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sábado, 30 de junho de 2012

A PAIXÃO PELO FUTEBOL DE BOTÃO


Em certos momentos de nostalgia e lembranças, começo a recordar como foi o meu primeiro contato com o jogo de futebol de botão.  Me vem à lembrança e visualizo, como se fosse hoje, quase 60 anos passados, na cidade gaucha de Cachoeira do Sul, os times de " botões panelinhas ", fabricados pela Estrela, C.R.Vasco da Gama e Flamengo F.R., os papões da década de 50, no futebol de campo, os donos da torcida brasileira, os reis do Maracanã recém inaugurado para a Copa do Mundo de 1950, campeonato mundial de triste lembrança.Foi amor à primeira vista!  Mas, não poderia imaginar jamais que ali, naquele momento, com aquela encantadora diversão infantil, com aqueles simples botões " panelinhas "  de plástico, deslisando sobre uma mesa, simulando jogos de futebol de verdade, estava nascendo uma paixão que poderia perdurar, e efetivamente duraria, por quase toda uma vida.
Eu ficaria sabendo, somente muitos anos depois, que o meu primeiro arqueiro de time de botões, era Moacir Barbosa, o famoso e legendário goleiro do Vasco e da Seleção nacional, e que o ataque que eu manipulava com a ficha/palheta, pela primeira vez na vida, era formado por Tesourinha ( o Garrincha da época ), Jair da Rosa Pinto, Ademir Marques de Menezes ( o famoso artilheiro Ademir Queixada ) e Chico ou Friaça.   Com relação a este  jogador (Friaça), ponteiro cruz-maltino, tive a oportunidade de conhecer seu irmão, o palhaço de circo Reco-Reco que percorria o Brasil chegando  à minha cidade no interior do Rio Grande do Sul e que me disse ser o nome real da família Friance, abreviado pela imprensa esportiva por Friaça.  Na ingenuidade de criança, achei o máximo, na época, haver conhecido o irmão de um jogador de Seleção...
Aquela linha atacante do meu time de botões, era praticamente, o ataque titular da Seleção Brasileira na Copa de 50, a famosa e malfadada copa perdida por uma fatalidade para o Uruguai, na final de triste lembrança  dos brasileiros por 2 X 1 no Maracanã.  Eu manuseava os botões que personificavam a base do time canarinho ( na época, portando uniforme com camisas brancas, logo depois abandonadas em decorrência da derrota inexplicável na Copa ).  Sem saber na época, eu era o todo poderoso técnico Flávio Costa, igualmente treinador do Vasco da Gama e Seleção Brasileira.
Comandando o poderoso e famoso time campeão carioca do Vasco da Gama, transformado em Seleção Brasileira em tantas ocasiões, onde somente faltava o craque Zizinho do rival Flamengo, este simplesmente o ídolo e inspirador de Pelé, o craque dos craques que surgiria mais tarde para tornar-se o maior jogador de futebol do mundo em todos os tempos.  Pelé declarou em entrevista á imprensa esportiva que chegava a pagar ingresso no Estádio de Bauru, onde morava aos 15 anos, para assistir seu ídolo Zizinho jogar pelo São Paulo F.C., último clube em sua carreira.
Apesar de jogarmos encima de improvisadas mesas de salas, ou rústicas mesas de passar roupas, com as eternas goleiras de plástico mole e goleiros que podiam " saltar e voar "nos arremessos das bolas-discos em gol ( porque os arqueiros retangulares que defendiam de pé possuiam hastes de arame manipuladas pelos técnicos das equipes que os posicionavam e movimentavam  por trás das goleiras ), as fotos mágicas dos craques do passado da minha infância, coladas no centro rebaixado dos botões, junto com os escudos dos clubes, estão presentes na memória fotográfica deste botonista idealista e sonhador que insiste em lembrar  daqueles primeiros botões de sua vida  e primeiros jogos com companheiros de rua e colégio.  Momentos de felicidade e lembranças inesquecíveis que o tempo não conseguiu apagar.
E que este veterano botonista teima em continuar um eterno apaixonado por este esporte dos sonhos !

por ENIO SEIBERT - enioseibert@hotmail.com
 

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