Todos nós conhecemos em alguma ocasião a competidores que são demasiadamente exigentes consigo mesmos e com as circunstâncias ou lances do jogo de Futebol de Botões. Aqueles que gostariam que cada jogada terminasse em gol, e cada partida em aplastante vitória a seu favor. Desde tal enfoque das coisas, ganhar apresenta-se como empreendimento pouco menos que impossível, e a prática do futebol com botões pode chegar a converter-se em fonte de estresse. Aquele que sempre e ante qualquer situação que se diferencie do que previamente se estabeleça como ideal de perfeição, põe-se, de imediato, a resmungar, esbravejar ou sapatear dando patadas no chão com violência, é e será sempre, independente do signo astrológico da pessoa, um jogador escorado na derrota.
Ganhar é um estado de ânimo, que para chegar a ser adquirido, exige uma passagem inicial através do campo de derrota. Porém quem tenha estado por ali, e tenha os passos e palmos de frente mínimos suficientes para arrematar ao gol uma cobrança de escanteio, sabe e poderá certificá-los que não é lugar onde apoiar-se como âncora. Antes pelo contrário, nos momentos em que nesse lugar te encontres, aproveita a melhor perspectiva que a distância das coisas oferece, para elaborar novamente, de imediato, teu plano de vitória. Somente o que adentra ao campo vencido, perde. O que enfrenta com bravura as traves das goleiras, os goleiros, as goleiras, as decisões inexplicáveis dos árbitros, e enfim, as mil e uma maneiras em que o adversário ou o infortúnio podem apresentar, ao longo da partida, pode transformar-se em meticuloso detalhista e inclusive, de pulso firme, êsse já , antes de escutar-se o apito final e ter-se procedido a recontagem dos gols, êsse sempre haverá ganhado.
CRÔNICA DE MARCELO SUÁREZ GARCIA, COLUNISTA ESPANHOL DE FUTBOL CON BOTONES. TRADUÇÃO DE ENIO SEIBERT.
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