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domingo, 18 de dezembro de 2011

CRÔNICAS DE PAULO BOSCO

Planeta Brasil

Uma década, parece pouco, mas adicionando a cada dia as dificuldades do idioma, a adaptação à uma nova cultura, às leis, regras e hábitos diferentes … somando-se ainda a necessidade de descer ao primeiro degrau da escada deixando para traz diplomas,  experiencias e começar de novo, degrau por degrau uma nova vida, estudando, aprendendo e concorrendo com os nativos da terra que não é sua …, dez anos são uma vida e quando se consegue superar todos os desafios diários e o equilíbrio se faz presente, acordamos para a realidade e descobrimos que somos solitários de amigos e carentes das coisas da pátria amada Brasil.

Daí, começam a fervilhar as idéias verdes e amarelas, vez que, muitos ainda não podem voltar à casa matter, tentam trazer para perto aquilo que ficou para traz.  E a pergunta será sempre: “O que fazer para reunir os da mesma espécie, mesmo biotipo, mesmos hábitos, mesmas manias e mesma língua?”  O grupo feminino, sempre arranja um motivo para festinhas mas estas reuniões pela própria natureza, reunem grupos afins e não são rotineiros.

Seria preciso algo que reunisse todos os meninos de 12 a 60, “whoops!” Quase esquecia de mim mesmo … e mais, algo que tirasse os meninos das cozinhas, que fizesse com que mudassem de conversa, algo em comum que não fosse o papo tenso sobre a dura luta do trabalho diário na terra do tio (deles) Sam.

Assim então, como não poderia deixar de ser, em uma das festinhas organizadas pelas meninas, no verão de 2005, o dono da casa surgiu com uma mesinha para Jogo de Botões, no velho estilo da marca Estrela.  Para a maioria presente foi algo retirado do passado e como algo tão grande e brasileiro, passando pela imigração, conseguiu chegar até aqui nesta minúscula Southampton há cem milhas de New York City? Além daquele dinosauro sem utilidade ele possuía dois jogos de botões e balizas de plástico??? “Para que serve isso?” Perguntaram alguns que já possuem sotaque de gringo.

Então ele, de 35 anos, dono dos brinquedos convidou um colega de trabalho (eu) para a brincadeira e todos os outros meninos se chegaram, curiosos, para perto, todos com algum comentário, “eu já jogava isto quando criança” e “eu jogava mas já fazem 20, 30 anos que não via um botão”, e os “brazilicanos“ estupefados também queriam experimentar, principalmente quando em nós a experiencia anterior começava a se transmformar em goals aparentemente impossíveis.

E foi assim, então, que de repente não se fala mais naquilo, a conversa mudou de rumo, agora o assunto é outro, telefonemas diarios no celular, troca de e-mails e total concentração na tabela, no resultado dos jogos, na qualidade dos botões, na construção de mesas, importação de balizas, bolinhas, palhetas e naturalmente, o time do coração.  A segunda-feira agora é a primeira, todos se reúnem de 7 às 10 naquele salão alugado na academia, o papo é leve e descontraído, o abraço na chegada, o aperto de mão na vitória ou na derrota, o abraço na despedida, o papo sério dos amigos de muitos anos agora é papo sério dos “meninos” amigos.

Discutem-se as regras, a melhor bolinha, melhor tipo de botões, o presente e o futuro para uma possivel Associação legalizada, as conversas giram em torno dos goals, da evolução dos “técnicos” das vitórias e derrotas, a gozação sadia e os sorrisos se fazem presente nos então sérios “chefes de família”.

Chutamos a tenebrosa solidão para escanteio, agora temos todos o mesmo brinquedo, o mesmo assunto um motivo a mais para nos vermos, nos abraçar, vestir as velhas camisas retiradas do fundo das gavetas com as cores favoritas, Fluminense, Flamengo, Santa Cruz, Palmeiras, America Mineiro e tantos outros que chegam a cada semana.

Agora as “meninas” além de ter mais um motivo para organizar festas – a decisão de um torneio ou campeonato – têm as cozinhas só para si, pois os “meninos” irão para as garagens no inverno e para os pátios no verão.

Este é só o início desta febre que vai se espalhar pelos Estados Unidos e vai, com certeza, reunir todas as raças que adoram o velho esporte Bretão, mesmo que seja em cima de uma mesa.



CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO NOS ESTADOS UNIDOS.  BOTONISTA SAUDOSO DA PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER. 
TEXTOS REPRODUZIDOS PARA O SITE INTERNACIONAL  “FUTMESABRASIL.COM “ POR  ENIO SEIBERT  -  E-mail: enioseibert@hotmail.com

CRÔNICAS DE PAULO BOSCO

Um Domingo de Paixão

Cinco e meia, sexta feira, a chuva caia fininha naquela tarde noite de inverno na cidade do Rio de Janeiro. Paulinho quase em casa após sair do colégio e caminhar por meia hora foi surpreendido com a turminha da rua reunida na esquina. Parou, perguntou: “e aí bicho” naquele tempo todo mundo era bicho porque era assim que o Roberto Carlos gostava e se ele gostava, nós também.

- Domingo vai haver um torneio na casa do Riquinho – Ricardo era o menino rico lá do bairro, casa grande e bonita, pelo menos em comparação com nós outros – legal … posso ir? Perguntou! “sai dessa bicho, vai ser torneio pra cobra, criança não participa”. Paulinho tinha mais ou menos a mesma idade dos outros mas como era muito magro e pequeno, não tinha vez. Às vezes, tinha vaga nas peladas … “fica na ponta esquerda e não deixa a bola sair” gritavam os grandões.

Foi pra casa e depois do jantar jogou uma partida com seus dois times, o profissional e o amador – naquele tempo, televisão era coisa de rico – os amadores, ganharam como sempre, apesar dos empurrãozinhos que Paulinho sempre dava aos seus preferidos, os profissionais. Ficou pelejando até tarde chutes a gol, das posições mais difíceis, até de corner experimentava, dai veio o cansaço e foi dormir sonhando um dia poder jogar um torneio com os cobras.

O sábado amanheceu bonito, lá na calçada da AVE (associação dos vagabundos da esquina) haviam alguns papeando sobre o torneio que ia ter uma medalha para o campeão, mais um “time de fábrica” e coca-cola e biscoito à vontade, tudo por conta do pai do Riquinho. Paulinho se chegou e se ofereceu como “sparring” para os cobras irem se preparando. Mas havia uma preocupação no ar, os pais de alguns garotos não autorizaram a participação porque alguns tinham de estudar para a prova de meio de ano, matemática, na segunda-feira.


Riquinho chegou e foi logo dizendo que estava tudo pronto e que o pai ficaria uma fera se tivessem que transferir o torneio. O jeito era chamar os garotos da reserva das peladas para completar a tabela. E foi então, dessa maneira, que Paulinho teve sua primeira oportunidade para jogar entre os cobras.


Na tarde de sábado, após completar os deveres de casa e lavar as escadas – parte de sua lista de tarefas – começou a polir os botões, estava na dúvida qual time deveria escalar, os profissionais eram o primeiro time e os amadores os reservas, mas a verdade é que os amadores sempre ganhavam nos jogos treino. Que fazer? Afinal! O que importava, não passaria mesmo da fase de classificação.

O melhor seria ir ao Maracanã e tirar o torneio da cabeça, o seu Botafogo iria jogar com o Vasco naquele sábado à noite e ele tinha guardado parte da mesada para um jogo como aquele. Iria cedo para não perder a preliminar pois gostava de assistir o time amador, que eram chamados “aspirantes”, ou seja, aspirantes a profissionais, não tinham a mesma classe dos profissionais, mas tinham o coração nos pés, suavam a gloriosa camisa da estrela solitária.


Paulinho chegou cedo, foi para arquibancada no meio daquela algazarra da torcida organizada e gritava o quanto podia, FOGO! FOGO! …é SELEFOGO … no bolso, carregava o time que fizera com as fichas de jogo que sua tia trouxera da Alemanha e jogara fora, ele não gostava da cor, vermelha, mas era o melhor que possuía. Sonhava ter um time de fábrica … “Aah! Quem sabe um dia”, estava juntando parte da mesada, fora várias vezes à fabrica em Quintino com os amiguinhos da rua, os que podiam compravam, outros enganavam o “Seu Manéu” e surrupiavam um ou outro botão da caixa. Ele, Paulinho, nunca faria isso, “Seu Manéu” era um portuga legal e as vezes até dava um botão que tinha um pequeno defeito, ele, Paulinho, nunca tivera esta sorte.

O jogo era todo Vasco, mas no final o 1x0 premiou a garra do time aspirante do Botafogo. Intervalo para o jogo principal, hora do cachorro quente e o mate gelado, Paulinho evitava pensar no torneio do dia seguinte, vibrava com aqueles cobrões de seu time e quando o Quarentinha fez mais um gol se distanciando na artilharia, apertou seus botões no bolso desejando poder batizar o time com o nome do seu Botafogo, mas não tinha coragem, seu time de botões não era bonito como os times de fábrica, ele também não queria fazer vergonha com o nome do Botafogo, além disso, vermelho? Vermelho era cor do América, todos gostavam do América, ele também, mas tinha escolhido outro nome de batismo.

Final de jogo, o Botafogo perdeu mais uma vez para o Vasco, Paulinho saiu devagar do Maracanã, estava triste, a chuva murrinha continuava, meteu a mão no bolso para conferir os trocados e surpreso viu que exagerou no cachorro quente, não dava pro bonde, enganar o Condutor? Não! Estava sem ânimo para pular do reboque para o carro da frente e vice-versa. Iria a pé, uma senhora caminhada, mais ou menos duas horas e com a garoa … “Ora! Vamos conversando e combinando uma tática para o torneio” Paulinho conversava com os botões, e assim foi, matutando como iria enfrentar os grandes e os pequenos como ele.

Chegou em casa cansado “pra chuchu” ainda assim deu mais uma polida no time e decidiu a escalação, deu uma bronca nos profissionais e comunicou que iria levar o time reserva para o torneio, pelo menos eles não usavam “salto alto”, jogam com o coração nos pés, honram a camisa.

O Domingo amanheceu radiante, céu limpo, brisa fresca, Paulinho se preparou, pegou seus “aspirantes”, deu uma olhada nos profissionais e disse: “Vocês vão ver, vamos com tudo e uma coisa é certa, a lanterna não trazemos”. Quando chegou em casa do Riquinho, a ostentação tirou-lhe um pouco o ânimo, aproximou-se do rapaz que preparava os papéis, o sorteio, a tabela e a inscrição.

- Oi Paulinho, como é nome do seu time.

- “Semblante”, respondeu firme.

- O bicho, tá me sacaneando? Você sabe o que significa essa palavra?

 Não, Não – Paulinho respondeu tenso – Ouvi a professora falar este nome, acho que é estrangeiro, Semblante, é meu time reserva, os profissionais estão … ééé … precisam de uma lixada.

- Tá bão, Tá bão, - Riu o Secretário do Torneio - vê se não perde de muito, senta lá naquele banco e espera sua vez e fica quieto para não atrapalhar a concentração dos cobras.

Paulinho olhava os times de fábrica dos garotos, alguns tinham até duas cores, brilhavam! E na prateleira no canto o pai do Riquinho arrumava os prêmios, primeiro lugar uma medalha dourada e um time de fábrica, segundo um par de balizas de plástico, terceiro uma palheta de galalite e para o último, uma lanterna de balão.

A empregada da casa oferecia a todos, biscoito maria, guaraná e coca-cola, Paulinho não aceitava nada, não conseguiria engolir, estava com medo de passar vergonha. Feito o sorteio, observou que tivera sorte, já tinha ganho de alguns moleques de seu grupo, Riquinho ficou um tanto sério quando viu que quatro dos grandes ficara em sua chave, mas ele era o melhor, certamente conseguiria a classificação.

Dito e feito, Riquinho conseguiu o primeiro lugar na chave e Paulinho surpreendendo mais a ele do que aos outros, classificou-se apesar de um empate.

Paulinho adotara a tática desenvolvida nas duas horas de caminhada na noite anterior, conhecia todos os garotos, observara muitos jogos e sabia que todos atacam pelo centro, ele treinara muito chutes sem angulo e seus botões, por ser muito finos, cobriam a altura do goleiro com facilidade desde que chegasse perto da área, alem disso, comparado com os de fábrica, eram bem pequenos e quase sumiam na mesa, mas, confiava em seus “aspirantes”.

E assim foi, com humildade, jogando com toda a concentração, respeitando cada adversário, dando uma flanelada nos botões entre os jogos é que ele conseguiu chegar à semi-final. Estava satisfeito, bem que podia acabar ali, estava certo quando escalou os reservas, chegaria orgulhoso em casa, sua estratégia tinha dado certo até ali, deixava só dois pontas no ataque e o descaso na colocação dos goleiros, facilitava os gols de cobertura.

Riquinho passou fácil na semifinal, três a zero em um dos melhores da rua, seu pai estava orgulhoso, tinha certeza que o filho seria o campeão, Paulinho também … que pena, pensava, ele já tinha vários botões de fabrica e podia comprar mais quantos desejasse. Mas Riquinho, confiante, queria fazer a final com o adversário do Paulinho, seu amigo pessoal, assim teria mais graça, seria um jogo duro mas venceria com certeza. Assistia ao jogo dando força para o amigo, vaiava as jogadas de Paulinho e entoava: - paulinho sem pau é linho, paulinho sem linho é pau, tirando o pau do paulinho, paulinho fica sem … Bem … ele aguentava tudo até porque estava surdo a tudo e a todos, seu pensamento estava lá no Maracanã, os aspirantes dando o maior sufoco no Vasco, ignorando a chuva e a torcida contra, em maior número.

Paulinho chegou lá na direita, quina da grande área, sem angulo, o goleiro (caixa de fósforos recheada com chumbo derretido), na vertical, (naquele tempo, podia), deitou a palheta, caprichou e a bolinha (feita da parte metalizada, retirada com todo o cuidado, a fogo, da embalagem do cigarro Lincoln liso) subiu e cobriu o Fiat Lux, morrendo dentro daquela pequenina baliza de plástico.

Surpresa geral, mas ai foi aquela pressão, em volta da mesa e dentro dela, a partir daquele momento, Paulinho não conseguiu um chute a gol sequer, se virava como podia na defesa, e então deu se o milagre, o jogo acabou com a vitória do “Semblante”, aquele timeco de fichas de pôquer, com um moleque sem graça como técnico.

Afinal, a grande final. Todos já parabenizavam Riquinho, seu pai, balançava a medalha, seus irmãos menores, gritavam: é campeão, é campeão. Não havia dúvidas, Paulinho já contava com aquelas balizas de plástico, estava inchado de satisfação, só não participava da festa porque ninguém dava bola para ele. Ouvia sereno alguns que gritavam: “Ô Rico, dá de “enfiada” , “Ô Riquinho, dá um olé nele” … O pai, apesar de feliz vendo seu filho, com certeza campeão, estava um tanto constrangido olhando Paulinho arrumando seus botões humildemente, sem nenhum aborrecimento apesar das inúmeras gozações.

Já passava das duas da tarde, ninguém estava com fome, todos recheados com biscoitos e refrigerantes, um calor incomodo fazia molhadas as camisas, Riquinho, trocara várias vezes de roupa, Paulinho, depois de pedir licença, apenas tirara os sapatos, sabia que tirar a camisa na casa dos outros é falta de educação. O primeiro tempo terminou zero a zero, mas muita vibração por parte da torcida com quatro bolas nas traves de Paulinho. Agora no segundo tempo vai ser pra valer. – “Aí Rico, vai pra cima dele, encaçapa logo e termina com isso”

Mas naquele Domingo, a sorte estava com Paulinho, conseguiu apenas um chute a gol, em compensação, seu goleiro, fazia maravilhas, até parecia maior que os outros. Já perto do final, já se pensava nos pênaltis, seria sem graça, mas parecia que o Riquinho não estava inspirado … também! Jogar contra moleque de segunda categoria não dava motivação.

Corner para o “Semblante”, Paulinho ajeita a bolinha no canto e pede: - coloca,

¾ Sai dessa bicho, tá, tá …chuta logo.

¾ E Paulinho chutou, a bola fez curva, bateu na trave, no goleiro e, entrou.

Aí foi aquela confusão, … não valeu! Gol de corner não vale! Tem de ser indireto! Tinha que mandar colocar! Ele pediu pra colocar? Acho que não … todos tinham uma opinião exaltada, Riquinho estava pasmo, olhava para o pai meio desesperado… e agora? Tem desconto gritou um … só Paulinho estava impassível, qualquer que fosse a decisão deles, pouco importava, chegara muito, mas muito mais longe do que sequer poderia imaginar, claro que se ganhasse o time de fábrica, ai sim, seria um milagre, pouco importava a medalha, enquanto a discussão continuava ele tinha sua mente naqueles botões lá na prateleira … são lindos…

O jogo recomeça, alguém ajeitou o relógio para os descontos, Riquinho sério e concentrado, foi pra frente e no primeiro chute empatou, já passavam cinco minutos do tempo e ele perguntou: Quanto falta? Ainda dá tempo pro segundo, manda brasa Rico! Mais alguns minutos, uma chance bem de frente, Gooool do Rico …. É campeão urravam todos …. Acabou! Declarou o que estava em posse do relógio, foi ao apagar das luzes, emocionante.

O pai, pegou a medalha e prendeu na camisa do filho, e, enquanto todos paparicavam o campeão, Paulinho esperava seu merecido prêmio, as balizas, mas Seu Rico, foi até a prateleira, pegou o time de fábrica, colocou em uma caixinha de papelão, foi até Paulinho, entregou-lhe a caixa e disse: Garoto, você tem paixão, fique com estes botões, vá com Deus e volte sempre que quizer.

Paulinho foi para casa, apertando a caixa no peito, com os olhos úmidos disposto a perdoar o seu time de profissionais.

CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO NOS ESTADOS UNIDOS. BOTONISTA SAUDOSO DA PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER.


TEXTOS REPRODUZIDOS PARA O SITE INTERNACIONAL “FUTMESABRASIL.COM “ POR ENIO SEIBERT - E-mail: enioseibert@hotmail.com

CRÔNICAS DE MARCELO SUAREZ GARCIA

O OLHEIRO DE CRAQUES QUANDO CHEGA EM CASA SE TRANSFORMA EM TREINADOR E DIRETOR

Concretizada uma  compra o “ olheiro de craques “ vai para sua casa a toda pressa ,para testar, rapidamente, seus novos botões na mesa de jogo, dando com eles várias acionadas com a ficha, sem  bola e outras tantas atiradas com bola ou  “ pelotadas “.
A prova de um novo botão se faz dessa maneira.  Primeiro se coloca sobre a mesa de jogo, coloca-se sob  a palheta  manipulada com a mão destra ( que pode ser , neste caso,  a direita ou a esquerda, segundo a s habilidades de  cada um ), e se lança na direção da palma da outra mão, que previamente está  posicionada à pouca distância, como parapeito de proteção, para evitar que o botão, ao qual se dará para esta primeira prova, um impulso bastante forte, se desloque demasiado longe.
Trata-se  de comprovar que haja este deslizamento até o  impacto, sem saltar, sem despregar-se da mesa em nenhum momento.
Após essa primeira comprovação, se passa à segunda, para a qual se elimina já a barreira de segurança e se fazem, com as devidas diferenças de impulsão,  deslizamentos do botão, uns mais curtos  e outros mais longos.
Por fim, se fazem  os testes de  toques de bola. Dentre os quais, a cada vez, se diferenciam entre  toques para passe  e toques para chutes ou arremessos à goleira. 
Com o que se completa a avaliação  do botão contratado, e se pode decidir já  se procede:  incorporá-lo a alguma equipe já constituída,  criar, a partir de sua incorporação, uma nova equipe, ou, - caso não tenha convencido ao treinador ou ao diretor – transferi-lo, quanto mais longe melhor, ou guardá-lo em uma caixa, no fundo do armário,  para  ao menos, não vê-lo, e não recordar, assim, o fracasso de sua  aquisição.
Todas essa provas ou testes  as realiza o olheiro de craques que, ao chegar em casa, se transforma em treinador,  e as decisões sobre o futuro do botão,  são adotadas também, pelo  olheiro, porém neste caso,  transformado em  diretor.
Assim sucede que os pobres botões transferidos, ou condenados ao ostracismo no fundo de um armário, recebem a triste notícia  de seu destino, da mesma  boca que pouco antes, haviam escutado as ilusórias palavras: “ compro  êle “, e não chegam a entender nunca, relativamente bem, a razão, se é que tenha  havido alguma, de que repentinamente, se tenham chegado  eles, a esta conclusão  desafortunada.
É verdade que não ser transferido, ou ser  confinado ao fundo do armário, não são destinos definitivos.
Não seria a primeira vez que, transcorrido algum tempo, e passado e esquecida a  desaprovação experimentada nos primeiros testes, o  olheiro, o treinador e o diretor, qualquer deles ou os três juntos, podem decidir  experimentar e testar novamente o botão e  lhe darem a aprovação final, desta feita.  Dado ao rigor já descrito, com que os primeiros testes  foram realizados, não  é costumeiro que esta possibilidade ocorra, porém, basta que aconteça uma vez entre mil, para que os botões que padeçam destinos tão cruéis, se apeguem, ao menos, a esse fio de esperança, de maneira idêntica àquela em  que um botão de abrigo  ou de jaqueta, se prende ao último fio que o  une  à  roupa no corpo de uma pessoa, quando todos os demais já  tenham se  desprendidos.
CRÔNICAS DE MARCELO SUAREZ GARCIA, COLUNISTA ESPANHOL DE  FUTBOL COM BOTONES.
TRADUÇÃO DE  ENIO SEIBERT  -    E-mail:  enioseibert@hotmail.com
PUBLICAÇÕES AUTORIZADAS PARA OS SITES  FUTMESABRASIL.COM   e  FUTEMESAYPIRANGA.BLOGSPOT.COM

CRÔNICAS DE MARCELO SUAREZ GARCIA


                                JOGAR, JOGAR E JOGAR

Para chegar a ser um bom jogador, não há melhor conselho que jogar, jogar e jogar.
À base de prática, alcançará um nível  aceitável de jogo.   E isto, em nosso esporte, já
 é tanto como chegar a ser um bom jogador.Não se canse demasiado com suas  conversas,
nem lamente nunca os acertos ou as jogadas  fortuitas de seu adversário.  O Futebol de
Botões, é , antes de mais nada, diversão.  E deve saber desfrutar da mesma maneira, de um gol
ou de um arremesso na trave a seu favor ou arremesso no poste contra  você.  O jogador de
futebol de botões  é, - já lhes disse -, treinador, diretor e olheiro de craques, porém também, e
sobretudo, deve ser  espectador entusiasta e um ardoroso torcedor, igualmente, da própria
equipe e do  companheiro adversário, porque o que realmente gosta, acima de qualquer 
outra consideração, é jogar o Futebol com Botões.

CRÔNICAS  DE MARCELO SUAREZ GARCIA, COLUNISTA ESPANHOL  DE  FUTBOL COM BOTONES.
TRADUÇÃO  DE ENIO SEIBERT – E-MAIL:  enioseibert@hotmail.com
PUBLICAÇÕES AUTORIZADAS  PARA OS SITES FUTMESABRASIL.COM  e  FUTEMESAYPIRANGA.BLOGSPOT.COM

O ARREMESSO OLHANDO A BOLA E O ARREMESSO MIRANDO A GOLEIRA


 O ARREMESSO OLHANDO A BOLA E O ARREMESSO MIRANDO A GOLEIRA. RAZÕES DO DILEMA. CORRENTES DOUTRINAIS E OPINIÃO DO AUTOR.
 
 
À medida que vamos adquirindo experiência e, com ela, autonomia na prática do jogo de futebol de botão, vamos elaborando questões que anteriormente, - naquele período em que a única coisa que nos preocupava era acertar o chute na bola -, nunca haviam passado por nossas cabeças.
Assim, o dilema entre chutar fixando a mira na pelota, ou,  pelo contrário, faze-lo mirando fixamente a goleira, objetivamente  aquele ponto da goleira que queiramos acertar a bola, se estabelece entre jogadores já experientes, veteranos que, superadas as  dificuldades elementares iniciais, se propoem novas metas, as quais serão constantes em esportes,  como esta, de superação pessoal.
Se perguntares minha opinião pessoal e minha preferência, direi que sou partidário da segunda maneira de arremessar.  Mirar a goleira penso que é mais efetivo.  " Onde ponho o olho, ponho a bala ", é aplicado também, pois, em minha modesta opinião, ao futebol de botões.
No obstante, outros jogadores de mesmo nível, ou melhores do que eu, darão opinião  e conselho contrários ao meu.  Tudo isto pode resumir-se em que não deve-se fazer caso e dar credibilidade nem a  eles nem a mim, mas conhecer as duas possibilidades , ensaiar e treinar com ambas, e, ao final, por esse  método, de ensaio, treinamento, erros e acertos, escolher a que melhor funcione em seu caso,  pois se em geral, cada ser   
humano é um mundo à parte, no futebol com botões, tal regra não será exceção, e, por isto, poderás chegar  a ser um campeão ou, ao menos, a divertir-se tanto ou mais que os maiores campeões, com a única condição de, sem deixar de experimentar coisas novas, ser sempre fiel ao teu próprio estilo, esse que te deixará  inconfundível no campo de jogo, e pelo qual teus adversários chegarão a conhecer-te, tanto ou mais que por teu próprio nome.
 
CRÔNICA DE MARCELO SUAREZ GARCIA, COLUNISTA ESPANHOL DE  FUTBOL CON BOTONES.  TRADUÇÃO  DE  ENIO SEIBERT.
REPRODUÇÃO DE MATÉRIAS  AUTORIZADAS PARA  FUTMESABRASIL.COM  e  FUTEMESAYPIRANGA.BLOGSPOT.COM    E-mail: enioseibert@hotmail.com

CRÔNICAS DE MARCELO SUAREZ GARCIA

A MAGIA, O FEITIÇO E O ENCANTAMENTO DO FUTEBOL DE BOTÕES INICIA A SÉRIE DE CRÔNICAS DE MARCELO SUAREZ GARCIA, O MAIOR CRONISTA ESPORTIVO DE FUTBOL CON BOTONES DE ESPAÑA.
APRESENTAÇÃO DO COLABORADOR ENIO SEIBERT - E-MAIL: enioseibert@hotmail.com






viernes 25 de junio de 2010

RESEÑA HISTÓRICA ESCRITA POR UNO QUE ESTABA ALLÍ

EL HECHIZO DEL FUTBOL DE BOTONES
¿Jugar? ¿De jugar a los botones, estamos hablando? Usted no sabe. Usted no puede figurarse. Veníamos de una época de juguetes escasos, juguetes de madera, imitación de la maquinaria de guerra reciente y el Atlético de Aviación: Tabales; Mesa, Aparicio; Gabilondo, Germán y Machín; Manín, Arencibia, Pruden, Campos y Vázquez había ganado la Liga dos años consecutivos, el de 1939 y el de 1940, cuando los del odioso Real Madrid le quitaron a Pruden, un delantero no demasiado hábil, pero conseguidor de goles, que en el fútbol es lo que en definitiva importa, aunque sea, o tal vez preferiblemente que sea, de penalti injusto, pitado sobre el límite del tiempo de juego del partido.
Pero, a lo nuestro. El fútbol, con el recuerdo de lo ocurrido pocos años antes de la guerra en las Olimpiadas, aquello de la “furia española”, heredado tal vez de los tercios viejos y el legendario: ¡a mí, Belauste, que los arrollo!, estaba a punto de convertirse en deporte nacional. Y fue justo entonces cuando alguien, un ser anónimo, pero sin duda excelso, un admirable deportista desconocido, un barón de Cubertín sin nombre, se enteró de la existencia del fútbol de botones y lo incorporó, sin dudarlo un momento, probablemente inconsciente de la magnitud de su acto, al menguado catálogo de nuestros juegos de competición, ya saben, el orí, el pilla, pilla, la goncia, la remonta, el pico, tallo, qué, las diversas modalidades de las renras, el lirio o palillo y la peonza o el marro, además del consabido policías y ladrones o el fútbol propiamente dicho, de plaza –pelota de papel o de trapo-, de campo, -balón de cuero con endemoniada costura que abrasaba la frente en los remates de cabeza- y de playa -pelota de goma saltarina-.
Los botones, su fútbol, además de soberbio juego de competición, constituyeron en seguida fuente inagotable de técnicas y de tácticas, aplicables al fútbol de balón por medio de las mucho más tarde famosas pizarras de cotizados entrenadores –probablemente todos ellos practicantes del juego de botones, ya en su niñez, ya en la adolescencia o en secreto cuando ya adultos- y extraordinario consuelo para niños, jovenzuelos, adultos y selectos, imposibilitados incapacitados para la práctica del fútbol de aire libre.
Los botones, en la protohistoria de mi niñez, coincidieron para nosotros con el ingreso, a los diez años, en los estudios medios del bachillerato, plan Ibáñez Martín, aquel de la famosa Reválida, que mantuvo durante toda su vigencia, la incalificable injusticia de no contener entre sus pruebas de madurez preuniversitaria la asignatura del fútbol de botones.
De cuya práctica fuimos todos los niños del lugar, de todas las categorías, clases, estamentos, razas, religiones, procedencias y destino, entusiastas practicantes. Recuerdo que llevábamos colgada por una cinta de retorta de la muñeca una bolsita de tela de diferentes texturas, según preferencias, gustos y habilidades maternales, de fabricación casera y pletóricas de botones aptos para el fútbol de botones.
Los había de muchas clase, formas, procedencias y consistencias. Habían sido, primero, rebuscados por las cajas y costureros de galerías, cuartos de plancha, desvanes y crujías de cada vivienda familiar, de padres, abuelos, tíos, primos y demás deudos, de la ropa colgada en los armarios de los cuales, llegaron a faltar, de modo inexplicable para sus perplejos dueños, los botones de trajes, abrigos y gabardinas. Para nutrir el elenco de guardametas, no vacilamos en dejar abiertos y desamparados los tarros de mermelada u otros productos que como consecuencia se pudrieron en despensas, almacenes y neveras de aquellas de barra de hielo.
Y, en cuanto disponíamos de un equipo, ¡a competir!
Los primeros estadios fueron, -domicilios aparte, plagados de siniestras trampas a base de hules o linóleos en que se atascaban nuestros botones, pero circulaban los del anfitrión, astutamente seleccionados al efecto-, fueron los peldaños de mármol e imitaciones de los portales más elegantes de la Villa, los escalones de entrada, de piedra pretensada del teatro Colón y los bancos de madera del parque, estos últimos hasta que cierto desconsiderado alcalde los mandó sustituir por otros hecho de listones de madera. En los bancos del parque, las porterías eran los remaches que sujetaban a los hierros de las patas el tablón del asiento y las discusiones acerca de si había sido o no gol alguno de los logrados con dedicación y esfuerzo, podían acabar en feroz discusión, con posible subsiguiente amarradiella. Y se conserva recuerdo de algún carterazo como uno que, juro que sin propósito de dañar, sacudió el que suscribe a otro espectador de un partido en el portal de al lado de Correos, que provocó a la víctima una pequeña herida y copioso reguero de sangre y dio lugar a que en su violenta reacción, mi progenitor, requerido al efecto por el herido, me pronosticara oscuros destinos en algún penal, como consecuencia de mis evidentes instintos homicidas.
Lo exiguo de los estadios fue causa de que los equipos se redujeran a siete botones, un portero, dos defensas, un medio y tres delanteros. Excusado es decir que identificados y rebautizados todos ellos de acuerdo con nuestras respectivas preferencias y la categoría de los futbolistas de verdad.
En lo más duro de cada batalla, lo más complicado de cada partido, -que se jugaban a seis goles, y, caso de haber empate a cinco, a siete, evitando así las discusiones y amarradiellas derivadas de la exactitud en el paso de un tiempo difícilmente controlable con los medios de la época, habida cuenta de la escasez de relojes que funcionaran, o, si lo hacían, fuesen de exactitud fiable y mucho menos coincidente-, era frecuente que algún avispado espectador se apoderara de jugadores distinguidos. Y llegaron a darse casos de sustracción de equipos completos, con intervención de padres y tutores en el asunto y como consecuencia, conflictos interfamiliares de cierto e inesperado calibre.
Agotadas las canteras de cajas, costureros e incluso ropa colgante de cada hogar, hubimos de recurrir a nuestros escasos y esporádicos peculios personales para visitar las mercerías locales, en donde sus dueñas, casi siempre damas de cierta edad, se resistían, acertada, justa y justificadamente desconfiadas, a poner las cajas de botones en nuestras manos para seleccionar unos botones cuyo destino no comprendían: pero niño, ¿por qué no te da uno de muestra tu mamá?.
Se hicieron famosos unos botones de madera, de peso ideal y deslizamiento fácil, que merecieron el nombre genérico de “gaínzas”, por el extremo izquierda aquél, internacional y famoso del Athletic de Bilbao. Los había de tres tamaños. Grandes, ideales para defensas o medio, medianos, que eran excelentes delanteros y otros más pequeñitos, que usábamos como extremos, por el aquél de que en fútbol siempre hubo extremos pequeñitos y veloces, astutos y eficaces.
Y guardo recuerdo fiel de un “Gabilondo”, inolvidable medio, un “Veterano”, excelente delantero centro, ejemplar único, procedente de una vieja gabardina cuya pista se perdió cuando volví en su busca, tras de comprobar la “clase” del delantero, dos extremos negros, aparentemente iguales, pero uno un poco más alto que otro y evidentemente zurdo el más plano, que levantaba un poco el balón al chutar y burlaba así a los más gigantescos tapones de baquelita del equipo adverso. Se llamaron “Campos”, un excelente interior canario del Atlético de Madrid y “Emilín” aquel extremo alto, flaco y desgarbado que formó en el Oviedo pareja con el mítico Herrerita.
Contar y no acabar. Incruentas batallas en que mis Gaínzas marrones se enfrentaban con los Gaínzas negros de mi hermano pequeño sobre la mesa del comedor de casa de nuestros padres, haciendo de porterías ocho tomos de una enciclopedia jurídica del despacho de mi padre, los tomos REGIS - SANI, SANI – SOCI, SOCI – TIRO y TITU – ZUNA, que eran los del extremos de la izquierda de la parte alta de la librería del despacho, siempre los mismos, hasta que llegaron a convertirse en parte de nuestros gritos de guerra.
Suspendí la práctica del fútbol con botones para irme a la Universidad. Cuando, muchos años después, decidí volver a jugar, ya no había Gaínzas en la mercería, y conseguí a duras penas tres verdes medianos, uno azul grande y otro pequeñito, verde, para reemprender la actividad. Pero esta ya es otra historia.

http://www.futbolconbotonesyreboteabanda.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

Crônicas de Paulo Bosco

Estamos apresentando as crônicas de Paulo Bosco, botonista brasileiro residente na Grande Nova York - Estados Unidos, há cerca de 10 anos. Profissional na área de desenho industrial e arquitetura. É escritor espírita, autor do livro maravilhoso intitulado Redenção. Cronista nas horas vagas, autor de 22 crônicas brilhantes sobre o nosso esporte-hobby BOTONISMO, as quais estamos reproduzindo no futmesabrasil.com e futemesaypiranga.blogspot.com , com a sua devida autorização.

Revanche na Eternidade
Acredito que quando se aproxima a hora de pendurar a palheta, nossa memória, já enfraquecida, começa a relembrar pedaços da vida, vivida entre botões, mesas, amigos, bolinhas, redes, torneios, amistosos e “causos” que marcaram nossa trajetória por detrás de nossas palhetas.
Cursava o primeiro ano ginasial, no Colégio Dois de Dezembro no Méier, cidade do Rio de Janeiro. Era o primeiro ano em que passamos a usar calças compridas em nosso uniforme caqui. Eu, embora não pertencesse ao grupo das feras invencíveis - leia a coluna Um Domingo de Paixão - era, de certa forma famoso pois morava na mesma rua Peçanha da Silva, lá no alto de onde se descortina os bairros do Cachambi, Maria das Graças, Jacaré, Engenho Novo e Meier. Os rapazes lá do alto, fizeram nome entre os lá de baixo pois, além de serem exímios jogadores (também no futebol de salão) jogavam com botões fabricados em casa e quando desciam a ladeira para torneios, ninguém mais tinha chance.
Assim, como eu servia de “sparring” e sempre participava de nossos torneios de rua, ou melhor, de avenida como chamavam uma vila de apartamentos e casas bem em frente onde eu morava, também herdei a fama entre os garotos da minha idade, no colégio e bairros vizinhos, como o Paulinho dos botões de coco.
Foi então que, um colega da turma do colégio, Humberto …guri muito legal, gordinho, franjinha loura, sério, estudioso e muito bem educado, me convidou para uma partida em sua casa no bairro Maria das Graças. Depois de me explicar as condições do jogo, as regras em que estava habituado, o campo e sobre seu time comprado em São Paulo; curioso, mas sem muito entusiasmo, aceitei pensando … adversário diferente, time diferente, campo diferente … o que tenho a perder?
Combinamos que seria na sexta seguinte após as aulas e, por volta das cinco da tarde, lá fomos nós, pegamos o ônibus para chegar mais rápido - ele pagou – enquanto isso conversávamos sobre os nossos times. Ele já tinha ouvido falar de meus botões e de meus gols nem sempre ortodoxos e também ouvira que eu não era um “técnico” temível, daqueles que nem deixam o adversário pegar na bola mas afinal, dizia ele, jogar com alguém lá da turma da rua de cima seria, com certeza, uma experiencia inédita e sua mãe (dele) ficaria orgulhosa, principalmente se ele ganhasse.
Chegamos, meio sem graça pedi licença ao entrar – houve um tempo em que as pessoas eram educadas – fui apresentado à senhora que imediatamente nos convidou à copa para saborearmos refresco de maracujá e bolinhos e biscoitos que ela preparara para, segundo ela, aquela ocasião especial.
Terminado o maravilhoso lanche, eu já nem me lembrava o que estava fazendo lá, quando ela pediu ao filho que fosse trocar de roupa, algo mais confortável, afinal, ele deveria estar bem preparado para enfrentar o Paulinho da turma lá de cima. Como ele reagiu dizendo não ser necessário, ela quase o obrigou com aquele olhar de mãe que ninguém contraria. Enquanto esperávamos a volta de nosso “gorduchinho” ela gentilmente me ofereceu mais refresco e meio sem jeito disse: “olha Paulinho, eu sei da fama de vocês que jogam botão quase todos os dias, disputam torneios e até são convidados para jogos em bairros afastados, sei que vocês têm muita experiencia e uma habilidade fora do comum comparando com os outros meninos … sei que você têm liberdade de andar de bairro em bairro porque você está sempre em compania de rapazes mais velhos que certamente protejem você e outros da sua idade, o Humberto não têm essa liberdade pois sou muito medrosa, meu filho único, faço tudo para que ele tenha tudo em casa e este jogo representa muito para ele, assim, se não for pedir muito, não jogue tudo o que você sabe, faça ele se sentir que também é um bom jogador” … técnico, eu corrigi.
O campo era no chão do amplo quarto, linhas pintadas sobre os tacos e balizas lindas que eu nunca tinha visto, “feitas sob encomenda”, ele esclareceu. A mãe ficou à porta dando forças: “fica calmo meu filho”.
Começamos o jogo e eu empurrava meu time sem o entusiasmo costumeiro, ele, afinal, jogava bem mas faltava a experiencia em algumas situações. Eu me mantinha na defesa, não arriscava muito e às vezes nem ajeitava o goleiro, no intimo desejava que ele fizesse um gol e a partida terminasse. O primeiro tempo já estava por terminar e ele com um tiro certeiro da intermediaria, com meu goleiro deixando meia baliza aberta, ele finalmente explodiu de alegria, nunca tinha visto seu rosto tão vermelho e os dentes à mostra sem que a boca se fechasse … me lembro que só tirava notas altas mas nunca vibrou na escola como naquele momento do gol assim como a mãe no beiral da porta era só sorrisos pro seu pupilo.
O intervalo, foi maior que o normal, já anoitecia e eu teria que caminhar até em casa, e pensava: quase não chutei a gol, se fizesse, teria marcado pelo menos uns dois, mas não quero jogar água fria no moleque, vou aquentar o segundo tempo, vou brincar de linha de passes e segurar o resultado assim todo mundo fica satisfeito e quem sabe até posso ser convidado para novo lance.
Iniciamos o jogo e não é que logo na saída ele encaçapa outro? A mãe valia como uma torcida organizada, meu amiguinho jogava solto e pra frente e eu só olhava para relógio. Já nos últimos minutos, por erro dele, peguei uma bola rente à linha de fundos, próximo à grande área. Angulo zero, ele ajeitou o “kepper” e os “becões” – naquela época jogava-se com beques de um centímetro de altura e podia-se movê-los nos tiros a gol – chutei meio mordido pelos dois a zero, “assim também não” … a bola bateu na trave, no goleiro, caiu em cima do beque que era abaulado no topo e, caprichosamente, rolou para dentro.
Ele ficou paralizado, a mãe um tanto assustada em vendo o que eu podia fazer, tratou de incentivar o “bolinha” informando restar pouquissimos minutos e assim …trrrriiiiiiiiimmm … eles se abraçaram, ele suava embora estivesse frio, os dentes à mostra e os olhos brilhando e eu …. aliviado.
Não fui convidado a voltar, perdi o jogo, fiz um gol para contar como estou contando agora, participei de uma experiencia interessante, fiz uma família feliz, adorei o lanche, meu amiguinho comemorou como se tivesse ganho um campeonato e eu apenas não me esforcei … será isso um pecado? Magoei os deuses do Futebol de Botões? … Acredito que não, afinal, os fins justificam os meios desde que seja para a felicidade geral.
Se ele ler esta coluna, que saiba que: Valeu! Meu amigo, valeu ver seu esforço por este esporte que não morrerá nunca …quanto a mim, estarei na eternidade te esperando para uma revanche.


A Nuvem Negra

Final dos anos 40, o recente pós guerra  ainda deixava no mundo uma nuvem negra pairando sobre os homens. No Brasil, mais precisamente no centro geométrico do Rio de Janeiro, bairro que se chamava São Francisco Xavier, erguia-se um monstro de concreto que receberia o apelido de Maracanã.  Bem próximo, situava-se o Hospital Maternidade Graffe Guinle, e sob o enorme barulho, poeira e movimento frenético daquela obra de engenharia espetacular para a época, nascia um garoto em cujo sangue ficaria a marca daqueles tempos, enquanto muitos ainda choravam a saudade de maridos e filhos perdidos na guerra, enquanto muitos choravam a mutilação impiedosa de seus membros, resultado da ignorância humana, o povo brasileiro, sempre otimista e cheio de esperanças, concentrava suas energias otimistas no campeonato mundial e na seleção de jogadores brilhantes e quem tinha Zizinho não podia deixar de crer na vitória, certamente seriamos campeões do mundo, com toda certeza, não poderia haver sombra de dúvida.

Mas, havia aquela nuvem negra pairando no ar, aquele garoto podia sentir, algo estava errado.  O majestoso estádio, pelado em cor, mostrava apenas os gigantescos anéis, degraus sem fim de concreto onde 205.000 gargantas roucas cantariam o hino nacional, gritariam uníssonas os gols e dançariam ao som do gigantesco coro, a música, “touradas em Madrid” no baile de 6x1 contra a Espanha. O grande dia em que o Brasil consagraria Ademir, Danilo, Bigode, Jair … entre outros mágicos da bola, chegou.

A grande festa chega ao máximo com o gol de Friaça. O Uruguai empata aos 21 do segundo tempo e cala apenas uns poucos pessimistas já que o empate garantiria a Copa. Entretanto, a nuvem negra baixa até o gramado e então, aos 34 minutos, um desconhecido perna de pau chamado Ghiggia, faz o segundo gol. Os onze minutos finais foram aterradores, aquele caldeirão com duzentas e cinco mil almas angustiadas parecia um túmulo de cemitério abandonado, no silêncio profundo podia-se ouvir a respiração ofegante dos angustiados jogadores brasileiros e então, naqueles momentos tenebrosos começa a maldição Uruguaia, a nuvem negra chegara para ficar.

O garoto cresceu sob esta maldição, seu time de botão era ruim, desigual, materiais diversos e arranhados. Em um dos botões, faltava um pedaço do tamanho da bola, parecia uma garra de caranguejo, mas o garoto gostava dele, apesar de nunca ter feito um gol sequer com ele, porisso, o mantinha atrás dos atacantes.  Nos torneios em que freqüentemente participava, os colegas o achincalhavam chamando aquele estranho botão de Ghiggia.

Passaram-se os anos, uma nova geração chega aos gramados, uma geração de habilidade e humildade e entre muitos que passariam para a história, Garrincha e Pelé foram os astros maiores.  Pelé, o eterno rei, será sempre lembrado por sua extraordinária habilidade e também por sua humildade. Não se pode impedir a evolução assim então, um dia ele será superado o que não acontecerá com Garrincha pois este atípico personagem foi e será sempre insubstituível.

Estes que escreveram a nova história do futebol também foram os responsáveis pela dissipação da “nuvem negra”, esquecemos o passado mas não devemos esquecer a dolorosa lição que o “já ganhamos” não ganha jogo.

O garoto, continuava com seus alquebrados botões, tinha habilidade mas aqueles discos disformes não ajudavam na mesa, mesmo assim, naqueles tempos de euforia da bi-conquista da taça Jules Rimet, em um campeonato importantíssimo, organizado entre colégios particulares, o garoto chegava às finais. Livre da Nuvem Negra, o garoto se preparava para o jogo final. Do outro lado da mesa, seu adversário, mais jovem, junto com seus amigos de times impecavelmente novos e brilhantes cantavam e gritavam com a absoluta certeza da taça é nossa.


Aquela nova geração de meninos de uniforme de colégio, não sabiam quem era Ghiggia, mas a fama daquele botão estranho o precedia.  O garoto cuja humildade fora moldada desde o nascimento, jogava sério e tranqüilo, muita das vezes perdia bons lances em razão do péssimo estado de seus botões.  O campeão de muitos torneios escolares jogava fácil, alegre certo da vitória iminente, sem conhecer a verdade do passado, ria e zombava gritando: “vai Ghiggia, vai perna de pau”…

O garoto não se abalava, o jogo chegava aos minutos finais quando um passe daqui e dali o botão quebrado chega próximo à grande área, não tinha nome, ele, o garoto, não ousaria batizá-lo, compará-lo a algum craque da seleção ou de qualquer time, isso nunca.  O botão estava pronto para o chute, entretanto, aquela garra de caranguejo ficara bem à frente da bola. O que fazer? Outro toque, perderia o angulo que já era ruim.  O menino de uniforme impecável gritou, “chuta Ghiggia” e, sem alternativa, o garoto, respira fundo, olha para seu adversário e notou que por cima de sua cabeça havia algo parecido com uma nuvem, estremeceu,  precionou a palheta (à época ficha) e o famigerado botão enganchou a bola e entrou com tudo. Mais uma vitória do impossível.

Esta maldição não terminou ainda, e continuará perseguindo todos aqueles que se julgam invencíveis, que embora possuam a incrível habilidade de Garrincha, ainda não aprenderam a humildade de Pelé.










RESUMÃO FINAL DA REGRA UNIFICADA

RESUMÃO  FINAL  DA  REGRA  UNIFICADA


Para proporcionar  um auxílio aos companheiros botonistas nas buscas de postagens anteriores, aos que quizerem disponibilizar e reunir em compêndio o RESUMÃO COMPLETO das matérias publicadas no  futmesabrasil.com, relacionamos abaixo os títulos e datas respectivas:
 
REGRA UNIFICADA NO FUTEBOL DE MESA -  Síntese básica postada em 23-junho-2011.
RESUMÃO E PONTOS MAIS IMPORTANTES DA REGRA UNIFICADA - Capítulo sobre OCORRÊNCIAS na Regra: GOL - IMPEDIMENTO - TIRO DE META - LATERAL - DEFESA DO GOLEIRO.  Postagem de 05 de novembro de 2011.
REGRA UNIFICADA - PARTE No. 1. Capítulo referente DEFINIÇÕES -EQUIPAMENTOS - DIMENSÕES DE MESAS - GOLEIRAS -  MEDIDAS DE BOTÕES E GOLEIROS - TIPOS DE BOLAS - TEMPO DE JOGO - PASSE - LANCE - ARREMESSO A GOL.  Postagem de 14 de novembro de 2011.
REGRA UNIFICADA - PARTE No. 2.  Capítulo sobre INFRAÇÕES  na Regra: FALTA - TOQUE - MÃO - PÊNALTI - ESCANTEIO - FALTA TÉCNICA.
Postagem de 14-novembro-2011.
 
Todos os interessados podem  disponibilizar a Regra integral, transcrição da edição impressa, nos blogs eletrônicos da Internet:
www.futemesaypiranga.blogspot.com  e  www.botonismo.com.br  ou contatando no e-mail:  enioseibert@hotmail.com , endereços todos de Porto Alegre - Rio Grande do Sul, cidade sede da Coordenação da  REGRA UNIFICADA - UMA PROPOSTA CONCRETA  DE UNIFICAÇÃO DAS REGRAS DO FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA NO BRASIL.
Também  disponibilizamos a Regra Unificada - versão em ingles - UNIFIED  RULE,  em pdf, via Internet, no endereço da Coordenação.
 
Matéria enviada ao Futmesabrasil.com  pelo colaborador  Enio Seibert, principal mentor e coordenador da Regra Unificada de Futebol de Mesa.
 

RESUMÃO E PONTOS MAIS IMPORTANTES DA REGRA UNIFICADA - Parte 3

 RESUMÃO E PONTOS MAIS IMPORTANTES DA REGRA UNIFICADA


Considera-se  ocorrência  na Regra Unificada:  Gol - Impedimento - Tiro de meta  -  Lateral  -  Defesa do goleiro.
DO  GOL:
Gol é o lance em que a bola, impulsionada por jogador, durante a partida, penetra totalmente para dentro da linha da goleira.
O gol sem aviso prévio somente será válido quando for marcado contra a própria goleira defendida pela equipe arremessadora, sendo condição necessária que a bola tenha partido do próprio campo da equipe defensora.
O gol marcado contra a própria goleira defendida por uma equipe não será validado quando ocorrer arremesso ao arco do adversário e a bola rebater na trave ou goleiro e for impulsionada no mesmo lance, penetrando na própria goleira defendida pelo arremessador.
Na sequência desta jogada, será cobrado, simplesmente, tiro de meta.
O gol marcado contra a própria goleira defendida por uma equipe também não será validado no caso da bola haver partido diretamente do campo adversário, ou rebater em jogador que estiver tocando a linha divisória do campo. Será considerado lance de falta técnica, cobrado da linha divisória do campo com a linha lateral.
 
Haverá nova saída de jogo sempre que ocorrer a marcação de gol e a obrigatoriedade de recolocação de todos os jogadores nas suas respectivas posições em campo.
 
DO IMPEDIMENTO:
Impedimento é o lance em que um ou mais jogadores de uma equipe ficarem postados, em campo adversário, tendo à frente apenas o goleiro adversário ( somente quando estiver com o corpo totalmente à frente do adversário ) e a bola ultrapassar totalmente a linha do último botão defensor, colocado no seu campo defensivo e com a bola permanecendo em jogo dentro do campo.
A cobrança do impedimento será feita através  de um único lance.
Será assinalado impedimento somente quando a bola partir do campo de defesa para o ataque e a bola alcançar ou parar no campo em que se  encontra o atacante faltoso, estando a bola em condições de jogo e o jogador estiver mais próximo da linha de fundo que qualquer de seus adversários, exceto o goleiro.
 
O jogador ou jogadores colhidos em impedimento serão removidos  manualmente para suas posições originárias e perderão o direito de efetuarem o primeiro lance a que tem direito o seu técnico, podendo no entanto, ser objeto de  infração ou ocorrência, no lance imediato à sua recolocação na posição.
O jogador  que retorna de posição de impedimento para sua posição, não pode participar do primeiro lance da sua equipe.
Não haverá impedimento quando a bola proveniente de cobrança de tiro de meta, arremesso lateral ou outro lance qualquer, tocar em jogador adversário ao faltoso, desde que  este ( jogador adversário ) esteja colocado em  seu referido campo de defesa ( com exceção do goleiro ).
 
 
Não haverá impedimento quando um ou mais jogadores da equipe  atacante, receber (em) o lançamento da bola diretamente de jogador adversário ou, ao menos, a bola tenha partido de jogada realizada pelo adversário, não  importando o campo ou o jogador no qual a bola bata por último, podendo ser  adversário ou da própria equipe.
  
DO TIRO DE META;
Tiro de meta é o lance imediato a uma saída de bola pela linha de  fundo, impulsionada ou rebatida por jogador atacante adversário, ou quando a  bola estiver  de posse do goleiro, ou ainda, quando penetrar na goleira, sem que  tenha validade o gol.
A cobrança do tiro de meta será realizada através de um arremesso, por um dos dois zagueiros de área, com a bola partindo de qualquer ponto de dentro da grande área.
Na cobrança de  tiro de meta não é permitido arredar jogadores, nem tentar obter lateral, escanteio ou gol;  caso ocorrer, reverterá, cobrando-se respectivamente, lateral simples ou tiro de meta, nos dois últimos casos.
 
Quando ocorrer arremesso ao arco do adversário e a bola rebater na trave ou no goleiro, for impulsionada no mesmo lance, penetrando na própria goleira defendida pelo arremessador ( caracterizando lance de gol contra ), será marcado, simplesmente, tiro de meta.
Se a bola, no entanto, no lance citado, não penetrar na goleira defendida pelo arremessador, saindo pela linha de fundo, será cobrado, também, tiro de meta, mesmo que a bola tenha procedência direta da trave do adversário.
 
DO LATERAL:
Lateral é o lance em que a bola ultrapassa a linha lateral demarcatória do campo de jogo.
Entende-se por lateral cedido a toda vez que a bola, impulsionada por um jogador, sair pela lateral diretamente, ou após tocar em jogador da  mesma equipe ao do executante do arremesso.  A cobrança do lateral cedido será feita  em dois lances, o primeiro chamado de passe e o segundo, lance, somente tendo  direito ao segundo lance se fizer o passe no primeiro e a bola não for  interceptada por jogador adversário.
Não será permitido tentar obter gol, escanteio ou novo lateral em  qualquer um dos dois lances, caso ocorra, será revertido para o adversário,  cobrando-se respectivamente,  tiro de meta nos dois primeiros casos, ou lateral simples.
 
Lateral cavado ou simples será toda bola que impulsionada por jogador de uma determinada equipe, rebater em botão adversário e sair para a linha lateral do campo.  O lateral cavado será  cobrado em um único lance, não sendo permitido tentar obter gol, escanteio ou novo lateral, caso ocorra, reverterá para o adversário, que cobrará respectivamente, tiro de meta nos dois primeiros casos, ou lateral simples.
A cobrança do lateral será feita com a bola rigorosamente sobre a linha demarcatória do campo, e no local exato onde saiu.
O jogador cobrador do lateral não poderá tocar na bola, consecutivamente, em duas oportunidades ( nem mesmo ser movimentado sem tocar na bola ), antes da mesma ser tocada por outro jogador, adversário ou não, com exceção do goleiro.
 
Quando ocorrer arremesso ao gol adversário ( com a bola batendo no goleiro ou na goleira e tocando ou não  em outro(s) jogador(es), o lance será considerado normal, sendo considerado lateral simples.
 
DA DEFESA DO GOLEIRO:
A bola que permanecer  dentro da pequena área ou apenas tocar sua linha, inclusive a linha de fundo, é considerada defendida pelo goleiro.
A bola defendida pelo goleiro será reposta em circulação por um dos dois zagueiros, em um arremesso idêntico ao tiro de meta, com a bola partindo de qualquer ponto de dentro da grande área.
Se a bola, na tentativa de atrasada para o goleiro, bater no referido arqueiro e retornar para fora da pequena área, não será considerado lance de passe porque o goleiro pode apenas interceptar passe e não funcionar como elemento tabelador.
 
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS:
O jogador estará fora de campo quando estiver totalmente fora do retângulo demarcatório do campo, ou seja, quando tiver ultrapassado totalmente a linha lateral ou a linha de fundo do campo.  Será manualmente colocado no local exato onde saiu, pelo lado externo do campo, junto à linha demarcatória, o jogador que tiver saído de campo.
O jogador que sair  fora de campo deverá permanecer fora por uma jogada ( a primeira da equipe deste jogador ), retornando automaticamente, ao campo de jogo, devidamente habilitado, no lance seguinte à primeira  participação do seu técnico.
O jogador que sair fora de campo poderá adentrar ao campo de jogo, no primeiro lance de sua equipe, somente para cobrança de lateral  e escanteio, além de cobrança de infração;  também os dois zagueiros de área para cobranças de tiros de meta.
 
O juiz não poderá permitir que nenhum jogador dispute partidas oficiais sem numeração em sua parte superior, ou até mesmo, com números repetidos do mesmo time.
Quando a bola ficar sobre o  quarto de círculo  de escanteio ocorrerá:
tiro de meta, se for impulsionada por atacante.
lateral simples, se impulsionada por defensor.
Quando um botão da equipe defensora penetrar ou tocar na marca de  quarto de círculo de escanteio e ocorrer lance de escanteio, posteriormente, sem que este botão tenha se deslocado daquela posição, o mesmo ( botão ) deverá ser afastado lateralmente a distância de 6 cm ( medida do comprimento do goleiro ).
 
Nenhum jogador pode ser removido com a mão, salvo para:
cobrar infração ou ocorrência.
dar saída de jogo.
retornar ao campo de jogo.
retirados da área para cobrança de pênaltis.
no caso do goleiro, ser colocado para a defesa.
Nenhum jogador pode ser recolocado com a mão em seu respectivo lugar, salvo nos casos de  gol  e  impedimento.
 
Matéria enviada pelo colaborador  Enio Seibert.  Principal mentor e coordenador da Regra Unificada de Futebol de Mesa.  Email:enioseibert@hotmail.com

RESUMÃO E PONTOS MAIS IMPORTANTES DA REGRA UNIFICADA - Parte no. 2

   RESUMÃO E PONTOS MAIS IMPORTANTES DA REGRA UNIFICADA -  Parte no. 2




São consideradas  infrações na Regra Unificada:  Falta - Toque - Mão - Pênalti - Escanteio - Falta técnica.
A infração será cobrada direta  ou indireta.  DIRETA - quando arremessada ao arco adversário em um único lance.  INDIRETA - quando arremessada em dois lances, sendo o primeiro chamado passe e o segundo chamado lance, podendo no segundo lance arremessar ao gol se a bola estacionar no campo de ataque e não tiver sido interceptada por adversário, podendo ainda, no segundo lance, após o passe, cavar lateral ou escanteio.
Na cobrança de infração indireta ( falta ou toque ) continua tendo validade, para efeito de arremesso ao gol, o passe proveniente do campo de defesa para jogador posicionado, totalmente, no campo de ataque.
Quando na cobrança de infração indireta  o passe for feito no campo de defesa, a equipe beneficiada terá direito ao segundo lance, porém, este não poderá ser de arremesso ao gol mesmo que a bola tenha parado no campo de ataque.
 
A infração cometida no campo do infrator será cobrada direta, exceto a falta técnica, que será cobrada em um lance simples, indireta, e o escanteio que poderá ser cobrado direto ou indireto.
A infração cometida no campo  do beneficiado  ou sobre a linha divisória, será cobrada indireta.
A infração cometida no campo do infrator será cobrada direta, ou seja, será cobrada em apenas um lance não podendo ser utilizado o dispositivo do passe e o consequente arremesso ao gol.
Na cobrança de infração indireta, se no primeiro lance a bola tocar em jogador adversário, o beneficiado perderá  o segundo lance a que teria direito.
 
DA FALTA:
Falta é o lance que o jogador bate no adversário, inclusive o goleiro, antes de bater na bola, ou quando um técnico jogar ou manobrar proposital ou inadvertidamente, com o jogador do adversário.
A falta, no campo do infrator, é cobrada direta;  no campo do beneficiado ou sobre a linha divisória do campo, indireta.
A falta sobre o goleiro será cobrada na marca da penalidade máxima de sua grande área.
 
DO TOQUE:
Toque é o lance em que a bola fica apoiada sobre o jogador ( no seu lado ), em cima, ou ainda, postada debaixo dele.
O toque no campo do infrator é cobrado direto;  no campo do beneficiado, indireto.
Será vetado obter lance de  " toque " da bola sobre ou sob o jogador adversário, nos lances de saída de jogo e no primeiro lance de cobrança  de lateral.
 
DA  MÃO:
Mão é o lance em que a bola bate, dentro ou sobre a linha da grande área do técnico infrator, na ficha ou na mão do técnico, ( aqui leva-se em conta a roupa ou qualquer objeto do técnico que venha a tocar na bola ).
A mão na área do campo do infrator será cobrada direta  ( do vértice superior da grande área ).
 
DO PÊNALTI:
Pênalti é toda  a infração, exceto escanteio, mão do técnico e falta técnica, cometida dentro da grande área defendida pelo infrator, ou sobre a linha demarcatória da mesma.
Cobra-se o pênalti através de um arremesso direto, colocando-se a bola na distância de 14 centímetros contados a partir da linha  da goleira na direção do centro da grande área.  O jogador cobrador do pênalti deve ser colocado fora da  grande área para a cobrança.
O goleiro, para defender o arremesso do pênalti poderá ser colocado em qualquer local sob o arco, ou seja, em uma posição tal que a sua frente fique em cima da linha de gol.
 
DO ESCANTEIO:
O escanteio poderá ser  cedido ou cavado ( simples ).  A cobrança é feita colocando-se a bola no quarto de círculo do ângulo do campo, do lado em que saiu.
Constitui escanteio cedido: toda a bola que saia pela linha de fundo do defensor, cujo último lance tenha pertencido a este defensor sem que toque a bola  em jogador do adversário, por último.
O escanteio cedido será cobrado em dois lances, sendo o primeiro para realizar o passe para jogador posicionado no campo de ataque ( ou sinples lançamento da bola para o interior da grande área do adversário, não podendo a  bola estacionar sobre a linha demarcatória ou ser interceptada por defensor ) e o segundo lance para arremesso ao arco, podendo também cavar novo escanteio ou lateral, neste lance.
O jogador que participa do primeiro lance não pode participar  do segundo ( nem mesmo ser movimentado ), antes da bola ser tocada por outro jogador.
No primeiro lance não é permitido cavar lateral nem escanteio;  caso ocorra, o lance reverterá para o adversário ( na reversão será cobrado lateral simples ou tiro de meta, respectivamente).
Se a bola, no primeiro lance, tocar em jogador adversário, o beneficiado perderá o direito ao segundo lance.
 
Também será válido o gol se a bola penetrar na goleira após o escanteio ter sido cobrado direto ( olímpico ) ou ainda, se a bola rebater em qualquer botão e penetrar no arco, devendo no entanto, o técnico da jogada comunicar que irá arremessar ao gol, dando ao adversário o direito de colocar o goleiro.
 
Constitui  escanteio cavado ( simples ):  o lance em que a bola arremessada  ou não a gol por jogador adversário, tocar por último em jogador do defensor e  sair pela linha de fundo desse defensor.  O escanteio cavado também é chamado de escanteio simples.
A cobrança do escanteio cavado é feita através de um lance direto, valendo gol se for arremessada direta ou rebatida em qualquer jogador postado  no campo do infrator, não sendo válido cavar lateral nem novo escanteio;  caso  ocorra, reverterá para o adversário, o qual cobrará lateral simples ou tiro de meta , respectivamente.
O jogador cobrador do escanteio não poderá tocar na bola, consecutivamente, em duas oportunidades ( nem mesmo ser movimentado sem tocar na bola ), antes da mesma ser tocada por outro jogador, adversário ou não, com exceção ao goleiro.
É condição necessária para haver escanteio, que a bola parta do campo do infrator, inclusive no escanteio cedido.
 
O jogador que estiver tocando a linha divisória  do campo será considerado neutro; portanto, se a bola proveniente do jogador da mesma equipe rebater nele  e sair pela linha de fundo, o escanteio não terá validade, sendo cobrada apenas  uma falta técnica ( da linha divisória do campo com a lateral ).  Também não terá validade o escanteio cavado sobre jogador posicionado  em cima da linha divisória do campo.  Será cobrado apenas tiro de meta.
 
DA FALTA TÉCNICA:
Constitui falta técnica:
deixar o goleiro parcial ou totalmente fora da pequena área, quando este  participar direta ou indiretamente do lance.
participarem simultaneamente dois ou mais jogadores ( ou seja, lançar um  jogador sobre o outro )  de uma equipe no mesmo lance com exceção quando  ocorrer arremesso ao gol adversário ( com a bola penetrando na goleira ou rebatendo na trave ou goleiro ) ou a bola sair pela linha de fundo.  
demorar mais de 10 segundos para efetuar um lance.
quando dois ou mais jogadores da mesma equipe fecharem a bola no meio deles ou contra a linha de fundo ou lateral, não permitindo passagem entre eles para  que nenhum jogador adversário ( de maior diâmetro, permitido pelo Regulamento ) possa tocar na bola.  O técnico  deverá abrir a jogada no primeiro lance a que tiver direito, após te-la fechado, de modo que  permita a passagem de um jogador  adversário.  Toma-se em conta, sempre, como gabarito referencial, o maior diâmetro de jogador  circular permitido pelo presente Regulamento ( 5 cm ), devendo proceder-se a medida deste espaço, na ausência de botões com este diâmetro máximo, com uma ficha circular de 5 cm de diâmetro que o juiz deverá trazer consigo.  Caso não haja, então, esta passagrm, ocorrerá a falta técnica.
Exceção: na cobrança de lance de bola parada, todo o fechamento da bola entre tres ou mais jogadores da mesma equipe será considerado uma falta  técnica, no momento do lance, desde que nenhum jogador adversário possa entrar na jogada fechada.  A infração será cobrada no local e os botões infratores devem ser afastados lateralmente.
quando o jogador cobrador do lance de lateral ou escanteio, ou qualquer outro  lance de bola parada, tocar na bola, consecutivamente, em duas oportunidades ( ou simplesmente ser movimentado sem tocar na bola ), antes da mesma ser  tocada por outro jogador, adversário ou não, com exceção do goleiro.
o escanteio cedido do campo do adversário, ou o caso de gol marcado contra a própria goleira defendida por uma equipe, porém, com a bola tendo partido diretamente do campo adversário, serão considerados lances de  falta técnica, cobrados da linha divisória do campo com a linha lateral.
a mão do técnico será considerada falta técnica em qualquer local do campo de jogo, exceto quando cometida dentro ou sobre a linha da grande  área do campo do infrator, quando será  marcada infração ( do tipo falta direta ) a ser cobrada do vértice superior da grande área.
 
A falta técnica será cobrada através de  arremesso simples ( um só lance ), indireta, sem ser válido o gol, exceto o lance de gol marcado contra a própria goleira do cobrador.
A falta  técnica será cobrada no local onde o lance estiver sendo realizado.
 
Matéria enviada pelo colaborador Enio Seibert.  Mentor principal e coordenador da Regra Unificada de Futebol de Mesa.  Email:enioseibert@hotmail.com