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domingo, 18 de dezembro de 2011

CRÔNICAS DE PAULO BOSCO

Planeta Brasil

Uma década, parece pouco, mas adicionando a cada dia as dificuldades do idioma, a adaptação à uma nova cultura, às leis, regras e hábitos diferentes … somando-se ainda a necessidade de descer ao primeiro degrau da escada deixando para traz diplomas,  experiencias e começar de novo, degrau por degrau uma nova vida, estudando, aprendendo e concorrendo com os nativos da terra que não é sua …, dez anos são uma vida e quando se consegue superar todos os desafios diários e o equilíbrio se faz presente, acordamos para a realidade e descobrimos que somos solitários de amigos e carentes das coisas da pátria amada Brasil.

Daí, começam a fervilhar as idéias verdes e amarelas, vez que, muitos ainda não podem voltar à casa matter, tentam trazer para perto aquilo que ficou para traz.  E a pergunta será sempre: “O que fazer para reunir os da mesma espécie, mesmo biotipo, mesmos hábitos, mesmas manias e mesma língua?”  O grupo feminino, sempre arranja um motivo para festinhas mas estas reuniões pela própria natureza, reunem grupos afins e não são rotineiros.

Seria preciso algo que reunisse todos os meninos de 12 a 60, “whoops!” Quase esquecia de mim mesmo … e mais, algo que tirasse os meninos das cozinhas, que fizesse com que mudassem de conversa, algo em comum que não fosse o papo tenso sobre a dura luta do trabalho diário na terra do tio (deles) Sam.

Assim então, como não poderia deixar de ser, em uma das festinhas organizadas pelas meninas, no verão de 2005, o dono da casa surgiu com uma mesinha para Jogo de Botões, no velho estilo da marca Estrela.  Para a maioria presente foi algo retirado do passado e como algo tão grande e brasileiro, passando pela imigração, conseguiu chegar até aqui nesta minúscula Southampton há cem milhas de New York City? Além daquele dinosauro sem utilidade ele possuía dois jogos de botões e balizas de plástico??? “Para que serve isso?” Perguntaram alguns que já possuem sotaque de gringo.

Então ele, de 35 anos, dono dos brinquedos convidou um colega de trabalho (eu) para a brincadeira e todos os outros meninos se chegaram, curiosos, para perto, todos com algum comentário, “eu já jogava isto quando criança” e “eu jogava mas já fazem 20, 30 anos que não via um botão”, e os “brazilicanos“ estupefados também queriam experimentar, principalmente quando em nós a experiencia anterior começava a se transmformar em goals aparentemente impossíveis.

E foi assim, então, que de repente não se fala mais naquilo, a conversa mudou de rumo, agora o assunto é outro, telefonemas diarios no celular, troca de e-mails e total concentração na tabela, no resultado dos jogos, na qualidade dos botões, na construção de mesas, importação de balizas, bolinhas, palhetas e naturalmente, o time do coração.  A segunda-feira agora é a primeira, todos se reúnem de 7 às 10 naquele salão alugado na academia, o papo é leve e descontraído, o abraço na chegada, o aperto de mão na vitória ou na derrota, o abraço na despedida, o papo sério dos amigos de muitos anos agora é papo sério dos “meninos” amigos.

Discutem-se as regras, a melhor bolinha, melhor tipo de botões, o presente e o futuro para uma possivel Associação legalizada, as conversas giram em torno dos goals, da evolução dos “técnicos” das vitórias e derrotas, a gozação sadia e os sorrisos se fazem presente nos então sérios “chefes de família”.

Chutamos a tenebrosa solidão para escanteio, agora temos todos o mesmo brinquedo, o mesmo assunto um motivo a mais para nos vermos, nos abraçar, vestir as velhas camisas retiradas do fundo das gavetas com as cores favoritas, Fluminense, Flamengo, Santa Cruz, Palmeiras, America Mineiro e tantos outros que chegam a cada semana.

Agora as “meninas” além de ter mais um motivo para organizar festas – a decisão de um torneio ou campeonato – têm as cozinhas só para si, pois os “meninos” irão para as garagens no inverno e para os pátios no verão.

Este é só o início desta febre que vai se espalhar pelos Estados Unidos e vai, com certeza, reunir todas as raças que adoram o velho esporte Bretão, mesmo que seja em cima de uma mesa.



CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO NOS ESTADOS UNIDOS.  BOTONISTA SAUDOSO DA PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER. 
TEXTOS REPRODUZIDOS PARA O SITE INTERNACIONAL  “FUTMESABRASIL.COM “ POR  ENIO SEIBERT  -  E-mail: enioseibert@hotmail.com

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