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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O ESPORTE FUTEBOL DE BOTÃO É CAMPEÃO


O ESPORTE  FUTEBOL DE BOTÃO É CAMPEÃO

É bem possível que aqueles que deram suas palhetadas neste torneio, desenvolvido aos trancos e barrancos, não tenham levado em conta que tiveram a oportunidade única de participar do primeiro encontro de botonistas, embora ainda não oficial, nos Estados Unidos, ou pelo menos, no estado de Nova York

Como tudo na vida, o importante são as lições que ficaram e felizes daqueles que levaram a sério e aprenderam, e treinaram e concluíram que são capazes e que poderão levar este fascinante esporte adiante.

É certo que ainda haverão obstáculos pela frente, principalmente o financeiro, entretanto, se houver boa vontade do grupo, será possível criar um fundo e assim garantir a reserva da excelente área da Prefeitura em Hampton Bays e em conseqüência, a criação da liga do table soccer, já aprovada pela administração do parque.  Esta pequena despesa, poderá, facilmente ser retornada aos fundadores uma vez que iniciada a temporada, aos novos integrantes, será cobrada a taxa de inscrição.

Mas afinal, como foi a final? Quem venceu, quem perdeu, quem classificou? … Antes, é preciso ver quais foram as lições e, em cada um o mérito do aprendizado.  O resultado final pode parecer ilógico, mas o futebol nunca teve lógica, é imprevisível e como diria o tricolor Nélson Rodrigues, o sobrenatural de Almeida interferiu no resultado.

A tabela, certa ou errada, foi adaptada para ajudar aqueles com poucos pontos, zerando tudo para os quatro primeiros classificados terem iguais chances para chegar à final.  Dirão os matemáticos que chegaram, naturalmente à final os dois com o maior número de pontos ganhos.  Sim! Mas porque eles tiveram mais pontos? Porque são os melhores? Não! Foi porque desde o início eles se esforçaram para ter o seu próprio time, seu goleiro, sua palheta … trocaram um jantar em um restaurante barato pelos botões que são praticamente eternos, levantaram o bumbum da cadeira, em frente da televisão e deram um polimento no seu time e dedicaram alguns instantes pensando sobre a melhor forma de distribuir os botões em campo, criaram uma tática própria e disciplinaram suas terças-feiras à noite para um lazer saudável, criativo e inspirador e assim, chegaram ao jogo final e receberam a incomparável recompensa de sentir a indescritível emoção do imprevisível, um momento solene, um momento mágico em que os botões criam vida e você no comando total de seus movimentos, através da palheta dá as ordens ao time em campo.  A concentração é total, o coração tende a disparar, difícil controlar a tremedeira, o frio na espinha.

… No controle e domínio da mão a responsabilidade e seriedade de um cirurgião, quando o adversário ordena: “ajeita” a respiração para  e volta aliviada com a bola raspando a trave.  À sua frente você vê seu amigo, nestes minutos um terrível adversário, implacável, não perdoa, ajeita o goleiro com  precisão milimétrica, direciona a palheta como se fosse um bisturi, pressiona e lá vai bomba … e a bola, caprichosamente, bate na quina do goleiro, na trave e não entra…

O Fluminense do Luiz chegou à final invicto com seis pontos positivos à frente do segundo colocado o Botafogo do Paulo, era o franco favorito, o preferido nas apostas e entre os assistentes, o natural campeão.  Luiz tentava disfarçar o nervosismo, mas estava confiante, afinal em vários jogos virou o placar vencendo com facilidade.  Levou o primeiro gol, empatou em seguida, levou o segundo, empatou novamente e eu que ora lhes escrevo, apenas torcia para o empate.  Ao final do segundo tempo de quinze minutos, disputar os pênaltis e chegar ao merecido titulo de vice-campeão.

O cronometro disparou o alarme, final de jogo, 2x2.  Alivio para mim, o Aldo comenta: só agora ele deu um sorriso.  O Luiz continuava tranqüilo, comentando o resultado, a torcida ainda do seu lado, a discussão passou a ser como decidir, resolveu-se que, antes dos pênaltis, mais dois tempos, com sete minutos cada.  Eu não tive voz porque já não conseguia falar, a garganta seca, o peso dos meus sessenta anos incomodava as costas e doía nas pernas, mas a adrenalina ajuda nestes casos.  Já conformado, sacrifiquei o que tenho de melhor, o domínio nas trocas de passe para chegar próximo à área, adotei a tática do Luiz, “passou da linha central, chuta” ele mesmo aconselhava antes do jogo, enquanto assitiamos a disputa do terceiro e quarto lugares entre o Aldo (Santa Cruz) e o Gangi G (Cagliari) e ainda o amistoso entre o Henry (Costa Rica) e o Delvio (Palmeiras) … ele dizia: “a chance aumenta” e eu replicava: “chegar próximo da área é mais bonito” e assim fomos para prorrogação.

Mas, enquanto aguardava a decisão do grupo, pensava em como comecei no botonismo e olhei para os companheiros, alguns tiveram alguma experiencia anterior e agora, depois de muitos anos, a exemplo do Aldo – o Santa Cruz de Recife – e o Delvio – o Palmeiras de São Paulo - com alguma dificuldade, é verdade, mas avançam instintivamente e sem perceber já fazem jogadas bonitas que certamente estavam bem guardadas no fundo do arquivo desta paixão. 

Observo também outros dois que nunca tiveram contato com o nosso bem brasileiro, “Jogo de Botões”, começar sem jeito e em poucos jogos, sem se incomodar com derrotas, já conseguem empates e até vitórias, o Henry da Costa Rica e o Italiano Gangi, dá gosto de ver o esforço em aprender, de tentar o gol e de repente, como recompensa a bolinha se esconde no fundo da rede em gol de veteranos, explodindo o sotaque em gritos, pulos,  uma alegria gostosa de ver em rostos normalmente tão sérios em razão da dura faina diária.

Em um silêncio fora do habitual, damos inicio à prorrogação, e, já que minha mão já dava sinais de tremor, passei a chutar em todas as chances, o Luiz, animado, chegava fácil em frente ao gol e ai então, o inesperado, fiz um gol, daqueles impossíveis, neste momento o sobrenatural entrou em ação, o Luiz começa a perder gols que nunca perderia, a confiança é substituída pelo nervosismo, eu que estava surdo, ouvi lá ao longe o italiano Gangi G elogiar: “golazzo”, eu só queria o empate e aí, não sei como, de repente, vi novamente a bola lá no gol do Luiz.

O meu amigo não podia acreditar no que via, eu, muito menos, pensei em usar minha habilidade em tocar a bola e aguardar o empate, pois eu tinha certeza que aconteceria logo, logo então alguém disse: “Luiz, você tem cinco minutos para fazer dois gols … acredito que foi a gota para os nervos dele, eu tinha certeza que ele conseguiria, era só torcer para que ele não conseguisse o terceiro.

De repente, eu que estava meio anestesiado, ouvi como nos sonhos, lá ao longe, o alarme … fim de jogo … Acabou? Perguntei … Ouvi o Luiz se lamentar com a esposa, “perdi o torneio”.  Eu não contei à esposa, nem explodi ainda minha alegria, mas pode acontecer a qualquer momento quando eu me der conta de que o jogo realmente acabou.

Mas afinal, quem foi o verdadeiro campeão?… Eu afirmo que ninguém perdeu e ninguém conseguiu ganhar dele, pois foi ele, o melhor de todos, o impecável, o incomparável, o incrível criador de emoções, a sublime arte do Futebol de Botões … o ESPORTE, foi, mais uma vez, o verdadeiro CAMPEÃO.

Parabéns a todos

CRÔNICAS DE PAULO BOSCO, ESCRITOR BRASILEIRO RADICADO NOS ESTADOS UNIDOS.  BOTONISTA SAUDOSO DA PÁTRIA E CRONISTA DE FUTEBOL DE BOTÃO DE MESA, NAS HORAS DE LAZER. 
TEXTOS REPRODUZIDOS PARA O SITE INTERNACIONAL  “FUTMESABRASIL.COM “ POR  ENIO SEIBERT  -  E-mail: enioseibert@hotmail.com

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