O COLECIONADOR DE GALALITES
Num belo dia zapeando na Internet, especialmente no site de buscas do Google, colocando em foco a palavra galalite, matéria plástica rara da maioria dos nossos botões de jogos, principalmente os botonistas mais antigos que sempre utilizaram êste material no Rio Grande do Sul, visualizo na telinha do computador, uma manchete-informação que me deixou estarrecido.
Dizia, explicitamente:
APOSENTADO DESCOBRE FÁBRICA DESATIVADA DE GALALITE NA ALEMANHA.
A minha primeira reação depois de quase cair da cadeira do computador foi " pensar com os meus botões ":Mas quem terá sido o felizardo sortudo que encontrou essa mina de ouro plastificada em forma de galalite ?
E agora, numa rápida reação depois do choque provocado por aquela manchete bombástica inserida no visor da telinha, leio o início da matéria e vejo uma foto estampada junto à matéria, ainda meio atônito, quase não consigo acreditar naquilo que meus olhos teimam em se manterem fixados e teimam em manterem visualizados. Aquela foto era de um cara conhecido, mais ainda, aquela foto colorida era minha, não era possível. Não conseguia acreditar, eu procurava informações de galalite e a reportagem apresentada mostrava a minha pessoa como descobridor de fábrica desativada de chapas de galalite na Europa/Alemanha ! ! ! Mas o que está acontecendo ? O computador enlouqueceu totalmente... Dizem que computador não erra, mas desta vez, está completamente equivocado !
Reprodução da matéria, na íntegra, publicada em 14-05-2009 na série " Colecionadores on line ".
As caixas cuidadosamente empilhadas na sala do apartamento onde mora, no Centro de Porto Alegre, indica que algo algo especial repousa ali dentro. Ao abri-las, o olhar do aposentado Enio Seibert, 64 anos na época, parece iluminar-se diante da coleção de botões para futebol de mesa.
Fanático pela modalidade há mais de 50 anos, o ex-comerciante tem 11 times no momento, mais de 150 ' atletas ". A camisa usada por êle revela que o grupo preferido é do Renner, o Papão de Pôrto Alegre na metade do século passado. Com os times, Enio já conquistou o Campeonato Estadual de 2009 com sua equipe e agora disputa o Campeonato Metropolitano. Cada equipe tem uma história, um motivo de ser escolhida.
O gosto pelo Futebol de Mesa começou na infância, em Cachoeira do Sul. Na época Enio tinha um número limitado de brinquedos e o futebol de botão estava no topo da preferência da gurizada. A prática virou paixão também na fase adulta, complementada pelo apreço por futebol que o leva a acompanhar resultados e partidas de jogos na TV de todos os campeonatos do mundo. O aposentado admite que o gôsto pelos botões, talvez, preencha a vontade não realizada de ser jogador de futebol.
Enio conta que cada peça, dependendo da raridade do material usado, pode custar até R$ 150,00. O botonista chegou a se tornar importador de galalite, uma espécie de plástico oriundo da caseína pura e insolúvel do leite, tratada com formol. êle encontrou um estoque de chapas de galalite numa fábrica desativada no interior da Alemanha.
Como teve de parar de jogar futebol de botão por alguns anos, devido à lancheria que mantinha no bairro Cidade Baixa, Enio hoje pratica todos os dias da semana no Clube Ypiranga, na capital. " É minha paixão, minha terapia e meu prazer ", resume o aposentado.
A verdade é que o repórter que produziu a matéria não entendeu direito a minha história ou enganou-se ao ouvir a gravação da entrevista porque eu nunca estive na Alemanha ou qualquer país da Europa, como a reportagem dá a entender, e muito menos ainda, encontrei depósito desativado de chapas de galalite, em lugar algum nêste mundo.
O que realmente aconteceu foram duas importações legalizadas de galalite da cidade do Pôrto - Portugal, depois de localizarmos esta empresa exportadora de chapas plásticas, dentre as quais o galalite que tratamos de importar todo o estoque. Logicamente, junto com outros micro empresários, principalmente, comerciantes de botões e torneiros/fabricantes de botões.
Ninguém ganhou muito dinheiro ou ficou rico com as importações que se sucederam nos anos seguintes à descoberta do depósito de chapas de galalite em Portugal ( que até hoje não descobrimos de onde era proveniente aquele estoque muito antigo de galalite de excelente qualidade, porque nem mesmo a proprietária da empresa sabia informar, apesar de lembrar-se vagamente de tratar-se de matérias plásticas provenientes de fábricas extintas ou desativadas na Alemanha ou Suiça.
Apenas e tão somente, as importações que aconteceram serviram para estabilizar os preços das fichas escassas e raras que ainda encontravam-se, esporádicamente, nos cassinos e jogos de carteados em clubes sociais que também eram de galalite, adicionadas às milhares de novas fichas cortadas das chapas importadas, as quais tiveram seus preços ( fichas e botões novos ) nivelados a um patamar acessível ao bolso da maioria dos botonistas gaúchos.
Matéria produzida pelo colaborador Enio Seibert - Email: enioseibert@hotmail.com
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