Não se trata de saudosismo, também não se trata de comparar o passado
com o presente. Vivemos em um mundo em evolução, é de nossa natureza procurar
sempre o melhor o mais perfeito o mais bonito.
Entretanto, ha de se considerar as experiencias do
passado e aplicá-las no futuro, aqueles que se utilizam da história para não
repetir erros e aperfeiçoar o presente, levam a vantagem de começar com
experiencia.
Os jovens que hoje vibram com os lances nos campos de
futebol, não fazem idéia de como era no passado, a evolução foi enorme, diriam
alguns, eu diria: A transformação foi grande, muitas coisas boas em se tratando
das condições humanas e materiais mas, a arte, a beleza o encanto mágico dos
lances soberbos, estes, foram inibidos pela necessidade imperiosa do: “… ou
ganha ou tá fora…” A vitória a todo
custo já não é recompensa de quem se preparou melhor e é melhor e teem mais
habilidade.
A vitória de hoje têm “gosto” não têm sabor, não têm
beleza, não têm arte… Vale o preparo físico, a força bruta, a esperteza, a
dissimulação, o terror psicológico, o roubo descarado com a cara de inocência e
o tapa, físico ou moral desde que a vantagem seja conseguida.
Muitos que como eu, são espécie em extinção, perguntam
se artistas do passado teriam alguma chance nos tempos atuais, será que os
Garrinchas que só precisavam de meio metro da linha lateral para dar um baile,
os Niltons Santos que na maior calma dançavam com a bola dentro da grande área,
que os Zicos como mágicos passavam por defesas e todos ficavam procurando a
bola, que os Didis que faziam com que a bola parecesse uma folha seca, quase
impossível de segurar, que os Pelés que tratavam a bola com carinho paternal,
que os Gersons que de um lado ao outro do campo entregavam a bola no peito, na
cabeça ou no pé do companheiro … será que estes e muitos outros sobreviveriam?
…
No campo dos botões, a evolução poderia ser conseguida
sem a imitação cega do que acontece no campo gramado, ainda somos puros e
devemos continuar assim. – hoje,
desclassificado por tapas morais, me conformo em lembrar com prazer o que
poucos saberiam apreciar, lembro ter ouvido enquanto jogava, um companheiro
comentar: “gostaria de chegar a essa idade jogando assim” e ainda, de outro,
receber o seguinte e-mail: “Ainda surpreso com sua saida prematura do torneio,
lhe escrevo com o pesar de um torcedor fiel do "time de Marechal Hermes".
Tu és e continua a ser, em minha opinião, o jogador de mais belo estilo,
os mais belos lances vi sair de suas mãos e sem sua ajuda e devoção, esse evento
não teria acontecido… obrigado …” –
Bem sei que somos filhos e como filhos queremos imitar
os pais e nossos pais são aqueles que lutam para sobreviver nos campos de
grama. Mas em verdade vos digo, nós somos o que somos, somos os artistas do
futebol de mesa, amamos o futebol, a camisa, a bandeira e o ídolo do nosso
clube mas temos de separar o bom do ruim e ficar somente com a nata do que
existe de melhor e o melhor ainda é a arte, mesmo que esteja desaparecendo.
Mas este é um assunto para os especialistas do campo
gramado, nós que entendemos do campo, também verde, mas que fica em cima de uma
mesa, deveríamos considerar que, embora sejamos uma extensão ou melhor uma
tentativa de cópia do futebol, deveríamos imitar apenas aquilo de melhor, usar
a história como referencia e, sempre considerando o necessário aprimoramento,
evitando sempre, cometer os mesmos erros que ainda se cometem em nome do
esporte, afinal, no futebol de mesa, se perdemos um jogo, não perderemos o
emprego.
CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO
NOS ESTADOS UNIDOS. BOTONISTA SAUDOSO DA
PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER.
POR ENIO SEIBERT
- E-mail: enioseibert@hotmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário