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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Enciclopédia do Enio Seibert

   Nosso amigo Enio Seibert nos traz uma série de crônicas de suas coleções infindáveis , estas de um botonista nobre de nosso estado , o  Sr. Miguel Orci - Bancário aposentado,  Advogado Criminalista,  Poeta do Futebol de Mesa  e  Decano dos botonistas gauchos em atividade em Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil.

            FUTEBOL DE BOTÕES  -  UMA RAZÃO  A MAIS PARA  VIVER

        O Futebol de Botões de Mesa tem a propriedade e a magia de transportar para cima de um tablado ( a mesa ), com dimensões que se equivalem a  1,20 metros de largura, por 1,60 metros de comprimento, sobre a qual deslizam vinte botões que representam e simbolizam dois times de  futebol, acrescidos cada qual de um goleiro, este representado por um pequeno bloco retangular  de acrílico, com dimensões próprias, sobre cujo espaço costuma ser fixado o símbolo da equipe de cada participante e suas cores !  Sendo que cada partida tem a duração de  30 minutos, cronometrado com dois tempos de 15  minutos.

O vai e vem dos botões, na disputa da bola, ( que se assemelha a um pequeno botão de  camisa ), o colorido dos botões, todos individualizados, na procura da conquista do gol, na ânsia  da vitória, na busca do galardão maior do título de campeão:  acelera o coração, empolga, absorve o tempo, e faz com que transportemos para o quadrilátero, um esforço concentrado para o qual direcionamos e  aprimoramos nossa habilidade e devotamento, a cada nova partida !

À semelhança  do moderno xadrez, o futebol de mesa tem suas táticas, sua técnica e suas  atualizações...  eis que cada jogador ( botão ) possui cerca de  4,4 cm  de diâmetro;  5  mm  de espessura, e uma  " caída " ou  grau que varia de " zero grau  a 20 graus, passando assim por todas as escalas intermediárias, resultando por isso, ante  a força ou o impacto do botão na bola, esta toma  direção e altura próprias !

Claro está que cada  gol que obtemos ou conseguimos, eu em especial, com minha experiência e vivência de 54 anos praticando, jogando, vencendo jogos difíceis, memoráveis,  perdendo jogos fáceis, fazendo amigos, recebendo o respeito dos oponentes, a admiração e o  carinho dos mais novos, é com  uma satisfação muito pessoal que vejo os  " gurís " de minha  geração, com seus cabelos grisalhos praticando o futebol de mesa, com dedicação e  esmero...  cultuando uma tradição que rompe a barreira do  tempo e chega até  nossos dias, cultuada  e aprimorada por  nós, os  " remanescentes "  !
Meu time é o  BANGU do Rio de Janeiro.   Suas camisas  vermelhas e brancas em listras verticais , com seu  distintivo fixado no lado esquerdo do peito, próximo ao coração, é um vínculo que se perpetua  há  54  anos, desde 20 de janeiro de 1950.

O JOGO DE  BOTÕES  PARA MIM  É  UMA RAZÃO  A  MAIS  PARA  VIVER !



  RECORDAR  É  VIVER
                    
                     Meus botões ?   São relíquias preservadas...Todos são valiosos, bem guardados... Momentos de lazer já vivenciados...  Mais de dez mil jogos disputados... Ao redor de uma mesa... caminhados... Nestes cinquenta anos bem vividos !
                      Minha memória... já regride lenta,  tal qual um filme retornando a fita... E um gol inesquecível se apresenta, eis que faz parte de uma linda história ! 
                      Meu BANGU,  paixão da adolescência !  Suas listras alvi-rubras... verticais...  Uma vitória !  Mais outra...  é bom demais !
                      E a " fita " retornando...  num glosário...  E a bola branca, nas redes se aninhando !  Uma mais outra, no gol adversário !  Mais  vitórias  que derrotas...!  Contingências...
                      Prá  quem cultiva este amor da adolescência !
                      Anos cinqüenta, o início em minha cidade,  Jardim florido à beira-rio plantado !  Mesa no pátio !  Casa no arrabalde...
                      Dez botões...!   Comecei o aprendizado !  " Chicho " !  " Galocha " !  Paulo Fitipaldi...  Maia,  Jurandir,  Wilson... "cumpadre "...  Oito gurís...  verdor da mocidade...  Tarde após tarde !    " Às  devas " ...  por vontade,
                      Com dez " galalites "  de verdade !   Recordar é viver...  mas que saudade !
                      Todos  meus botões tem meu  apreço!  Mas todos meus botões...  nenhum tem preço !
                      À cada  qual bem sei,  estão ligadas,  recordações atuais...  tempos  " antigos ".  Pois ungidas a mim, e ...aos meus amigos !
                      Ficha redonda..colorida e plana... Quase quinhentos em sua quantidade,
                      Só  jogamos com dez !  Que insanidade...!
                      E que saudade de nossa Uruguaiana !
                      O  " vai-vem " colorido dos botões,  Deixa em cada jogo uma sequela... de  " queixas, paixões, risos, gozações..
                      Que me permitem dizer que a vida é bela !
                   
                       Jovens que me ouvis:  - digo a vocês:
                       -Que o " botão que jogamos "  é um xadrez.
Pois partidas iguais iguais, não vi jamais ! Impulsos !  Coração !  Fé e destreza ! 
                       Dez botões " escrevem" numa mesa, se ali tens no " placard "  a tua vitória,  páginas da tua vida...  da tua história !
                       A vida é um palco, nós os seus  atores !
                       Meus botões por seus  " lances " são autores,  de conquistas !  Ficaram  " cicatrizes "...
                       Vitórias  mil !   Momentos tão felizes,  nos quais me abrigo em meio  aos seus matizes, para esquecer jornadas infelizes... !
                      -Zizinho, Algodão e Gasparzinho, Cabralzinho, Pitanga e Aladim,  Mateus, Cardeal, Fafá e Valentim,
                       Só  de lembrá-los passo a rir sozinho !
                        Zoroastro, Alpadrino, Bataclã, Douglas, Braguinha e Ivorã.
                        Jorge Black,  Cirylo e Canhotinho.
                        Craques de ontem, craques de amanhã !
                        Orlando,  " Pé de Gesso "  e Angorá,  botões iguais por certo não  os  há.
                        Neste nosso  Universo do Botão !
                        Mencionar seus nomes, como eu faço, deixa de ser dever, é obrigação !
                       -Bonzo e Turcão: " estrelas luzidias ", de uma constelação bem conhecida.
                        Falo de conquistas em meus versos !  Em  tantos momentos e lugares,  minhas taças e troféus quando os olhares,  falarão de vitórias e sucessos !        
                        Hoje me encontro na casa dos  " sessenta ", e este orgulho já em meu peito ostenta,
                        Minha caixa de botões quase arrebenta...
                        Mil lembranças ? !  São frutos...  da colheita !
                        Amigos ?  Companheiros ?  ... mais de mil ...  os encontro no sul do meu Brasil...!
                       -Semeia semeador por onde andares,  sementes de bem querer, sem te importares, com quem disputarás uma partida...
                        Pois é assim que inicia uma amizade... que te acompanhará por toda a vida !
                       
                        Os  " Meus Botões " estão em  um sacrário , de alvi-rubro cetim...  Um  Relicário...  Num lugar especial dentro de mim...
                        E  se algum dia, tu me visitares,   verás:  - taças, troféus, em seus altares,
                         Retratos dos lugares de onde vim... !
Botões polidos... grandes, coloridos, num vai  e  vem, na mesa deslizando,  e a expectativa de jogar... ganhando;
                         O tic-tac do relógio, avança... e vai teu coração acelerando !
                         Se ao chutares as redes já balanças !
                         Mágico instante do  Gol !  Então vibrando,  dás um soco no ar !  Um grito lanças...
                         Num gesto muito próprio das crianças, pegas  o teu goleador com a tua mão,  e lhe dás um beijo improvisado, num gesto de carinho e gratidão !
                         Isto é ser feliz !  Estou errado ?
                         Tudo é alegria... risos... emoção !
                          O Futebol de Mesa é uma magia, que envolveu minha vida, dia  a  dia !
                          E tu que  lestes estes meus  dispersos , despretenciosos e  alquebrados  versos, te digo em segredo nesta  " oitiva " ...
                          O  BOTÃO  PARA MIM É UMA PAIXÃO !
                           REAL !   INTENSA !   ETERNA ENQUANTO EU VIVA !

                           Faço destes meus versos:  Oração ! Agradeço ao  Meu  Deus cada conquista !
                          Com muita fé !  Energia !  Muito empenho !
                          Agradecendo a Deus pelo que tenho ! 
                          Posso dizer que  " Sou um Botonista " !
                          Poeta não sou!  Mas simples missivista,  que te transmite em forma de poesias,  momentos lindos !  Resumos dos meus dias,
                          Jogo  botões... quem sou ?  Um enxadrista ?
                          Mas este estojo de botões " antigos " ...
                          Cordão umbilical com os meus amigos,  que  há muitos  anos, já não vejo mais !
                          Desperta a rima desta minha poesia,  desta saudade mista de emoção... !
                          TALVEZ EM BREVES DIAS... POR QUE NÃO  ?
                          JÁ  QUE  A PAIXÃO  DESTES  BOTÕES NOS UNE
                          NOS   ENCONTRAREMOS  NO  " MUNDO  DO  BOTÃO".
                      

  TRADIÇÃO  E  HOBBY
Acham-se presentes em mim, em um lugar muito especial dentro do meu coração,  onde  guardo e conservo minhas relíquias representadas pelas lembranças e recordações extremamente agradáveis de dias e momentos de minha vida;  lá onde se  encontram por certo as paisagens de minha  Uruguaiana;  as  fisionomias e expressões e palavras de meus pais;  seus  conselhos, carinhos e afagos;  também dos amigos;  colegas de  infância;  companheiros de adolescência;  meus Mestres;  os  momentos que antecederam minha decisão em sair mundo afora à procura da conquista de meu diploma de Advogado, embora  tivesse de pagar um preço muito alto em troca da realização de meu sonho: romper os vínculos do convívio com a família e assim fazendo, deixar para trás o  " meu mundo " !

Todavia, trouxe comigo em minha reduzida  mala, em minha bagagem:  meus livros preferidos; minha fé; a carta de nomeação por ter sido aprovado em primeiro lugar  no concurso para o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, à época, - ( 1958 ) - podendo por isso escolher a Agência que eu quisesse dentro do  meu amado Rio Grande,  e uma caixinha de  charutos, cheirando a talco, contendo  39  botões, envoltos em uma flanela, já defendendo as  cores alvi-rubras do BANGU !  ( 12 de Maio  de 1958 ).

Pratico o jogo de botões há 52 anos !   ( Desde 28 de fevereiro de 1950 ) !   Claro que  ocorreram alterações nas regras, atualizações, adequações,  " modismos " ... mas a  sensação inigualável e o sabor doce do gol,  - ( quando a bola balança as redes dos adversários ), -  (  e o sabor muito amargo  quando balançam as redes que defendo ), permanecem os mesmos...

As buscas incessantes do gol durante aqueles  breves 30 minutos; as armações das jogadas que o  cérebro cria e a mão obedece...  ah !  estas ainda se mantém !
Mudaram os botões... seus tamanhos, suas  cores, sua altura...  vieram outros nomes;  eu mudei  ! ?Entramos em outra época...  mas o que hoje denomino de " hobby ", disfarça em mim esta paixão, sentimento enraizado em mim, que faz de cada partida uma nova  emoção,  pois não existem partidas iguais...  todas tem suas nuances;  suas peculiaridades... seus lances...  suas individualidades !
Por isso, a vida me outorgou muitos troféus,  taças, medalhas, títulos, cartões de prata;  rótulos e  " referenduns " ... flâmulas e fotos, umas posadas, outras não !

Mas de todos os troféus, um em especial é o  meu preferido !  Êles em sua quase totalidade atestam e relembram vitórias !  Outros são creditados à generosidade e à bondade  de amigos muito pessoais  e especiais !   Condecorações, etc ...

Já  o  melhor  troféu  é  uma dádiva  de  Deus !   Ah !  O Futebol de Mesa, com sua
regra atual que nos obriga a pensar, compara-se ao xadrez;  nos  condiciona colocarmos  " em campo " o que temos de  melhor em  matéria de botões...  foi assim que surgiram os inesquecíveis e  históricos  botões, que lembram os craques do passado...
Meus botões são partes integrantes de minha  vida !  Com êles, e por  êles, criaram-se e se sedimentaram laços de amizades eternas !
Nasceram grandes amigos, fraternos companheiros do meu dia  a  dia !  Pinço em minha lembrança tres deles, nomes que busquei no  Arquivo do meu " Bem-Querer " !   Neles encontram-se sintetizadas  a  quase  totalidade das qualidades dos demais, - ( sem demérito algum desta enorme e incontável legião de amigos ) :  JÚLIO COSTA,  PAULO MESQUITA  e  LUÍS PEDDE.

Pessoas assim,   são únicas na fauna do Universo de meus  Amigos;  bem como o PAULO BORGES,  o FAUSTO BORGES, o OSCAR VARGAS, o VANDERLEI ALMEIDA, verdadeiras e insubstituíveis colunas, vigas mestras erguidas nos pilares do tempo, que  deram e dão sustentação à história do  " botão ",  com  suas vivências, suas histórias e suas participaões verdadeiras em inesquecíveis partidas de " futebol de botão ";  promoções e  iniciativas, assim como todos os demais ...  incontáveis,  com suas peculiaridades e individualidades...
 E  o  meu folclórico  e  eterno  enquanto  eu  viva:  BANGU  -  R J ,   os mulatinhos rosados de  " Moça Bonita ".



RAZÃO  E  SENSIBILIDADE  - 
O  botonista,  todo êle,  possui  e  se  mantém  em torno do equilíbrio da dualidade :  Razão  e  Sensibilidade !
A  Razão:  é ditada pelo dimensionamento do  conhecimento da regra como um todo;  regra esta a que me  refiro, do jogo de botões e sua prática usual,  e que  limita, define, ultima, orienta  e  preceitua sobre conceitos e procedimentos basilares a serem obedecidos, naqueles trinta minutos que por vezes e quase sempre, escrevem  e  influenciam na história  de nossas próprias vidas ! 
Uma partida de botões, tem em seu colorido vai-vem, suave e inconteste magia que me acelera o coração, e que por vezes me adoça os lábios ou amarga o meu dia !

Tudo isto na dependência direta do resultado de um jogo !  Na dependência do desempenho de um botão em um  lance isolado... um gol fantástico ( ! ) - que faz  surgir o  " berro ", uma manifestação saudável  do  " ego " ...  ou uma falha primária...  seguida por vezes de  um palavrão que ajuda a  minimizar por vezes o sentimento que a derrota traz !

A  Sensibilidade :  dita, valora, influi e  determina... : o jeito, a força, a direção, o impulso dado  ao botão, que saindo de sua inércia, e impulsionado em restrita e severa obediência à ordem emanada do cérebro para o braço,  e trabalhada e exercida pela mão, elabora a  jogada, o lance, de ataque  ou defesa, que   muitas vezes é a  resultante da materialização de um enfoque decisivo com reflexos no placar de uma partida, de um campeonato, de um título !!!
A sensibilidade poderá exteriorizar-se em  serenidade  ou ira;  tornando o botonista equilibrado,  prudente ou irascível;  levando-o algumas vezes a não  admitir  e  tentar negar as evidências...  levando-o  a  proceder com leviandade passível de censura,  à trapaça, ou  até mesmo fazer de si próprio um falso  juízo ( quando isto  lhe convém ), fazendo-o ser um sério candidato a receber o  troféu " gato de porcelana " , com dedicatória impressa.   Ou por vezes termos de limpar  da mesa e do ambiente:  espinhos.

Mas...  a experiência, só se colhe vivenciando, vivendo a vida com os botões,  pelos botões,  para os botões...polindo-os, dando-lhes nomes referenciais;  programando-se para os jogos;  antevendo com antecedência os  adversários referidos no  " carnet " ;  escalando com zelo os melhores botões da caixinha para disputar os próximos jogos;  comprando e adquirindo novos  " craques " sem limites de tempo ou de preço... pois  esses momentos são mágicos,  eis que o coração acelera,  e  a  aquisição se faz !

Ficaram então: a experiência, as amizades, o  companheirismo;  o  apreço pelos botoes que possuo ( hoje  em torno de 300, - pouco mais... ) - Botões que manejo  e  que mostro com  um  enorme  orgulho e porque não dizer  : vaidade, ( ! ) com uma mescla de  sentimento de posse, propriedade e  " exibicionismo ", natos  em mim...  que me permitem afirmar que não existe uma partida  de futebol de mesa igual à outra !
O botão em si, como matéria que  é, não  possui vida própria !  Possui beleza externa, que a matéria  lhe outorga,  e suas cores são múltiplas, seus matizes, suas  dimensões, altura, espessura, diâmetro  e peso !  Um botão é  único em todo o Universo !  Exclusivo !  Inexiste outro igual !

Todavia, costumo  ( por ser hábito antigo ), dar-lhes nomes próprios, pelos quais são chamados , identificando-os, individualizando-os, personalizando-os !
Os nomes de  Chantily, Algodão, Gasparzinho,   Esquerdinha, Braguinha, Xodó,  Mel  e  Xexéu  são símbolos de  épocas distintas, diversas;  - antigas - passadas  e dias atuais !
Mas  dentre todos sobressaem os botões  símbolos do Bangu:  Zizinho,  Zózimo, e Cabralzinho,  Bonzo,  Turcão,  Mário Tito,  Fidélis,  Aladim,  Pavão,  Matheus,  Navarone,  Leônidas... Jorge Black,  Algodão,  Gasparzinho, Joel, e  Alpadrino !

Agradeço a Deus também por isso !  Por ter  prolongado meus dias , e permitido  com sua  Bondade Infinita, que eu possa conviver saudavelmente em dezenas  de  mesas  onde se praticam o jogo de botões...  ( convidado ) que são  às minhas " carpetas ", como carinhosamente as denomino !
Ter disponibilidade de tempo para participar  de torneios, campeonatos, " abertos ", é uma imperiosidade que a vida nos impõe !
A renovação, representada por uma sequenciada e sempre atualizada aquisição de  " botões " craques, faz parte do que chamo e denomino :  " Show  da  Vida "!
Mas... apesar de saber conviver respeitosamente com a derrota, não sei perder !  Não aprendi perder, pois considero-me um vitorioso !  Muito embora saiba que as derrotas, todas elas tem sua causa,  e  são lições muito amargas, ...  tive e tenho dificuldade enorme de  aprende-las !


   SER OU NÃO SER CAMPEÃO, EIS A QUESTÃO

O título de um  Campeonato, nada mais é, ou  deveria ser,  do que o reconhecimento e o coroamento de um  esforço.
A Taça,  ou o Troféu, é único !  Sua  beleza, tamanho, qualidade e referenciais são muito  pessoais, individuais e únicos !
A equiparação, a análise, a diagramação, entre  erros e acertos, sempre prevalecerá em um  Campeão, e seus acertos  que se sobrepõem sempre ao demérito de  seus erros, falhas, omissões ou  " mancadas ", farão a  diferença !
O  Título é um prêmio !  Um júbilo !  É o  coroamento e o reconhecimento de uma sequência de  momentos, procedimentos e  atitudes !

Até mesmo uma resultante da urbanidade, da  sociabilidade, da experiência, do devotamento e da  dedicação pessoais;  até mesmo na escalação de determinado  atleta em determinada posição ( sabendo-se e aqui - " en passant " - que determinados  " Botões " não se adaptam e por  isso, não tem o mesmo rendimento na mesa de jogo  em dias de chuva, ou dias frios ou quentes...  sendo por isso  influenciados em seus desempenhos pela temperatura ambiente, ou situações climatéricas ( ou meteorológicas )  provenientes do tempo !
O Título é nada mais nada menos, que uma  soma aritmética dos números de jogos vencidos e pontos  ganhos, no cotejo com os pontos  perdidos ao longo da competição ! Parece simples !
Mas ... convém que se registre aqui, por um  preito de gratidão e uma reverência  que muitos grandes e  inesquecíveis botonistas, devem em parte seus  títulos e  seus destaques, ao trabalho, à arte, à dedicação, ao  esmero, ao interesse, ao talento de mãos hábeis  de um  amigo " torneiro " !

E aqui novamente, reverencio em destaque, especialmente,  FERNANDO  de  Sapucaia !  Sua simplicidade cativa !  Sua amizade, dedicação, singeleza e grandeza de  coração e  de propósitos !
A espontaneidade de seu gesto !  A gratificação que  exterioriza e que cativa a gente, ao constatar o reconhecimento e alegria verdadeiras do  botonista que lhe encomendou " os botões " ... que faz, cria ou reforma !  A segurança de seu trabalho !
A presteza !  O talento nato !  Com sua enorme pitada de humildade, que lhe faz ser um companheiro e  amigo diferenciado !
Quando habitualmente lhe digo, em lugares e momentos os mais diversos:  - Fernando !  Eu gostaria de  ter  um botão assim, com estas dimensões !
- Sua caneta corre  no papel em branco, com  suas anotações... e no próximo reencontro ali está, ali estão os novos integrantes da delegação do Bangu, tal como projetado ( s ) !
Sua remuneração é prazerosa, ela se dilui na mistura do encantamento pela admiração da perfeição da  aquisição  que acaba de vir enriquecer e reforçar o  " plantel " banguense;  na procura e busca incessante das  nuances de suas cores vivas e novas; cada " Botão " que me  chega às mãos dessa forma, aumenta em mim esta vontade de  viver cercado de botões e de amigos que a êles se  dedicam, cujos  vínculos e liames tem seus  cordões  umbilicais no mundo mágico e tão  meu conhecido dos  " Botões " de todos os tipos, cores, tamanhos, preços, alturas, matizes, e camadas, e com eles a evocação de  tantas lembranças...  algumas que inspiram lendas de tão antigas...  outras atuais, reais, hilariantes, mas cada  qual com suas individualidades e procedências de datas, pessoas e lugares...  e todas vivenciadas por mim !

Ah !  O referencial dele,  é um " goleiro " que  me fez, com 18 ( dezoito ) lâminas sobrepostas de  18  ( dezoito ) cores !!!  Outro referencial ? - Um percentual de  85 % do meu  " time " atual...  que foram torneados com muito carinho e sem  pressa, ali em sua Oficina...em Sapucaia...  com uma pitada inerente a  cada qual:  todos possuem um toque de carinho e habilidade e talento !
São frutos preciosos de sua sensibilidade !  São únicos em todo o universo !



REMINISCÊNCIAS:  Coisas, formas, fatos e lugares

Já  vi  e  já encontrei,  em dezenas de mesas, Botões feios, mas eficientes !
O mais feio deles, chamava-se,  chama-se  FEIO !  Integra o plantel do  " Velez "  -  leia-se  Ricardo Bernardes... pois constatei tratar-se de um  craque renomado, pela precisão de sua impulsão !
O que equivale  a dizer que, nem sempre beleza,  é indicativo de qualidade !

O tempo dos  " puxadores " passou !
Eram literalmente  galalites  arredondados que serviam para puxar  gavetas de  armários e similares...
Aquele tempo de arrumarmos botões, lixando-os nas lages de nossos pátios, está longe !
Arrumando-lhes as  caídas,  ( gráus ) no ôlho, com pedaços de vidros  provenientes de  vidraças quebradas...  bah !  Quanto tempo ! ?

As giletes que sorrateiramente  cortavam os botões dos casacões de nossas tias...
Os botões  " caveiras " de quatro furos simétricos;  os botões " janelas ", que possuíam dois  pequenos quadrados postados em simetria, lado a lado, em cima deles !  Botões maravilhosos para a  época !  Testemunhas ?  Vanderlei Almeida;  Jurandir Rodrigues;  Luís Pedde;  Oscar Vargas...

Concluo estas digressões, agradecendo  a todos voces, pela tolerância para comigo !
Por esta leitura cansativa !
Temos elos de união eternos enquanto vivamos !  Indissolúveis enquanto os preservamos no lugar  que temos de melhor em nossos corações !

DIZEM QUE OS BEIJA-FLORES SÃO NOSSOS SONHOS QUE SE TRANSFORMARAM EM PÁSSAROS !

DIZ O POETA QUE SOMENTE AQUILO QUE  VERDADEIRAMENTE AMAMOS SE IDENTIFICAM CONOSCO E COM NOSSA MANEIRA DE SER !

Ora, vejam só !  Presentes bem vivas em  mim, as imagens das paisagens de minha terra, Uruguaiana... e daquela caixinha de botões envolta em talco, que tinha em seu bojo, escondidas na  flanela, as sementes de meu  futuro, e que  germinaram, me proporcionando ser um Advogado Criminal, ( para entender a psiquê  do ser humano e tentar reabilitá-lo ) - e que me permitiram conservar  e aprimorar este bem querer, amor extremado pelos  " Botões ", terapia ocupacional que me prolonga a vida, encanta meus dias, e me  agraciaram com esta  legião de amigos, todos voces !!

Um tríplice abraço, prolongado àqueles que sempre tiveram e terão abraços receptivos e acolhedores para me darem !
Aos jovens, aos moços que  aí  estão, saibam que voces são os elos desta corrente imensa de botonistas, que transcenderá o tempo e nos  impulsionará através dele  em direção ao Infinito !
Mas, jamais descurem de valorarem e aprimorarem vossa sensibilidade, ela é inata em  vós !  Valorem sempre vossa  RAZÂO, pois vosso  discernimento e livre arbítrio são presentes de Deus !


SER BOTONISTA É UM ESTADO DE ESPÍRITO

Ali no quadrilátero retangular de madeira costumamos projetar sonhos; pretensões,  anseios, quimeras, visualismos, realizações pessoais.  Materializamos  projetos; enfeixamos em um determinado  " Botão " a  expressão maior de nossa habilidade;  de nossa paixão;  de  nossa promoção pessoal !  Ele, o " Botão ", para nós, é ídolo !.
Quando, ao faturarmos um gol legítimo, lindo, raro, rompemos o silêncio e a introspecção que o  jogo em si, a disputa em si,, nos impõe, e por vezes então , com um soco no ar, chegamos ao extremo de uma vibração maior, no limite de nossa emoção, de nossa paixão, de  nossa sensibilidade, que aflora também no limite de nossas cordas vocais, por vezes com os olhos úmidos, ante  aquele  " gol " , - conquista extrema e valiosa, ( ! ) - esperada e  obtida !

Então, a inércia da bolinha branca, aninhada nas redes de nosso adversário... seu silêncio, e  o balanço das redes pelo impacto da bola, como resultante do chute vigoroso de nosso goleador... - aciona em nosso  universo anímico, uma eclosão mágica de vibração, e como que acautelamento;  sensação esta de vigor e bem estar, um  nomento de prazer e felicidade rara... tão nossa conhecida, mas só desfrutada e valorada por quem vive um  momento assim... reservado pelos " deuses " aos botonistas que não hesitam em repartir uma boa facção de seus dias,  e de suas vidas, dedicados ao  " jogo de botões "!

Estes momentos que se sucedem, tão nossos conhecidos, serão eternos enquanto vivamos !  Enquanto tivermos ao alcance da mão: um time de botões...  polidos; numerados, elencados, treinados, escalados, e uma bolinha branca para ser acionada, compelida em rumos os mais  variados en cima da mesa, durante trinta minutos valiosos de nosso dia, em submissão a um " carnet " , ou a uma escala  de um campeonato ou torneio na defesa de nossas cores ! São momentos eternos enquanto vivermos,  para nós todos !  Somos uma legião !

O suave balanço da rede adversária, após um chute de nosso atacante, a visão, a constatação desse  lance uma vez consumado, vale mais do  que aplausos prolongados de uma multidão !
O  Botão, viverá em mim enquanto eu viva !  E tiver dispondo de minha lucidez!  Senhor de meus atos e de  minha vontade !  Dono de meus caprichos e de eleitor exigente de meus botões, que compõe o meu complemento, eis que eles, todos eles com os quais eu jogo e disputo os jogos, são partes integrantes de mim, são um  prolongamento de mim mesmo !

Quão gratificante sempre será o entrechoque de botões em uma mesa !  Galalites e acrílicos, num desfile de cores, formas e tamanhos !
Jamais  um impulso em um botão, será ou  terá sido um gesto mecânico, ou ocasional meu !

Ele, o botão impulsionado, que sai de sua inércia, e ocupa um lugar na mesa, obedece  uma determinação de meu cérebro e o comando de minha mão !

Há 53 anos participo de partidas, nos  mais  variados rincões de meu Estado !
 Meus botões já ocuparam e ocupam sempre um  lugar de destaque, especial, e protegidos em uma caixinha  ou em um estojo, quais pérolas raras, que por mim  valorados, viajam envoltos em flanelas e veludos  adredemente  preparados para protegê-los !
As vitórias ?  Elas são doces ! Elas tem o sabor  do mel da flor de laranjeira !  Elas despertam e  acionam em mim, as cores do arco-íris, quando relembradas, quase todas , em detalhes !

Isto me faz admitir, quão maravilhoso é o nosso cérebro...  eis que arquivadas em minha memória,  lembranças fantásticas de fantásticas vitórias !
Claro que, seus autores, meus botões, tornaram-se  " pequenos " , se comparados com as medidas modernas, adotada por meus  contemporâneos !
Chantily !  Fafá  !  Cirylo !  Esquerdinha ! Pitanga !  Douglas !  Jorge Black !  Kalucha !  Algodão !  Hoje são  saudade !  Mas ... por um preito de gratidão encontram-se guardados no  " Panteon dos Ídolos  e dos  Astros " !  Ah !  Bandeirinha...  e   Gasparzinho ali também se encontram !

Entre os  enormes defeitos que detenho, um deles, entre os que conheço, encontra-se minha franqueza, sinceridade, e extremado senso crítico ...Sou transparente no que penso ! Não sou bajulador e não gosto de ser bajulado !
Mas  os  amigos são um presente  de  Deus !!!
Jogar futebol de botão é um lazer sadio !
A sorte, se existe, porque trata-se de um jogo, influencia muito pouco no resultado da partida... Mas existem lances que atribuimos ao  " acaso " - decorrentes da umidade, da temperatura, da falta  de preparo adequado do botão escalado... e mesmo como  dizia o Nelson Rodrigues, atribuimos ao " Sobrenatural de Almeida " por serem inexplicáveis à luz da lógica !
Estas considerações, divagações e referenciais, foram elaboradas, todas, ditadas por meu coração !  Elas são verdadeiras ...
São reminiscências, que me foram solicitadas por um dos " incontáveis " companheiros, e ocasionalmente,  " adversário ".  Penso ter  atendido seu pedido.
Pinto esta tela de minhas lembranças, com as cores  de nossos botões !
A inércia deles, ( dos botões ) - ameaça contaminar esta crônica, fadada a ser esquecida no tempo, e ficar e permanecer inerte, no arquivo de um jornal ! ...
Mas ... sei de forma e maneira convicta,  que ela, - esta crônica -, foi escrita e dirigida para ti, que vives no mundo restrito do " circo dos botões " ... e uma vez
lida e entendida, entenderás por isso, tu que  és  portador de Razão e Sensibilidade, que te trazem e acendem em ti :  paixões sadias e emoções não medidas, mas que tem o condão de acelerar o teu coração e que te  exigem postura !
E no instante mágico em que isto ocorrer,  lembrarás de mim, onde quer que eu esteja, em qualquer dimensão em que eu  for enviado...  saibas que  se eu tiver oportunidade de falar com Deus, pedirei, exigirei Dele que  me seja dada a felicidade plena e suprema de ter  comigo, no céu, um time  de botões, uma mesa, uma bolinha e um adversário com as qualidades, e a grandeza e pureza  de  espírito do  JÚLIO COSTA,  do  PAULO MESQUITA e do LUÍS PEDDE !  Ah !  Quase  esqueço de dizer...  Mas... ainda há tempo.  Ainda há espaço.

O meu melhor  troféu, o meu troféu preferido, são os meus filhos, ( filhas, e netas ) em  especial, o " Santa Cruz " - muiti-campeão, comandado pelo meu filho Eduardo Orci, em  várias contendas, amigo e companheiro fiel que já me  proporcionou  muitas alegrias...  coroadas com seu  " bi-campeonato estadual " nas competiçoes  individuais no Estado do Rio Grande do Sul.
Relembro, também, ao qual, tres dias depois que nasceu - ( 1973 ), - ao chegar em casa, lhe dei uma  " caixinha de charutos " Swerdick - vazia, com cerca de 40 botões, com os quais - ( alguns ) - ainda joga hoje, todos de  galalite, ( eternos ), e consegui transmitir a ele, o  " vírus " do gosto extremado pelo  " jogo de botões ".
Os cabelos brancos que  já lhe adornam a fronte de Advogado Trabalhista, são as testemunhas eloquentes e presenciais da  verdade e da autenticidade do que aqui se encontra por  nim mencionado...

Trechos de crônicas e textos de Miguel Orci - Advogado , Bancário aposentado, Poeta do futebol de Mesa e Decano dos Botonistas gauchos em atividade na cidade de Canoas e Estado do  Rio Grande do Sul.

domingo, 25 de setembro de 2011

SOLUÇÕES NO FUTEBOL DE MESA

SOLUÇÕES NO FUTEBOL DE MESA



O departamento de futebol de mesa do Ypiranga começou a preocupar-se com um assunto: treinamento, e resolveu chamar a equipe Disney para ajudar...



Muito se comenta no futebol de mesa que a qualificação vem do treinamento repetitivo dos lances e jogadas. Então voce deveria treinar os chutes a gol diversas vezes e em diversas posições em suas mesas, no clube ou em casa.







Como o futebol de mesa é praticado por todas as idades, nos deparamos com o seguinte problema, os botonistas de maior idade tem que se abaixar inúmeras vezes nesta prática, para a gurizada não há problema, mas para os mais avançados em idade a coluna começa a reclamar.




É dor para todo lado, não há coluna que resista depois de certo tempo.
Discutimos entre os colegas botonistas que tipo de dispositivo seria útil nesta situação.

E surgiu a seguinte idéia:


Vamos bloquear a bolinha no campo para treinar!





E foi criado o dispositivo de treino de chutes a gol, o " PEGABOL"

Siga o passo a passo da montagem do dispositivo, solução fácil, de fácil confecção, que pode ser resolvida em casa.

1. Inicialmente faça quatro furos com broca número 8 nas laterais de seu campo, junto a parte do fosso, atrás das goleiras.


2. Instale neles buchas de fibra com rosca, adquiridas em ferragens, prepare parafusos de rosca sem fim com borboletas para fixação de duas hastes de madeira, que vão suporta as redes.



 




3. Prepare duas redes de filó com altura de 20 cm e na largura da mesa, que serão fixadas nas hastes de madeira, furadas na base para encaixe no parafuso.



















4. As hastes serão encaixadas nas laterais e com as borboletas serão ajustadas para ficarem na posição de treino ou abaixadas nas situações de jogos normais.





E VAMOS A GOL !!!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Enciclopédia do Enio Seibert

A GRANDE AVENTURA
Date: Sun, 18 Sep 2011 07:53:18 -0300

                      A  GRANDE  AVENTURA

Homenagem à Divisão de Futebol de Mesa do C.R. Vasco da Gama, comandada pelo botonista Marcelo Lages, talvez o maior departamento do Brasil em diversidade de regras botonísticas.   É certo também que o simpático Clube de São Januário no Rio de Janeiro, só poderia ter esta grandiosidade graças ao apoio total do Presidente Roberto Dinamite,  o ex-centro avante de futebol camisa número 9, logicamente, todo de galalite branco com uma faixa atravessada em preto, com o escudo clássico da caravela cruz-maltina, pois esta é a imagem gravada em nossa memória nos quase 1.000 gols marcados por aquele botão nos estádios gramados e  campos de mesas de madeira de futebol de botão, nos anos dourados  da nossa juventude.

Não é por acaso que o Vasco da Gama, o Clube, se chama Vasco da Gama.  Vasco da Gama, a pessoa, foi talvez o maior herói português.  É, por assim dizer, o protagonista de  " Os Lusíadas " , de Camões.  Também não por acaso. 
A viagem de Vasco da Gama para descobrir o famoso caminho marítimo das Índias foi uma das  aventuras mais dramáticas e façanhosas da história da humanidade.
Durante dois anos, no fim do século 15, Vasco atravessou  meio mundo (mesmo):  contornou a  África de leste a oeste, passou o temido Bojador, enfrentou todo o gênero de perigos e chegou a Calicute com um navio  a menos (eram quatro)  e metade dos seus homens (eram 170)..  Os que sobraram estavam em condições precárias, a maioria vitimada pelo escorbuto, com as juntas inchadas, as gengivas putrefatas e os dentes moles na boca.  Para sorte dos portugueses, um sultão amigo os acolheu, ofereceu-lhes laranjas frescas e eles puderam repor a vitamina C  de que precisavam para se curar.
Mas nem todos  os sultões foram amistosos.  Quando Vasco da Gama apresentou aos indianos as  mercadorias que havia trazido para trocar pelos seus valiosos temperos, as tais especiarias, os indianos rolaram de tanto rir.  Eram capuzes, miçangas, azeite, bacias, bugigangas inúteis que encantavam os índios americanos, mas que nada valiam nas terras muito mais desenvolvidas do Oriente.  Por pouco, os portugueses não foram chacinados ali mesmo.  Como não passavam de homens aos andrajos, o sultão permitiu que  eles esmolassem nas ruas para sobreviver.  Foi o que fizeram, humilhados.  Conseguiram fazer algumas trocas, amealharam alguns sacos de pimenta, cravo  e canela e partiram o mais rápido  que puderam.
Quando a expedição voltou para Portugal, restavam pouco mais de 50 homens.  Até o irmão de Vasco da Gama morreu no fim da aventura.  Mas ele se consagrou, virou "don" e preparou  seu retorno à India em situação diferente.  Bem diferente: antes de se reapresentar às autoridades indianas, agora comandando  20 naus, capturou 50 pescadores, estripou-os, decepou-lhes as mãos e os pés  e os enviou a Calicute com o recado de que gostaria imensamente de abrir comércio com os indianos, sugerindo que, caso não fosse atendido, muitos outros pés e mãos se separariam de seus donos.  Os indianos, que não queriam ficar longe  de seus pés e das suas mãos, ponderaram a respeito e aceitaram a proposta portuguesa.
Li certa feita uma descrição de Vasco da Gama aos 37 anos de idade.  Diziam que ele tinha " aparência  terrível ", com um grande nariz acoplado no meio do rosto sempre sério, uma bocarra ameaçadora rasgando a barba negra e hirsuta, e olhos penetrantes que metiam medo no interlocutor.  Vasco da Gama era conhecido por sua arrogância e crueldade.  Um dia, durante o interrogatório de um prisioneiro, derramou-lhe azeite fervente na barriga para obter algumas informações.  Obteve-as.
Vasco da Gama estava acostumado a  conseguir o que  queria.  Um  clube com esse nome merece respeito.

Nota:  A homengem/dedicatória postada na manchete e constante no início do texto foi introduzida pelo colaborador Enio Seibert.  E-mail:  enioseibert@hotmail.com

Transcrição de crônica do jornalista David Coimbra, editor de esportes do jornal Zero Hora de Porto Alegre - RS , publicada em 17-09-2011.

Enciclopédia do Enio Seibert

O Vasco e meu time de botão
Date: Thu, 15 Sep 2011 18:10:46 -0300


                      O  VASCO  E  MEU  TIME  DE  BOTÃO

A primeira lembrança que tenho do futebol quando criança foi meu time de botão, anterior aos de caixinha com botões padronizados e coloridos, era mesmo botão puxador de gaveta,  Minha vó tinha um armário com duas gavetonas em baixo.  Foi lá que tirei meus dois zagueirões, altos, fortes, lixados para não levantar a bola  ( que era um botãozinho branco de camisa ) e para impedir a  simples passagem de quem fosse atacar.   O goleiro era uma caixa de fósforo com preguinho dentro para dar peso;  fica de pé e acompanha a direção do ataque.  Às vezes fazia defesas empolgantes, outras vezes se distraía.
A nossa cultura futebolística era da Rádio Nacional, do Rio,  e meu time de botão era o Vasco  da  Gama, talvez o  melhor Vasco que já existiu:  Barbosa;  Augusto e Wilson;  Eli ,  Danilo Alvim e Jorge;  Friaça, Maneca, Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto e Chico.  Tanto que não substituia ninguém, eram sempre os mesmos heróis.
Talvez por isso quase me emocionei no sábado com a volta do Vasco da Gama à  Primeira Divisão.  Verdade que venceu na raspa o bom Juventude em campo.  Estádio cheio, torcida entusiasmada, uma festa programada e justa.  O time  de Ivo Wortmann sustentou bem o jogo, perdeu  o mesmo na raspa.  Mas o Vasco estava lá, vibrante e feliz, outra vez em seu lugar no futebol brasileiro.

  Até parecia meu time de botão, se eu soubesse onde foi que o deixei na minha adolescência. 

Crônica publicada no jornal Zero Hora de Porto Alegre - RS, coluna  Gol de Letra do comentarista  da RBS -  Rede Globo, Ruy Carlos Ostermann.

Enciclopédia do Enio Seibert

Os Botões do L.F.Veríssimo
Date: Thu, 15 Sep 2011 17:43:04 -0300

                    OS  BOTÕES

BOM ERA O FUTEBOL DE BOTÃO.   VOCÊ PODIA  TER QUEM QUISESSE NO SEU TIME, SEM  LIMITAÇÕES  NÃO  SÓ DE VERBAS COMO DE TEMPO E LÓGICA.
Di Stéfano fazia  dupla com Zizinho, Stanley Matthews cruzava bolas para Leônidas, e nadaimpedia você de ir buscar talento fora do futebol:  Albert Einstein de centro-médio, por que não ?  Só não tive o Pelé no meu time, entre Tesourinha e o Heleno de Freitas, porque quando o Pelé  começou a aparecer eu já não jogava botão..  Como seria  o meu time de botão, hoje ?  Castilho, Djalma Santos, Muhamad Ali, Desailly e Nilton Santos;  Diderot, Dunga e Redondo,; Charlie Parker, Pelé  e  Puskas...
Nunca mais se e teve a mesma possibilidade de comandar a realidade como num time de botão.  A imaginação era livre,, claro.  Em pensamento comiam-se mulheres e viviam-se glórias impossíveis.  Mas no futebol de botão o mundo estava ali, sob os seus dedos, para ser organizado como você o queria..   Só um romancista teria o mesmo domínio sobre seus personagens como voce  escalando seu time de botão..  No fim éramos isso, ficcionistas  inventando tramas  e manipulando vidas en cima da mesa, onde  o Ademir recebia passes do Puskas e você era o senhor de pelo menos  11  destinos.  Isso quando não jogava sozinho, pois aí era o Deus da Criação.
Me lembrei do meu time de botão quando li que o Chico Buarque e o Edu Lobo tinham se rejuntado para fazer um musical com texto e direção da  Adriana e do João Falcão..  Está aí, pensei,  se eu fosse fazer um musical brasileiro de mesa seriam justamente esses os nomes que poria nos meus botões. 
Não dá para imaginar combinação mais infalível, um time mais de sonho..  Cruyff, Platini,  Maradona e  Ronaldinho  Nazário com o joelho bom  -  só que neste caso são todos de verdade !

Crônica publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre - RS. por Luís Fernando Veríssimo, em setembro de 2000.

Enciclopédia do Enio Seibert

Caros leitores, estamos dando continuidade as crônicas publicadas pelo Enio Seibert, uma verdadeira enciclopédia do Futebol de Mesa, talvez no futuro ele decida publicá-las em um livro, mas por enquanto vamos aproveitar para ler suas histórias.


CHICO BUARQUE  -  OS BOTÕES   E  OS   AMIGOS


         Chico Buarque relata em suas crônicas romanas durante o exílio na Itália, no final da década de 60 e início  dos anos 70  que durante a sua adolescência em São Paulo, costumava assistir a quase todos  os grandes jogos de futebol realizados no Pacaembu, devido a proximidade  da casa da família com o Estádio  e a  grande paixão que passava a nutrir por aquele  esporte.
Um dos maiores ídolos de todos os tempos conheceu  naquele período e chamava-se Pagão, centro-avante  titular e que chegara ao Santos Futebol Clube, antes  de Pelé, e que formaria nos  anos seguintes uma das maiores duplas  de atacantes do futebol brasileiro.
A admiração de Chico Buarque pelo estilo de jogo e técnica aprimorada  de Pagão, no comando do ataque santista era tão profunda que Chico quando fundou seu time de futebol com os amigos para jogarem no seu sítio no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro,  atuava sempre com a camisa  9  do Politheama e assinava  a súmula do jogo com o codinome “Pagão “, do mesmo  modo como gostava de ser chamado pelos companheiros de equipe.
Numa certa ocasião, a equipe do Politheama  excursionou a Santos para uma  apresentação beneficente de futebol   quando pode concretizar um dos seus grandes sonhos.    Conhecer e conversar demoradamente  com o  seu ídolo “ Pagão “,   e realizar uma troca de camisetas de nºs. 9, entre as duas equipes, guardando cuidadosamente, na maleta, a camiseta do companheiro de tabelinhas e jogadas de cinema de Pelé, no Santos F.C.
No time do Politheama de futebol de botão, Pagão  será certamente o botão  branco de galalite, titular da camisa no. 9 , pela eternidade, formando no ataque do seu super   esquadrão, com outro  ídolo de sua adolescência,  o ponteiro camisa  11  Canhoteiro, que costuma dizer,  “ só Chico Buarque viu jogar “.     Canhoteiro, também deve ser outro botão eternizado como titular do Politheama porque o ponteiro era uma versão canhota  do grande Mané Garrincha do Botafogo do Rio de Janeiro,  só não se consagrando na Seleção Brasileira por  ser contemporâneo  de Pepe  e  Zagalo, os dois  ponteiros  bi-campeões mundiais  de futebol.
       Além das partidas de futebol de campo e futebol society, realizadas com outros artistas, músicos e companheiros  do Politheama nos campos do  sítio, Chico Buarque também  curtia realizar confrontos  de futebol de botão com os parceiros  amigos  Vinicius de Morais, Chico Anysio, Toquinho, Osmar Prado ( do teatro e novelas da Globo ), e os companheiros inseparáveis do  Grupo MPB 4, em especial,  todos fanáticos por um bom  jogo de futebol de botão.


Osmar Prado contou-nos em visita  realizada no departamento de futebol de botão de mesa do Internacional, no Ginásio Gigantinho,  que, na  falta ou extravio  de bolinhas esféricas  de feltro para competição na hora  dos jogos,os próprios  botonistas, a partir de retalhos de  camadas de feltros, devidamente costuradas à mão, improvisavam e confeccionavam novas bolinhas, artesanalmente,  para o bom andamento dos jogos e os campeonatos não sofrerem  solução de continuidade.
Não ficavam muito perfeitas, como as bolas oficiais industrializadas, mas  os torneios  podiam  continuar dia e noite.
Uma outra história, contada pelo próprio Chico Buarque.  Jogavam um campeonato de futebol de botão Chico Anysio, Vinicius de Morais e Chico.   Como sabem todos os botonistas, o Politheama tem um hino composto  pelo seu  presidente  e acionista majoritário ( Chico Buarque ) que costuma cantá-lo ou, ao menos, assobiar sua melodia, durante seus jogos, cuja musicalidade contagiante transfere-se para todo o ambiente de competição, penetrando nos ouvidos  do árbitro  Vinicius de Morais que também começa  a  assobiá-la  ao ritmo do hino.
Chico Anysio  que, além de jogador e técnico da sua equipe, também costuma narrar   os  jogos,  suspende  repentinamente  a narração  vibrante que  vinha fazendo para reclamar ao adversário e à mesa de controle da Liga, a falta de isenção do juiz da partida, Vinicius de Morais e a sua  escancarada torcida pela equipe adversária, pois assobiava  junto com o  técnico  Chico Buarque  o hino  do Politheama.

Matéria elaborada com base em diversos depoimentos extraídos e postados na Internet, bem como em textos publicados na imprensa brasileira. 



 Chico Buarque de Holanda e os botões


"Tostão me perguntou meses atrás, aqui mesmo em Paris, se o futebol do Denilson lembrava o Canhoteiro (ponta-esquerda do São Paulo que só eu vi jogar, na década de 50). Vinda de quem vinha, aquela pergunta me paralisou. Fiquei postado na praça, sem raciocínio, olhando para o Tostão. Se bem que, quando topamos um craque de bola no meio da rua, vestido à paisana, andando como a gente anda, falando como a gente fala, nós, amadores, sempre nos atrapalhamos. Viramos idiotas.
Certa vez fui apresentado a um antigo centromédio do Santos, o Formiga. Depois de um breve diálogo, o assunto esgotado, sem saber por que continuei a encará-lo. O silêncio se prolongava, incômodo, e ainda encasquetei de colocar a mão no ombro do Formiga. Com o polegar, comecei a pressionar de leve a sua clavícula, e me lembro que ele ficou um pouco vermelho. Então me dei conta de que, pela primeira vez na vida, conversava pessoalmente com um botão.
Formiga tinha sido um dos meus melhores botões, apesar de meio oval, um botão de galalite, vermelho. Na minha mesa, Tostão não chegou a ser botão. Eu já era bem crescido quando ele apareceu, e fica um pouco ridículo fazer botão de um jogador mais novo que você. Botões, para a garotada daquele tempo, eram venerados como ícones, beijados, polidos com flanela, concentrados em caixa de charuto e inegociáveis. Pois bem, vi o Tostão deslizar nos gramados e, sem querer desmerecê-lo, era mesmo um homem com braços e pernas. Nem por isso há de nascer um centroavante que se lhe compare, como nunca haverá ponta-esquerda semelhante ao Canhoteiro que só eu vi jogar.
Desde já discordo de quem, concordando comigo, sustenta que o futebol era muito mais bonito no passado. Ao contrário de nós mortais, que éramos todos mais bonitos no passado, os craques do passado são ainda melhores hoje. Penduraram as chuteiras, mas na permanente edição da nossa memória vão produzindo novos lances memoráveis. Posso vê-los sempre de uniforme, uniformes diferentes uns dos outros, num vestiário com o teto cheio de chuteiras penduradas. Reúnem-se em torno do técnico, ouvem a preleção em silêncio, mas não prestam muita atenção. Dispensam alongamentos, entram em campo e já começam a jogar. Não dão entrevistas. Não fazem cera, não atrasam a bola, não cobram lateral, não ficam na barreira, faz cada qual o que lhe dá na telha. E no entanto exibem um belo conjunto, mantendo-se invictos há anos e anos, mesmo porque contra eles não há quem se atreva a jogar.
Me vendo de boca aberta, naquela tarde gelada, o Tostão não fazia idéia dos gols que continua a marcar dentro da minha cabeça. "Ele te lembra o Canhoteiro?", perguntava o Tostão, e de cinco em cinco minutos a pergunta me rebate no ouvido como um gongo, enquanto vejo o Brasil jogar no Stade de France, sem Denilson. Há o grande Rivaldo, seu estilo de ema, há o nosso Ronaldinho, de quem tudo o que se diz não basta, e há um oco. Sim, a ausência do Denilson agora me lembra exatamente o Canhoteiro, cuja camisa Zagallo usurpou na Copa de 58, privando o planeta de ver o que só eu via. Estamos no segundo tempo, Brasil e Escócia um a um, e já me pergunto se, barrando o Denilson, Zagallo não pretende barrar o Canhoteiro de novo, 40 anos depois. Maldade minha, claro, pois eis que o Denilson entra em campo, recebe a bola rente à lateral esquerda, passa zunindo por dois escoceses e toca para o meio, de calcanhar. A jogada foi bem em frente à minha cadeira, permitindo-me ver até o branco dos olhos do Denilson, e não direi o que se passou naquele instante com a fisionomia dele. Não direi de quem era a figura que vi num relance, vestindo a camisa 19, porque nem eu próprio acredito nessas coisas. Mas alguma coisa os escoceses também viram, e ali se assombraram, e se atarantaram, e perderam a pouca cor que têm, e bateram cabeças entre si e fizeram um gol contra. É um garoto, o Denilson, e imagino o que será seu futebol daqui a mais ou menos 30 anos, quando estarei abarrotado de memórias. Seu drible na corrida, calculo que possa chegar a algo como a velocidade do TGV Paris-Nantes, embora jamais à do Canhoteiro. Babando de antemão, me vejo a lembrar o Denilson adiantando a bola na medida certa, feito isca, para surrupiá-la do bico do pé do beque. Verei o Denilson em nova arrancada, como quem corre num parque, e a bola que corre serelepe ao seu lado, quase latindo. Verei o Denilson desviando a bola sem tocá-la, talvez com um assobio - ele tem boca de assobiador. Verei o molejo dele, trançando as pernas diante do próximo adversário, e, de repente hei de ver o drible de corpo. O drible de corpo é quando o corpo tem presença de espírito. Se eu fosse menino, faria do Denilson um senhor botão. De tampa de relógio, acho. Babando de antemão, me vejo a lembrar o Denilson adiantando a bola na medida certa, feito isca, para surrupiá-la do pé do beque."
Chico Buarque de Hollanda

Outra reportagem de Chico publicada no jornal O Pasquim

                   ENTREVISTA DE CHICO BUARQUE  AO  PASQUIM

Jaguar -  Você lançou na Itália o futebol de botão, ou já existia lá ?

Chico Buarque - Eu  tentei, mas não consegui, porque eles têm  um futebol de botão, mas é  muito diferente, é muito chato.  Eu tentei impor o nosso e eles queriam impor o deles, aí não deu pé.

Fortuna -  Como é que é o futebol de botão lá ?   É futebol de fecho éclair ?

Chico Buarque -  Não, é com botão mesmo, mas é com  peteleco, as bolas são quadradas,  são dadinhos.  Eu acho o futebol  de botão  uma coisa muito bacana e a melhor maneira de se  jogar é fazer a coisa mais parecida com o futebol de verdade, isso é uma discussão velha e  tal, mas lá é a coisa mais diferente.  O pessoal dizia:  não, mas assim é mais técnico.  No  nosso futebol os jogadores têm nome, camisa, a bola é redonda, no futebol que a gente joga no Rio.
Na Bahia  já é diferente, me mandaram uma vez o regulamento deles, é um outro jogo.

Fortuna -  Você pode explicar como é o futebol de botão baiano ?

Chico Buarque -  Eles foram de uma gentileza  muito grande comigo, me convidaram para ir à federação deles e me deram um jogo de times, mas eu não consegui me adaptar.  É completamente diferente.  Eu acho que eles têm a unha dura porque são uns botões muito grandes e em vez de palheta eles usam a unha.  É um negócio que só joga um de cada vez.  Eles explicaram que isso é mais técnico, que é muito mais fácil do que ficar controlando a bola, mas, sei lá, eu não gostei.  Agora eu vou estudar esse negócio de novo porque é uma  matéria muito séria.

Sérgio -  No campeonato de botão que vocês faziam o negócio chegou a um aprimoramento ?

Chico Buarque -  Eu faço questão de dizer que eu fui campeão.

Sérgio -  Quem participava mais ?

Chico Buarque -  Três do  MPB 4 , Hugo Carvana, Cláudio Marzo, Eli Halfun, um primo meu, um vizinho do Aquiles do MPB 4 , o cunhado do Magro do MPB 4, eram doze pessoas., e eu fui campeão.

Sérgio -  Parabéns.  Agora eu sei que vocês chegaram a um negócio muito sofisticado do  ponto de vista de regras e estatutos, tinha lei de passe e uma moeda especial.  Como é que  era ?

Chico Buarque -  Isso acabou não sendo desenvolvido porque eu fiz uma excursão com o  meu clube, o Politheama, e não deu tempo de organizar toda a coisa.  Talvez agora dê, vamos  ver.  Aliás, por uma questão de honestidade, eu não fui campeão do campeonato, eu fui campeão do torneio início.  O primeiro campeonato nunca chegou a ser realizado.  Em breve vai ser e nós daremos  notícia  para o PASQUIM.


Matéria  remetida  pelo colaborador Enio Seibert.   Transcrição  parcial de reportagem do jornal O PASQUIM postada na Internet. Email: enioseibert@hotmail.com

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Campeonato de Inverno - regra gaúcha

Jogo inicial do quadrangular final do campeonato de inverno:

Renner (Enio) x Cruzeiro MG (Carlos)

video comentado na regra gaúcha


Terminou em um empate em um gol.

domingo, 11 de setembro de 2011

Videos comentados da regra unificada

        Continuamos a mostrar videos comentados sobre a regra unificada. Estamos preparando uma revisão completa das demonstrações desta regra , a seguir mostraremos a regra gaúcha e outras.

















Convidamos os amigos a sugerirem opiniões a respeito deste formato de demonstrações.

As origens do futebol de mesa 2



Revirando o baú, encontrei o livrinho da Federação Riograndense de Futebol de Mesa, fundada em 1961 por Lenine Macedo de Souza, editado em 1967. O presente fundava a regra brasileira unificada ou regra universal de futebol de mesa, que na verdade é a regra gaúcha.





















E ainda, encontrei o livrinho de normas tecnicas da regra brasileira unificada publicada em 1982 por Enio Seibert.






Estes fazem parte de nosso acervo historico.











VISITAS


Esteve nos visitando neste sabado, 10.09.2011, o sr. Moacir, carioca , praticante da regra 12 toques com bola de feltro, representando o Futebol de mesa do Fluminense Futebol de clube. Ele nos apresentou a regra dos 12 toques e pode receber instrucoes na regra unificada.










ESQ-DIR/ Ricardo, Paulo, Moacir,Enio e Canabarro


 Participamos com ele em torneios na regra dos 12 toques e em seguida na regra unificada. Para nos foi bastante estranho jogar com uma bola esferica, inusitada experiencia, mas interessante, particularmente eu achei que a bola ia subir demais com qualquer forca, quando para minha surpresa, nao, dificilmente ela levantava com os meus galalites.

Em um quadrangular inicial na regra dos 12 toques , adivinhem quem foi o primeiro colocado, sim, o Enio , o cara e matador, e jogando com seu time de galalite. Segundo ele nossa regra pode ser jogada com qualquer bolinha, vamos experimentar.
Isto nos mostra que e possivel o futebol de mesa ser praticado em qualquer regra, basta somente conhece-la e praticar. A habilidade esta sim e que e o diferencial.
E Vamos a Gol !

RESUMO DA REGRA UNIFICADA

RESUMO DA REGRA UNIFICADA DE FUTEBOL DE MESA


arquivo histórico 1

Regra Unificada é a sistemática do jogo praticada por técnico de Futebol de Mesa que consiste basicamente em uma jogada para cada equipe, exceto nos lances de bola em jogo no qual for utilizado o dispositivo do passe (quando serão dois lances) e nos demais casos de dois lances previstos no presente Regulamento.
PASSE é o ato da bola arremessada por um botão vir a bater em outro jogador da mesma equipe, diretamente, não sendo a bola interceptada por jogador adversário.



JOGADAS DE  UM LANCE:  TIRO DE META - COBRANÇA DE IMPEDIMENTO - FALTA TÉCNICA - LATERAL CAVAD0 - ESCANTEIO CAVADO - INFRAÇÃO DIRETA (FALTA OU TOQUE NO CAMPO DE ATAQUE) - MÃO DO TÉCNICO DA EQUIPE  E JOGADAS NORMAIS (SEM OCORRÊNCIA DO PASSE).

JOGADAS DE DOIS LANCES: ESCANTEIO CEDIDO (COM VALIDADE DE GOL) - LATERAL CEDIDO (SEM VALIDADE DE GOL) - INFRAÇÃO INDIRETA (COM VALIDADE DE GOL)  -  JOGADAS COM OCORRÊNCIA DO PASSE  -  iNIÍCIO DE PARTIDA E RECOMEÇO DE JOGO, APÓS CADA GOL.


arquivo histórico 2
arquivo histórico 3












DETALHES TÉCNICOS DA SISTEMÁTICA DE JOGO:
Quando utilizado o dispositivo do passe, para efeito de validade do arremesso ao arco com a finalidade de gol, é indispensável que a bola e o botão recebedor do passe estejam posicionados, no momento do lançamento da bola, totalmente, no campo de ataque, exceto no caso de cobrança de infração indireta (falta ou toque) quando poderá acontecer o lançamento da bola do campo de defesa para o campo de ataque.

O escanteio cedido será cobrado em dois lances, sendo o primeiro para realizar o passe para jogador posicionado em campo de ataque (ou simples lançamento da bola para o interior da grande área do adversário, não podendo a bola estacionar sobre a linha demarcatória ou ser interceptada por defensor)  e o segundo lance para arremesso ao arco, podendo também cavar novo escanteio ou lateral, neste lance.

A cobrança do escanteio cavado é feita através de um lance direto,valendo gol se for arremessada direta ou rebatida em qualquer jogador postado no campo do infrator, não sendo válido cavar lateral nem novo escanteio.

Impedimento é o lance em que  um ou mais jogadores de uma equipe ficarem postados, em campo adversário, tendo à frente apenas o goleiro adversário (somente quando estiver com o corpo totalmente à frente do adversário) e a bola ultrapassar totalmente a linha do último botão  defensor, colocado no seu campo defensivo e com a bola permanecendo em jogo dentro do campo.

Será assinalado impedimento somente quando a bola partir do campo de defesa para o ataque e a bola alcançar ou parar no campo em que se encontra o atacante faltoso, estando a bola em condições de jogo e o jogadorestiver mais próximo da linha de fundo que qualquer de seus adversários, exceto o goleiro.

DETALHES TÉCNICOS IMPORTANTES:
Dimensões médias da mesa de jogo:1,80 metros x 1,40 metros
Campo de jogo:                              1,60 metros x 1,20 metros
Dimensões máximas da mesa de jogo: 2,00 metros x 1,50 metros
Campo de jogo:                                  1,80 metros x 1,35 metros
Tempo de duração da partida: 20 x 20 minutos
Dimensões das goleiras:  13 cm  x  4  cm
Dimensões dos goleiros:  6 cm de diâmetro x  3 cm de altura
Dimensões dos botões:  3 cm de diâmetro (no mínimo)
Dimensões dos botões:  5 cm de diâmetro (no máximo).

REGRA UNIFICADA - UMA PROPOSTA CONCRETA DE UNIFICAÇÃO DAS REGRAS DE FUTEBOL DE MESA NO BRASIL.

Matéria enviada pelo colaborador Enio Seibert  -  Principal mentor e coordenador da Regra Unificada de Futebol de Mesa  -  Porto Alegre  -  Rio Grande do Sul  -  Brasil  - enioseibert@hotmail.com

sábado, 10 de setembro de 2011

5a COPA PHENIX - HEXAGONAL FINAL

Teve inicio ontem a fase do hexagonal final da 5a Copa Phenix de Futebol de mesa do Ypiranga.

Os seis participantes são:


Enio Seibert - Fiorentina
Jorge Leão - Vitesse
Mariano Araujo - Gremio Santanense
Ricardo Lasevitch - Villareal
Genaro - Vitoria
Ze Francisco - Botafogo

Ocorreu a primeira rodada com os seguintes jogos:

Botafogo     2 x 0    Villareal
Vitesse        2 x 2    Botafogo
Villareal      3 x 1    Gemio Santanense

Os outros jogos não ocorreram pela ausência de alguns participantes, uns que avisaram não poderem por compromissos importantes e outros sem comunicar-se. Próxima rodada ocorrerá na quinta, dia 16.09.

Abraços aos amigos e Vamos a Gol!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ARQUIVO HISTÓRICO DO FUTEBOL DE MESA - 8o TEMPO

O  COLECIONADOR  DE  GALALITES

Num belo dia zapeando na Internet, especialmente no site de buscas do Google, colocando em foco a palavra galalite, matéria plástica rara da maioria dos nossos botões de jogos, principalmente os botonistas mais antigos  que sempre utilizaram êste material  no Rio Grande do Sul, visualizo na telinha do computador, uma manchete-informação que me deixou estarrecido.
Dizia, explicitamente:
APOSENTADO DESCOBRE  FÁBRICA  DESATIVADA  DE  GALALITE  NA  ALEMANHA.
A minha primeira reação depois de quase cair da cadeira do computador foi  " pensar com os meus botões ":Mas quem terá sido o felizardo sortudo que encontrou essa mina de ouro plastificada em forma de galalite ?
E  agora, numa rápida reação depois do choque  provocado  por aquela manchete bombástica inserida no visor da telinha, leio o início da matéria e vejo uma foto estampada junto à matéria, ainda meio atônito, quase não consigo acreditar naquilo que meus olhos teimam em se manterem fixados e teimam  em manterem visualizados.  Aquela foto era de um cara conhecido, mais ainda, aquela foto colorida era minha, não era possível.  Não conseguia acreditar, eu procurava informações  de galalite  e a reportagem apresentada mostrava a minha pessoa como descobridor  de  fábrica desativada de chapas de galalite na Europa/Alemanha ! ! !    Mas o que está acontecendo ?  O computador enlouqueceu totalmente...   Dizem que computador não erra, mas desta vez, está completamente equivocado !
                       Reprodução da matéria, na íntegra, publicada em 14-05-2009 na série " Colecionadores on line ".
As caixas cuidadosamente empilhadas na sala do apartamento onde mora, no Centro de Porto Alegre, indica que algo algo especial repousa ali dentro.  Ao abri-las, o olhar do aposentado Enio Seibert, 64 anos  na época, parece iluminar-se diante da coleção de botões para futebol de mesa.
Fanático pela modalidade há mais de 50 anos, o ex-comerciante tem 11 times no momento, mais de 150  ' atletas ".  A camisa usada por êle revela que o grupo preferido é do Renner, o Papão de Pôrto Alegre na metade do século passado.  Com os times, Enio já conquistou o Campeonato Estadual  de 2009 com sua equipe e agora disputa o Campeonato Metropolitano.  Cada equipe tem uma história, um motivo de ser escolhida.
O gosto pelo Futebol de Mesa começou na infância, em Cachoeira do Sul.  Na época Enio tinha um número limitado de brinquedos e o futebol de botão estava no topo da preferência da gurizada.  A prática virou paixão também na fase adulta, complementada pelo apreço por futebol que o leva a acompanhar resultados e partidas de jogos na TV de todos  os campeonatos do mundo.  O aposentado admite que o gôsto pelos botões, talvez, preencha a vontade não realizada de ser jogador de futebol.
Enio conta que cada peça, dependendo da raridade do material usado, pode custar até  R$ 150,00.  O botonista chegou a se tornar importador de galalite, uma espécie de plástico oriundo da caseína pura e insolúvel do leite, tratada com formol.  êle encontrou um estoque de chapas de galalite numa fábrica desativada no interior da Alemanha.
Como teve de parar de jogar futebol de botão por alguns anos, devido à lancheria que  mantinha no bairro Cidade Baixa, Enio hoje pratica todos os dias da semana no Clube Ypiranga, na capital.  " É minha paixão, minha terapia e meu prazer ", resume o aposentado.

A verdade é que o repórter que  produziu a matéria  não entendeu direito a minha história ou enganou-se ao ouvir a gravação da entrevista porque eu nunca estive na Alemanha ou qualquer país da Europa, como a reportagem dá a entender, e muito menos ainda, encontrei depósito  desativado de chapas de galalite, em lugar algum  nêste mundo.
O que realmente aconteceu foram duas importações legalizadas de galalite da cidade do Pôrto - Portugal, depois de localizarmos esta empresa  exportadora de chapas plásticas, dentre as quais o galalite que tratamos de importar todo o estoque.  Logicamente,  junto com outros  micro empresários, principalmente, comerciantes de botões  e  torneiros/fabricantes de botões.
Ninguém  ganhou muito dinheiro ou ficou rico com as importações que se sucederam nos anos seguintes à descoberta do  depósito de chapas de galalite em Portugal ( que até hoje não descobrimos de onde era proveniente aquele estoque muito antigo de galalite de excelente qualidade, porque nem mesmo a proprietária  da empresa  sabia informar, apesar de  lembrar-se vagamente de tratar-se  de matérias plásticas provenientes de fábricas  extintas ou desativadas na Alemanha ou  Suiça.
Apenas e tão somente, as  importações  que  aconteceram serviram para  estabilizar os preços das fichas escassas e raras que  ainda encontravam-se, esporádicamente, nos cassinos e jogos de carteados em clubes sociais que também eram  de galalite,  adicionadas  às milhares de novas fichas cortadas das  chapas  importadas,  as quais tiveram seus preços ( fichas e botões novos ) nivelados a um patamar acessível   ao bolso  da maioria dos botonistas gaúchos.

Matéria  produzida  pelo colaborador Enio Seibert - Email: enioseibert@hotmail.com