Jogando Botões III
Ha tempos venho tentando convencer, pelo menos dois de meus companheiros que são manchetes, que poderiam continuar colecionando taças mas poderiam fazer mais pelo esporte se não colocassem a sede de gols acima das demais razões.
Se jogassem no Brasil, teriam adversários do mesmo tamanho e, provavelmente, estariam jogando em uma faixa do nível em que se encontram. Mas, se jogassem em um grupo de experientes botonistas ai no Rio ou em São Paulo, certamente conseguiriam vitórias mas também, possivelmente e merecidamente, poderiam ser derrotados por abusivas diferenças de gols fazendo com que pudessem sentir o gosto amargo da humilhação de uma enxurrada massacrante que uma diferença de sete e dez goals podem fazer.
Concordo plenamente que esporte é esporte, que devemos nos esforçar o máximo para dar o melhor de nós mesmos perseguindo a vitória com afinco, esforço e dedicação que todo esporte merece. Entretanto, uma vez que não temos como criar faixas nas competições uma vez que ainda somos um pequeno grupo de heróis bandeirantes, acredito que aqueles que já possuem a habilidade do gol fácil que pensem na covardia que é um galalau de dois metros disputar uma “pelada” com uma criança.
Não considero a comparação absurda, observo como alguns se sentem, como quardam ressentidos o desejo de revanche mas que em razão das enormes dificuldades que temos para jogar, principalmente amistosos e jogos treino, é quase impossível alimentar o sonho de jogar e curtir, ganhar, perder, empatar … jogando sem preocupação e sem amargar, de novo e de novo, uma nova derrota onde só o adversário joga.
Vejo com tristeza alguns se afastando com desculpas que não convencem, desculpas que em verdade tentam acobertar o desejo de esquecer o esporte sem esquecer os amigos. Estes, para aqueles que não observam, que não enxergam o homem, também desejoso de brincar, guardando os botões na caixinha após outra rotineira derrota, são considerados os sem palavra, sem compromisso ou talvez desinteressados.
Eu não vejo assim. Vejo sim que eles são os verdadeiros apaixonados, os verdadeiros desportistas, os verdadeiros botonistas pois se consideram incapazes de vencer, por conseguinte, incapazes de competir e recebem a derrota com elogios aos vencedores. Estão ali como cobaias e ainda pagam por isso, então, qual a razão de estar ali? Vejo sim, um problema de difícil solução sem que haja um seminário para discutir o assunto, as regras que são difíceis para quem começa, as diferenças de nível técnico e, a meu ver, que os invencíveis sosseguem o facho e dêem oportunidade, com paciência e atenção para aqueles à margem das vitórias.
Estou à vontade para esculachar, já ganhei mais de uma vez dos invencíveis, já ganhei, perdi e empatei com os que ainda seguram a palheta sem jeito. Não sou o primeiro nem o último, não gosto que desclassifiquem meu gol legitimo, mas também não brigo em razão disso, já fui campeão e já fui desclassificado, já fiz gols incríveis e já tomei gols sensacionais e acima de tudo eu guardo na memória momentos preciosos, na derrota ou na vitória, o que importa para mim é como me comportei na partida, joguei bem? Joguei mal? … Bem! Isto é outro papo, o que importa neste momento em que o esforço em criar e manter um grupo unido jogando futebol de botões está por um fio, ou melhor, pela linha de fundo.
Não tenho a solução, penso e penso e quando uma idéia, tímida que seja, me ilumina e tento reparti-la com outras opiniões, as reações são imediatas, impensadas, egoísticas, egocêntricas e sempre esperando dos outros a perfeição e colaborando com o: “temos que fazer” mas desde que alguém faça.
Enquanto existir uma mesa e alguém interessado em jogar, ai eu estarei presente, não me importam taças e medalhas, não me importam vitórias ou derrotas, me importa sim é palhetar os meus botões e sempre que puder ouvir de novo de companheiros em jogos que perdi ou empatei as frases: “puxa que golaço” ou “você têm o melhor toque de bola que já vi” ou ainda: “foi um jogão” e receber o tradicional aperto de mão ao final do jogo, me basta e, é só e é somente por esta razão que ainda não pendurei a palheta.
Não tenho cacoete para ser político, não sou comentarista nem repórter, apenas um apaixonado pelo futebol de mesa em fim de carreira. Juntarei as minhas últimas energias, sacrificarei meu escasso tempo de repouso e farei uma última tentativa para salvar o New York Table Soccer do naufrágio.
CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO NOS ESTADOS UNIDOS. BOTONISTA SAUDOSO DA PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER.
TEXTOS REPRODUZIDOS PARA O SITE INTERNACIONAL “FUTMESABRASIL.COM “ POR ENIO SEIBERT - E-mail: enioseibert@hotmail.com

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