O OLHEIRO DE CRAQUES QUANDO CHEGA EM CASA SE TRANSFORMA EM TREINADOR E DIRETOR
Concretizada uma compra o “ olheiro de craques “ vai para sua casa a toda pressa ,para testar, rapidamente, seus novos botões na mesa de jogo, dando com eles várias acionadas com a ficha, sem bola e outras tantas atiradas com bola ou “ pelotadas “.
A prova de um novo botão se faz dessa maneira. Primeiro se coloca sobre a mesa de jogo, coloca-se sob a palheta manipulada com a mão destra ( que pode ser , neste caso, a direita ou a esquerda, segundo a s habilidades de cada um ), e se lança na direção da palma da outra mão, que previamente está posicionada à pouca distância, como parapeito de proteção, para evitar que o botão, ao qual se dará para esta primeira prova, um impulso bastante forte, se desloque demasiado longe.
Trata-se de comprovar que haja este deslizamento até o impacto, sem saltar, sem despregar-se da mesa em nenhum momento.
Após essa primeira comprovação, se passa à segunda, para a qual se elimina já a barreira de segurança e se fazem, com as devidas diferenças de impulsão, deslizamentos do botão, uns mais curtos e outros mais longos.
Por fim, se fazem os testes de toques de bola. Dentre os quais, a cada vez, se diferenciam entre toques para passe e toques para chutes ou arremessos à goleira.
Com o que se completa a avaliação do botão contratado, e se pode decidir já se procede: incorporá-lo a alguma equipe já constituída, criar, a partir de sua incorporação, uma nova equipe, ou, - caso não tenha convencido ao treinador ou ao diretor – transferi-lo, quanto mais longe melhor, ou guardá-lo em uma caixa, no fundo do armário, para ao menos, não vê-lo, e não recordar, assim, o fracasso de sua aquisição.
Todas essa provas ou testes as realiza o olheiro de craques que, ao chegar em casa, se transforma em treinador, e as decisões sobre o futuro do botão, são adotadas também, pelo olheiro, porém neste caso, transformado em diretor.
Assim sucede que os pobres botões transferidos, ou condenados ao ostracismo no fundo de um armário, recebem a triste notícia de seu destino, da mesma boca que pouco antes, haviam escutado as ilusórias palavras: “ compro êle “, e não chegam a entender nunca, relativamente bem, a razão, se é que tenha havido alguma, de que repentinamente, se tenham chegado eles, a esta conclusão desafortunada.
É verdade que não ser transferido, ou ser confinado ao fundo do armário, não são destinos definitivos.
Não seria a primeira vez que, transcorrido algum tempo, e passado e esquecida a desaprovação experimentada nos primeiros testes, o olheiro, o treinador e o diretor, qualquer deles ou os três juntos, podem decidir experimentar e testar novamente o botão e lhe darem a aprovação final, desta feita. Dado ao rigor já descrito, com que os primeiros testes foram realizados, não é costumeiro que esta possibilidade ocorra, porém, basta que aconteça uma vez entre mil, para que os botões que padeçam destinos tão cruéis, se apeguem, ao menos, a esse fio de esperança, de maneira idêntica àquela em que um botão de abrigo ou de jaqueta, se prende ao último fio que o une à roupa no corpo de uma pessoa, quando todos os demais já tenham se desprendidos.
CRÔNICAS DE MARCELO SUAREZ GARCIA, COLUNISTA ESPANHOL DE FUTBOL COM BOTONES.
TRADUÇÃO DE ENIO SEIBERT - E-mail: enioseibert@hotmail.com
PUBLICAÇÕES AUTORIZADAS PARA OS SITES FUTMESABRASIL.COM e FUTEMESAYPIRANGA.BLOGSPOT.COM

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