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terça-feira, 17 de abril de 2012

Adeus à Arte





Não se trata de saudosismo, também não se trata de comparar o passado com o presente. Vivemos em um mundo em evolução, é de nossa natureza procurar sempre o melhor o mais perfeito o mais bonito.

Entretanto, ha de se considerar as experiencias do passado e aplicá-las no futuro, aqueles que se utilizam da história para não repetir erros e aperfeiçoar o presente, levam a vantagem de começar com experiencia.

Os jovens que hoje vibram com os lances nos campos de futebol, não fazem idéia de como era no passado, a evolução foi enorme, diriam alguns, eu diria: A transformação foi grande, muitas coisas boas em se tratando das condições humanas e materiais mas, a arte, a beleza o encanto mágico dos lances soberbos, estes, foram inibidos pela necessidade imperiosa do: “… ou ganha ou tá fora…”  A vitória a todo custo já não é recompensa de quem se preparou melhor e é melhor e teem mais habilidade.

A vitória de hoje têm “gosto” não têm sabor, não têm beleza, não têm arte… Vale o preparo físico, a força bruta, a esperteza, a dissimulação, o terror psicológico, o roubo descarado com a cara de inocência e o tapa, físico ou moral desde que a vantagem seja conseguida.

Muitos que como eu, são espécie em extinção, perguntam se artistas do passado teriam alguma chance nos tempos atuais, será que os Garrinchas que só precisavam de meio metro da linha lateral para dar um baile, os Niltons Santos que na maior calma dançavam com a bola dentro da grande área, que os Zicos como mágicos passavam por defesas e todos ficavam procurando a bola, que os Didis que faziam com que a bola parecesse uma folha seca, quase impossível de segurar, que os Pelés que tratavam a bola com carinho paternal, que os Gersons que de um lado ao outro do campo entregavam a bola no peito, na cabeça ou no pé do companheiro … será que estes e muitos outros sobreviveriam? …

No campo dos botões, a evolução poderia ser conseguida sem a imitação cega do que acontece no campo gramado, ainda somos puros e devemos continuar assim.  – hoje, desclassificado por tapas morais, me conformo em lembrar com prazer o que poucos saberiam apreciar, lembro ter ouvido enquanto jogava, um companheiro comentar: “gostaria de chegar a essa idade jogando assim” e ainda, de outro, receber o seguinte e-mail: “Ainda surpreso com sua saida prematura do torneio, lhe escrevo com o pesar de um torcedor fiel do "time de Marechal Hermes". Tu és e continua a ser, em minha opinião, o jogador de mais belo estilo, os mais belos lances vi sair de suas mãos e sem sua ajuda e devoção, esse evento não teria acontecido… obrigado …” –

Bem sei que somos filhos e como filhos queremos imitar os pais e nossos pais são aqueles que lutam para sobreviver nos campos de grama. Mas em verdade vos digo, nós somos o que somos, somos os artistas do futebol de mesa, amamos o futebol, a camisa, a bandeira e o ídolo do nosso clube mas temos de separar o bom do ruim e ficar somente com a nata do que existe de melhor e o melhor ainda é a arte, mesmo que esteja desaparecendo.

Mas este é um assunto para os especialistas do campo gramado, nós que entendemos do campo, também verde, mas que fica em cima de uma mesa, deveríamos considerar que, embora sejamos uma extensão ou melhor uma tentativa de cópia do futebol, deveríamos imitar apenas aquilo de melhor, usar a história como referencia e, sempre considerando o necessário aprimoramento, evitando sempre, cometer os mesmos erros que ainda se cometem em nome do esporte, afinal, no futebol de mesa, se perdemos um jogo, não perderemos o emprego.


CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO NOS ESTADOS UNIDOS.  BOTONISTA SAUDOSO DA PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER. 
POR  ENIO SEIBERT  -  E-mail: enioseibert@hotmail.com

PERFIS

Agora conheçam Beto Ribeiro

Beto Ribeiro – um apaixonado pela vida e pelos botões

Ele começou no início dos anos sessenta, encara tudo na vida com muita paixão. Ama muito sua esposa Rita , dedica a mesma atenção aos planos e sonhos dos filhos legítimos quanto dispensa aos seus pequenos meninos “adotados” que deslizam sob uma  mesa de botão.
     Conheça a história de José Roberto Ribeiro, craque do futebol de mesa e um artista na forma de jogar com botões quase invisíveis de tão pequenos. Um homem da fronteira, mas que veio de mala e cuia (e mesas) para a região central, para se aproximar dos filhos queridos e acompanhá-los nos estudos e carreira profissional. Confira a entrevista!

Ota Neto –  Nasceu em Uruguaiana? Quando? Profissão?
Sim, nasci em Uruguaiana, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, divisa com Paso de Los Libres, Argentina, no dia 28/02/1954. Sou bancário aposentado.
O.N. -  Quando foi teu primeiro contato com o futebol de mesa?
Foi na década de 60. Mais precisamente em 1962. Na quadra onde morava (Rua 13 de Maio) em Uruguaiana (RS), meus dois irmãos e vários primos e amigos estavam na febre do futebol de botão de panelinhas e eu para não fugir a regra também me interessei pelo esporte.
O.N. - Quando começou a jogar com o Vasco da Gama e por que?
Parece que foi ontem…… 08/07/1970,  porém nesta data distante foi criado o VASCO DA GAMA DE FUTEBOL DE MESA.
Numa partida inaugural contra o FLAMENGO do amigo e botonista Gilberto, em que o placar ficou no 3 x 3, gols de Luiz Carlos (2) e Adilson.
Escolhi  o Vasco da Gama, por ter simpatia e torcer pelo mesmo no Rio de Janeiro e  não existir na época nenhum adversário com este nome.
O.N. - Quando começou a registrar os jogos?
Foi no dia 08/07/1970, quando da criação do VASCO DA GAMA DE FUTEBOL DE MESA.
Tenho a mania e prazer de anotar as partidas: dia, mês, ano, nome do time adversário, nome do adversário, nomes dos botões que marcam os gols. Possuo anotações de jul/70 a fev/80 e de out/02 até a presente data. São 5448 partidas, sendo 3118 vitórias, 1369 empates e 961 derrotas; 10211 gols feitos e 4422 gols sofridos e o grande goleador é o velho (cheio de dentes) Valfrido, atualmente aposentado, com 1285 gols marcados.
Joguei contra 281 adversários e o tempo total de 2724 horas.
O.N. -  Quando foi o gol 10 mil?
O histórico gol aconteceu na tarde de um sábado, na sede da AABB de Santa Maria, no dia 10/04/2010, partida de nº 5286 contra  o RIOGRANDENSE do botonista e amigo Glenio Moraes.  A partida terminou empatada em 1×1. O gol 10.000 foi marcado pelo botão de número 26, o zagueiro Alã.  Glenio fez seu gol com o botão de nº 10 o atacante de nome Plein.
Vale lembrar que, na partida anterior, o Manchester de meu outro amigo, Otacilio Neto, armou uma retranca e segurou o placar de 0×0, escapando assim, de levar o histórico gol.
O.N. -  Conta umas histórias pitorescas com teus craques ou jogos marcantes.
 - Conta a lenda que numa viagem a Uruguaiana o lateral do Vasco, botão de nº 6, Batista,  perdeu-se na volta juntamente com o celular,  na cidade de Alegrete. Só dei-me conta do acontecido quando cheguei em casa. Aíveio o inesperado:  liguei para o meu celular e o Batista atendeu dizendo não fazer mais parte da delegação vascaína.
- Certa ocasião fui fazer o seguro contra incêndio de minha casa em Uruguaiana, valores do imóvel e conteúdo. O corretor achou muito alto o valor do conteúdo e perguntou-me porque? Respondi que tinha 3 mesas de futmesa que eram fabulosas e 50 excelentes botões da equipe do Vasco.
- Certa vez estava jogando com um botonista de Uruguaiana, o jogo estava empatado, ele teve uma grande chance de ganhar no último minuto, mas errou o gol,  lançou a palheta contra a porta da garagem e atirou-se ao chão gritando: “Beto tu não jogas é nada! Tu só tens sorte!”
- Estava eu a jogar com meu irmão na sala de casa. Morávamos em uma rua não asfaltada, cheia de pedregulhos. Em um dado momento, em um lance que gerou discussão, ele apanhou alguns botões meus e atirou-os pela janela. Passei a tarde procurando os craques entre as pedras.
- Havia em Uruguaiana dois botonistas muito amigos, sempre andavam em dupla jogando em todas as Ligas da cidade. Estava jogando lá em casa com um deles e outro olhando e torcendo para o mesmo. Em cada jogada eles comentavam entre si. Eu estava numa tarde inspirada, acertando todos os lances. O jogo estava 3 x 0 para o Vasco e o meu adversário corria em volta da mesa, suando comentava: “Amadeu! O homem tá  terrível! O homem tá terrível Amadeu!”.
O.N. -  Qual foi o título mais importante e o mais difícil?
Foi  quando da realização do Campeonato Estadual da Regra Gaúcha de 1972 lá na minha terra, sendo que fomos campeões por equipes.
O.N. -  Tem algum adversário de preferência?
Não, todo próximo adversário é difícil, cada jogo uma história diferente. Mas sem dúvida o difícil é aquele que pensa mais para fazer cada jogada, como se fosse um jogo de xadrez.
O.N. -  Regra gaúcha ou da fronteira?
Jogo as duas regras. Nestes 50 anos de futmesa joguei mais pela regra da fronteira. Conheci a Regra Gaúcha dois meses antes de participar do Campeonato Estadual de 1971, realizado na Sociedade Ginástica São Leopoldo (RS).
Mas avalio que a regra da fronteira seja mais marcante e emocionante, com lances e gols de raras belezas.
O.N. -  Como é a convivência com os filhos botonistas?
Tenho 4 filhos maravilhosos: Roberto(Grêmio), Rodrigo(Flamengo), Cristiane e Renan(São Paulo).  Somente a Cristiane não joga futmesa, mas joga truco. Os guris me deram muita emoção e satisfação em querer aprender a jogar o futebol de mesa e até hoje eles praticam o esporte, tanto em casa quanto em outras localidades.
Já fiz vários clássicos com os mesmos. Partidas inesquecíveis! Integração total!
O.N.  Teve alguma desavença no esporte, nestes anos todos?
Não. Existiram discussões normais de lances polêmicos nas partidas. Várias rivalidades, mas tudo dentro do espírito esportivo, sem criar desafetos.
Com o futmesa aprendi bastante da boa relação humana e adquiri muitos amigos, que conservo até hoje.
O.N. -  Conta mais sobre a Lipafume.
Mudei de apartamento para uma casa no bairro Patronato e criei no dia 15/07/11 um espaço na garagem no fundo do terreno para a prática do futmesa. Denominei como LIPAFUME – LIGA PATRONENSE DE FUTEBOL DE MESA DE SANTA MARIA
-RS, local este que está a disposição com 4 mesas,  dos amigos e apreciadores deste nosso nobre e prazeroso esporte.
O endereço: Rua Goiânia, nº 155 – bairro Noal – Fone 3026-8953, Cel 9969-2126.
                 EQUIPE DE URUGUAIANA DE FUTMESA NO CAMPEONATO ESTADUAL DA REGRA GAÚCHA DO ANO DE 1971, REALIZADO NA SOCIEDADE GINÁSTICA DE SÃO LEOPOLDO.
             NO ANO DE 1972 SAGROU-SE CAMPEÃ ESTADUAL NA CIDADE DE URUGUAIANA(RS).  
             NA FOTO DA ESQ. P/DIR., BETO RIBEIRO, PAULO FITTIPALDI, JÚLIO CANTORI, EDUARDO ALMEIDA E TASSO PORTUGAL.




PERFIS

Nesta entrevista estaremos apresentando o perfil de Rodrigo "Padre", botonista de Viamão


Iniciei minha jornada no futebol de mesa quando criança  jogávamos eu e meu primo  com botões panelinhas na mesa da cozinha da minha casa. Em 1998 a brincadeira começou a ficar um pouco mais séria, pois meu amigo de infância e vizinho, Leonardo “Biguá”, me convidou a jogar botão na sua casa com alguns amigos já mais experientes na modalidade, jogávamos a regra do passe (UNIFICADA). A partir disso comecei a conhecer mais pessoas que jogavam botão em Viamão e comecei a freqüentar a antiga Sede do Senhor Eliseu onde jogavam somente a regra Unificada, logo em seguida por iniciativa do Giovane, grande incentivador do esporte em Viamão nos anos 90, comecei a jogar amistosos e competições em Porto Alegre e Região Metropolitana. 
Já pratiquei algumas regras no futebol de mesa: a extinta regra viamonense, com campo de alcatex em menores dimensões e com o goleiro em pé; já joguei alguns amistosos e um campeonato na Regra Brasileira; mas as minhas regras favoritas e que pratico hoje são as do Passe e Gaúcha. Joguei botão em várias Sedes da Região Metropolitana: Bazar Mimo, Liga do Partenon, LEFUME e Liga Viamonense, onde fui um dos fundadores e presidente no biênio 2009/2010.
Meu time mais tradicional no futebol de mesa é o Olímpia do Paraguai, mas como além de praticante sou também um colecionador de botões, tenho outros times como: Internacional, Independente, Angola e Arsenal; totalizando quase 100 botões (70 de Galalite e 20 de Acrílico).
Nesta minha jornada de 14 anos de futebol de Mesa já conquistei alguns títulos, mas os mais significativos para mim foram: Taça Boas Festas em 2000 (Tradicional competição de final de ano em Viamão), Torneio Integração em 2002 (Competição realizada na antiga Sede do Senhor Eliseu em Viamão com a participação de botonistas da região Metropolitana)  Copa Sul Americana em 2007 (Sociedade Polônia), Libertadores e Gauchão em 2009 (Liga do Partenon), Metropolitano por Equipes em 2010 (Liga Gaúcha)  e alguns outros títulos de “Garagem” que para mim também tem a sua história e importância.
O futebol de mesa é o meu principal lazer, o que me motiva a praticá-lo são a confraternização com amigos que conheci graças ao esporte e o relaxamento que sinto quando estou na mesa, pois quando estou jogando, me esqueço do mundo e me concentro apenas nas 4 linhas do campo.
Já tenho alguma história na Regra Gaúcha, sou mais conhecido como “Padre”, apelido dado pelos  meus vizinhos de infância pelo fato da minha ativa participação na Igreja como Coroinha, Acólito e grupo de jovens. No futebol de mesa este apelido é utilizado até em tabelas de competições oficiais, se colocarem meu nome verdadeiro (Rodrigo Arruda Fraga) ninguém sabe quem é. Fui um dos fundadores da Liga Viamonense de Futebol de Mesa em 2009 sendo o primeiro Presidente e considerado um grande incentivador do esporte na cidade de Viamão. A maior  alegria  que tive no futebol de mesa sem dúvida foi o Título Metropolitano por Equipes sendo eu o capitão representando a minha cidade em 2010, sempre falei que Viamão tinha botonistas de qualidade e se houvesse organização e união nós poderíamos trazer um título de equipes para Viamão. Montamos uma equipe forte, competitiva e muito unida. Ganhar uma competição deste porte representando a minha Cidade foi muito emocionante para mim. Não poderia deixar de mencionar o 4º lugar no Estadual Individual da Regra Gaúcha em 2009, para eu chegar entre os 4 melhores botonistas do Estado foi uma honra e imensa alegria.
Quanto a jogos e gols inesquecíveis é difícil lembrar-se  de todos, mas cito 2 casos que me marcaram: O primeiro foi na final do Torneio Integração em2002 contra o meu amigo Biguá, no segundo tempo de partida com o placar empatado sem gols o meu adversário foi cavar uma bola no meu botão que estava posicionado no meio de campo, ele deu uma forte cavada onde a bola subiu tanto que quase bateu no teto da Sede e parou na frente do meu lateral esquerdo sobrando um chute de média distância culminando no gol do título desta competição. Outro fato mais curioso foi no Estadual de Equipes em 2009 quando estava jogando contra o meu grande amigo Zecão, o meu adversário abriu o marcador e comemorou em alto tom como é de praxe nas competições por equipe; já no segundo tempo de partida sobrou uma bola quase queimando a linha lateral de ataque do meu adversário e o meu botão estava posicionado próximo a posição original do lateral, ao bater a bola eu falei para o Zecão botar as mãos nos ouvidos, pois se essa bola entrar ele iria ouvir um berro nunca escutado antes, ele coloca então as mãos nas orelhas e vê a bola estufando lindamente os  seus cordéis e a comemoração foi digna de um golaço, com certeza um dos mais bonitos que eu já fiz.
Finalizando, gostaria de deixar um recado para aqueles que não praticam ou estão começando a praticá-lo, o futebol de mesa te proporciona momentos de muita alegria, confraternização com amigos  descobrindo novos parceiros e conhecendo lugares diferentes. Este é um jogo onde você pode desenvolver uma melhor concentração, destreza e por que não condicionamento físico, pois ficar muito tempo em pé exige preparo. Jogue o jogo com o objetivo de se divertir, as conquistas virão com o tempo e serão conseqüência da sua aprendizagem e experiência.
Acesse o blog www.ligaviamonensedefuteboldemesa.blogspot.com

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A cera lá de casa




Cinqüenta anos ou meio século é muito tempo… Nossa rua, lá nos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro era de paralelepípedos e inclinada, pois morávamos em um morro lá pelas bandas do Cachambi, onde era comum as meias laranjas. O pequeno terreno de terra batida entre duas outras ruas ladeiradas era nosso campinho, inclinado no comprimento e na largura. Mesmo assim, peladas e torneios eram disputados com muito calor, paixão e muita, mas muita categoria – na época, diríamos: com classe.  O domínio da bola, o drible fácil  imitando Garrincha, Didi, Domingos da Guia, Nilton Santos e outros grandes, aqueles times dos com e sem camisa, dariam hoje um show para quem está acostumado a ver somente muita violência.

A mesma arte que esbanjávamos com os pés descalços e bolas de meia dedicávamos aos botões.  Lembro bem dos longos papos debaixo das árvores, sentado no meio fio e, ao mesmo tempo, a mão não parava, lixando e lixando no cimento da calçada as fichas de ônibus, pedaços de galatite e casca de coco. O acabamento impecável era conseguido com flanela e a cera "roubada" lá de casa, acho que era a Parquetina, aquela que tinha como desenho um garoto com cara de boboca deslizando num piso encerado. Eu me lembro também a da UFE - União Fabril Exportadora, a do sabão Portugues, na Av. Brasil... imagine, quebrou!

As partidas amistosas eram feitas nas mesas das cozinhas, no chão de taco ou no piso de cimento vermelhão… E os torneios? Ah!… Os torneios, estes sim, eram disputados em uma mesa com linhas e tudo… O Sr. Luis Alfaiate, pai do João, é quem patrocinava o prêmio, uma garrafa litro de Coca-Cola, mas às vezes até medalha tinha.

Quando penso naquela mesa imensa, fico em dúvida se ela realmente era muito grande ou eu era muito pequeno. Lembro dos colegas, os vizinhos Lelis, o Estevão, o Juarez, os irmãos W, Wilton, Wilson e William e alguns outros também com times de fantástica qualidade artesanal. Nenhum botão era igual ao outro: diâmetros, alturas e materiais diferentes, todos tinham nomes de nossos ídolos e mesmo que vendidos ou trocados o nome permanecia…Belini, Vavá, Puskas, Quarentinha e tantos outros que me falha a memória.

Hoje vejo nos muitos sites brasileiros as mesas, as balizas, os goleiros, os botões e as bolinhas!!! Incrível como evoluíram. Vejo extasiado, nas fotos dos sites, times brilhantes dispostos em mesas impecáveis, que merecem ser fotografados, mas eu, aqui nos Estados Unidos, continuo com meu time de casca de coco da Bahia, não tão perfeito como aquele lixado na calçada, não obstante terem sido cortados e polidos com todos os recursos que o Primeiro Mundo oferece.  Mas acredito que falta a flanela peluda e aquela cera lá de casa.

Um grande abraço Botafoguense a todos os que tiveram a paciência de ler as minhas lembranças.

Paulo H Bosco

BOTÕES DOS SONHOS



 
 
 
 
 

                  " EU TENHO PERCEBIDO ÁS VEZES EM MEUS SONHOS,  VESTÍGIOS INCLUSIVE DE POUCO AFETO DE OUTROS SONHADORES "

No Futebol com Botões podem utilizar-se também botões velhos, que sabem ser especialmente eficientes, rebuscados das velhas latas  das avós, os quais por sua vez os haviam recuperado de alguma peça de vestimenta imediatamente antes de desfazer-se dela por gasta ou rasgada.  Ou encontrados  em lojas de botões de época, guardados em desordem pelo proprietário ou proprietária, mercê do mesmo instinto conservacionista que os botões despertam , ninguém sabe porque, em todas as pessoas, igualmente e da mesma maneira, nas casas residenciais e lojas comerciais.
A aquisição e a mania do uso de botões antigos é semelhante à utilização e ao ideal de manutenção de velhos sonhos.
Em uma faixa alguém escreveu:  " Nossos sonhos nos pertencem  ".   Que grande mentira ou engano  seria.
De não haver acontecido porque quem a escreveu teria sonhado que era verdade.  Uma verdade tão clara e tão sua que merecia ser emoldurada no alto, como um estandarte.
Os sonhos não pertencem a ninguém.  Estavam já  aí  quando nós chegamos, - exatamente igual como estão nas latas os botões velhos a granel, espalhados e revirados -, e o que fazemos é tomarmos eles emprestados durante algum tempo.
Sonhamos até onde podemos, logo nosso tempo se encerra, nos vamos sem eles, e alguém novamente chega a sonhá-los de maneira distinta desde o princípio.
Há pais que projetam para seus filhos  continuar sonhando o mesmo sonho que eles sonharam, começando ali onde eles o haviam deixado.  Perdem seu tempo.
As leis da herança genética não alcançam  a estes domínios.  E por muito que os digam que pode realizar-se, não é certo que possam eleger os sonhos.
Os botões  são em questão, algo mais  manejáveis, poderás com sorte , elege-los, e poderás deixar o legado  de teus velhos botões a teus filhos, os filhos de teus filhos, ou a um amigo a que consideres digno de  tê-los.
Porém,  inclusive aqui, chegará um dia em que os botões se libertarão do destino que tu lhes tenha traçado, e recuperarão sua antiga liberdade e seu próprio destino.
PORQUE OS BOTÕES, COMO OS SONHOS, SÃO - JÁ OS TENHO GARANTIDO - MUITO MAIS RÁPIDOS QUE NÓS MESMOS.
Nota:  A tradução das palavras finais na última ilustração da matéria, -  GRACIAS, ABUELO !! - podem ser versionadas  por GRACIAS, VOVÔ !!

 ENIO SEIBERT.  E-mail: enioseibert@hotmail.com
 TEXTO E ILUSTRAÇÕES DO COLUNISTA ESPANHOL DE FUTBOL CON BOTONES MARCELO SUAREZ GARCIA.

PERFIS

Estaremos publicando a seguir uma série de perfis de alguns de nossos botonistas, alguns na forma de questionários pré-formulados onde eles contarão suas paixões pelo futebol de mesa.
Começaremos com o Enio

ENIO SEIBERT - 67 ANOS DE IDADE - 55 APROXIMADAMENTE DE BOTONISMO, COM ALGUMAS PARADAS FORÇADAS POR MOTIVOS PROFISSIONAIS OU DE DOENÇA  EM FAMÍLIA,  DESCONTANDO ENTÃO CERCA DE 15  ANOS DAQUELE PERÍODO DE BOTONISTA.
REGRAS PRATICADAS:   REGRA QUE SEMPRE ME APAIXONOU FOI A REGRA DE 1 PASSE PRA 2 LANCES,  CONHECIDA COMO REGRA DO PASSE, CUJO NOME OFICIAL REGISTRADO É REGRA UNIFICADA, JÁ  VERSIONADA PARA  A LÍNGUA INGLESA  E COM TRADUÇÃO PARA O ESPANHOL JÁ ENCOMENDADA NO INSTITUTO DE IDIOMAS.
COM O INTERREGNO PROVOCADO PELO FECHAMENTO DO DEPTO. DE FUTMESA NO INTERNACIONAL E UMA PARADA FORÇADA POR MOTIVOS  DE TRABALHO, QUANDO A REGRA UNIFICADA QUASE DESAPARECEU DAS MESAS DE JOGO EM  PORTO ALEGRE,  COM AS MUDANÇAS DE REGRAS  POR PARTE DE GERSON AZEVEDO, CLÓVIS PAVÃO E LÍDIO CORUJA, TODOS FUNDADORES DA REGRA  DO PASSE,   (JUNTAMENTE COM  ESTE ENTREVISTADO ),  REAPRENDI A REGRA GAUCHA DE 1 TOQUE COM O COMPANHEIRO PAULO VIANNA E DISPUTEI O 2o. CAMPEONATO PRAIANO DE CAPÃO NOVO, QUANDO CASUALMENTE ESTAVA DE FÉRIAS NAQUELA PRAIA ONDE EU POSSUIA UM APARTAMENTO.   COM GRANDE SURPRESA, DEPOIS DE RECEPCIONADO POR SALOMÃO JÚNIOR E VINICIUS BUENO QUE ME PERGUNTARAM SE EU FÔRA APRENDER A JOGAR COM A REGRA GAUCHA  NO PRAIANO,  COM CERCA DE  100  BOTONISTAS PARTICIPANTES, ACABEI CHEGANDO NA FINAL  DA COMPETIÇÃO  VENCENDO POR 3 X 0  A FERA QUE MAIS TARDE SE TORNARIA TRI-CAMPEÃO ESTADUAL.
COM A MINHA APOSENTADORIA  HÁ SEIS ANOS,  ENQUANTO  EU E MARIANO ARAUJO  TENTÁVAMOS REORGANIZAR A REGRA UNIFICADA,  VOLTEI A JOGAR O MEU HOBBY FAVORITO, AINDA NA REGRA GAUCHA, MONTEI A EQUIPE DO G.E.RENNER ( COM BRANDÃO, JOÃO RODRIGO, LUIS MÁRCIO, PEDRO LUIS, SANDRO SCHNEIDER E EDUARDO MÔNICA )  E FOMOS CAMPEÕES ESTADUAIS INVICTOS, DISPUTANDO COM MAIS 12 EQUIPES FILIADAS  À LIGA GAUCHA.
ATUALMENTE,  COM O COMPANHEIRO BRANDÃO, ESTAMOS REMONTANDO A EQUIPE  DO  CLUBE YPIRANGA, PARA AS DISPUTAS DO METROPOLITANO E ESTADUAL DE 2012.
COM RELAÇÃO AO MATERIAL PREFERIDO PARA JOGAR O FUTEBOL DE BOTÃO, INDISCUTIVELMENTE É O GALALITE, O QUAL GRAÇAS AO PAULO FAÉT QUE DESCOBRIU VIA INTERNET QUE AINDA ERA FABRICADO NA EUROPA, PERMITIU-NOS A VIABILIZAÇÃO  DE IMPORTAÇÕES DE PORTUGAL ( E SOMENTE EU FIZ DUAS IMPORTAÇÕES )  QUE SERVIRAM PARA REABASTECER O MERCADO BOTONISTA A PREÇOS ACESSÍVEIS PARA TODOS.
QUANTO A ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO DA LIGA GAUCHA ACHO QUE O ATUAL PRESIDENTE CLÓVIS PAVÃO PRECISA FORMAR UMA  DIRETORIA PARA TRABALHAR EM EQUIPE, POIS SÓZINHO É IMPOSSÍVEL FAZER TUDO QUE É PRECISO NUMA ASSOCIAÇÃO, POIS  APENAS TEMOS VISTO  A COLABORAÇÃO DE DAIAM  E  ESPOSA, E ESPORADICAMENTE  O ROMANCINI  AJUDANDO NA LIGA DE BOTONISTAS GAUCHOS.
UM RECADO PARA  OS  NÃO PRATICANTES DO  FUTEBOL DE MESA, ALIÁS, TRANSCRITO NA CONTRA-CAPA  DA  EDIÇÃO IMPRESSA DA REGRA UNIFICADA:
"  FUTEBOL DE BOTÃO - SIMPLESMENTE O MELHOR JOGO DO MUNDO  ".  PROCUREM  CONHECE-LO NO YPIRANGA F.C., AVENIDA PRINCESA ISABEL, 795 - BAIRRO SANTANA.    TREINAMOS E PARTICIPAMOS DE COMPETIÇÕES NAS NOITES DE 3as., 5as. 6as. feiras e SÁBADOS DURANTE TODO O DIA.
DISPOMOS  DE EXCELENTE SALA DE JOGOS EXCLUSIVA, COM ILUMINAÇÃO LUZ-DO-DIA E AMBIENTE CLIMATIZADO COM AR CONDICIONADO, ALÉM DE  15 MESAS DA MELHOR QUALIDADE TAUARÍ-MARFIM.