disse o gaucho Cristian Baptista, bi-campeão  brasileiro da Regra Baiana/Brasileira, apresenta na sua prática de jogo tamanha dificuldade  que é mais fácil fazer uma canastra real no carteado do que conseguir preparar uma jogada de ataque para chute a gol  no tal de Sectorball.

E por falar em Regra Baiana/Brasileira que, casual e coincidentemente, está realizando no ano de 2012 o seu 40o. Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa, na modalidade Disco Um Toque, pergunta-se por que terá sido relegada ao esquecimento pelos dirigentes da Confederação Brasileira de Futmesa, em detrimento da Regra Paulista de 12 Toques, contemplada  neste ano com o seu 3o. Campeonato Mundial, paralelamente ao Campeonato Mundial de Sectorball ?
A Regra Baiana/Brasileira com seus 40 anos de campeonatos nacionais em quase todos os Estados brasileiros, não teria mais direitos adquiridos por sua reconhecida organização e capacidade de realização  de competições, do que a Regra Paulista ?

MATÉRIA EDITADA E PUBLICADA PELO COLABORADOR E COLUNISTA - ENIO SEIBERT - enioseibert@hotmail.com

O FUTEBOL DE MESA VAI ACABAR

A constatação acima pode parecer apocalíptica ou até mesmo pessimista, mas é uma realidade.  Dolorosa, por sinal, para os amantes de um jogo tão lúdico...
Nos últimos meses me peguei pensando no futuro do "esporte bretão de mesa", como costumo chamá-lo, e não vi nada muito animador.  Pelo contrário, o vi como peça de museu, o que aliás já se tornou, ou como lembranças em mentes de velhos que pouco distinguem a realidade das ilusões...
As causas ?  A era digital, o vídeogame, pensariam alguns...  Crianças amadurecendo mais cedo, interessadas em temas de adulto, pensariam outros... 
Mas pra mim, a causa do fim do futebol de botão são os próprios botonistas !
Isso mesmo, os praticantes, os ditos "amantes" desse esporte que deixou de ser brincadeira para virar coisa séria, federada.
A profissionalização é o problema, então ?   Não, de forma alguma.
A seriedade e o respeito com que os profissionais tratam o hoje chamado "Futebol de Mesa" foi louvável e, com toda certeza, foi o que deu novo gás ao esporte e, provavelmente, vai prolongar um pouco sua "vida". 
Mas, de novo digo, que o que vai matar o futebol de botão é o próprio botonista !
Eu jogo botão desde 1987, quando ganhei meus primeiros botões do meu grande herói: o meu pai.  Tinha, então, 7 anos.  As lembranças mais remotas que tenho desta época são de montar meu "campo", uma mesa xalingo, e até no chão, nos tacos de madeira da casa onde morava e até na casa de minha avó.
De 2002 para cá, a brincadeira ficou um pouco mais séria, abri fronteiras em busca de um maior intercâmbio com outros botonistas.  Disputei campeonatos abertos, oficiais e conheci jogadores de outras localidades, fabricantes, colecionadores, enfim, saí da "casca"...
Mas hoje, dez anos depois, estou quase fazendo o caminho oposto. 
Após constatar que no "mundo do botão" a vaidade impera, que aquele time que eu tenho ninguém mais pode ter, que aquela foto "tal" é ouro e eu não posso copiar pra você, que eu não posso te passar o telefone do cara que vende dadinho ou placa de acrílico, que o que importa é o que eu tenho e dane-se o resto, que o que vale é a política de exclusão, de desprezar tudo que é diferente do que acredito,  hoje eu decidi dar um passo atrás e voltar 10 anos no tempo, pro período em que eu amava jogar botão e "fazer" meus times... e só !
Durante este convívio fiz amigos, é verdade.  Poucos, diga-se.  Mas desta experiência o que  me restou foi uma sensação de que o botonista, a fim de preservar o "eu", vai matar o esporte, vai matar o "nós".   Terminará jogando sozinho, mas com um grande acervo de times e fotos.  É isso !
Viva a mediocridade !   Viva o individualismo !
Não pretendo ser arauto de nada !  Só quero passar para meu filho, a mesma paixão que eu, meu irmão e meus primos sentíamos na infância quando passávamos horas sobre uma mesa verde, a mesma paixão que sinto todo sábado quando reunimos mais de dez marmanjos, no River F.C. (na Abolição),após semana estressante de trabalho...
E se você é um daqueles que cultivam o "nós" , estamos abertos para você  vir jogar amistosos e praticar o melhor esporte do mundo !

TEXTO DE AUTORIA DE RAFAEL LAURIA, COLUNISTA DO F.M.NEWS.
  Reeditado por enioseibert@hotmail.com