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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Enciclopédia do Enio Seibert

A GRANDE AVENTURA
Date: Sun, 18 Sep 2011 07:53:18 -0300

                      A  GRANDE  AVENTURA

Homenagem à Divisão de Futebol de Mesa do C.R. Vasco da Gama, comandada pelo botonista Marcelo Lages, talvez o maior departamento do Brasil em diversidade de regras botonísticas.   É certo também que o simpático Clube de São Januário no Rio de Janeiro, só poderia ter esta grandiosidade graças ao apoio total do Presidente Roberto Dinamite,  o ex-centro avante de futebol camisa número 9, logicamente, todo de galalite branco com uma faixa atravessada em preto, com o escudo clássico da caravela cruz-maltina, pois esta é a imagem gravada em nossa memória nos quase 1.000 gols marcados por aquele botão nos estádios gramados e  campos de mesas de madeira de futebol de botão, nos anos dourados  da nossa juventude.

Não é por acaso que o Vasco da Gama, o Clube, se chama Vasco da Gama.  Vasco da Gama, a pessoa, foi talvez o maior herói português.  É, por assim dizer, o protagonista de  " Os Lusíadas " , de Camões.  Também não por acaso. 
A viagem de Vasco da Gama para descobrir o famoso caminho marítimo das Índias foi uma das  aventuras mais dramáticas e façanhosas da história da humanidade.
Durante dois anos, no fim do século 15, Vasco atravessou  meio mundo (mesmo):  contornou a  África de leste a oeste, passou o temido Bojador, enfrentou todo o gênero de perigos e chegou a Calicute com um navio  a menos (eram quatro)  e metade dos seus homens (eram 170)..  Os que sobraram estavam em condições precárias, a maioria vitimada pelo escorbuto, com as juntas inchadas, as gengivas putrefatas e os dentes moles na boca.  Para sorte dos portugueses, um sultão amigo os acolheu, ofereceu-lhes laranjas frescas e eles puderam repor a vitamina C  de que precisavam para se curar.
Mas nem todos  os sultões foram amistosos.  Quando Vasco da Gama apresentou aos indianos as  mercadorias que havia trazido para trocar pelos seus valiosos temperos, as tais especiarias, os indianos rolaram de tanto rir.  Eram capuzes, miçangas, azeite, bacias, bugigangas inúteis que encantavam os índios americanos, mas que nada valiam nas terras muito mais desenvolvidas do Oriente.  Por pouco, os portugueses não foram chacinados ali mesmo.  Como não passavam de homens aos andrajos, o sultão permitiu que  eles esmolassem nas ruas para sobreviver.  Foi o que fizeram, humilhados.  Conseguiram fazer algumas trocas, amealharam alguns sacos de pimenta, cravo  e canela e partiram o mais rápido  que puderam.
Quando a expedição voltou para Portugal, restavam pouco mais de 50 homens.  Até o irmão de Vasco da Gama morreu no fim da aventura.  Mas ele se consagrou, virou "don" e preparou  seu retorno à India em situação diferente.  Bem diferente: antes de se reapresentar às autoridades indianas, agora comandando  20 naus, capturou 50 pescadores, estripou-os, decepou-lhes as mãos e os pés  e os enviou a Calicute com o recado de que gostaria imensamente de abrir comércio com os indianos, sugerindo que, caso não fosse atendido, muitos outros pés e mãos se separariam de seus donos.  Os indianos, que não queriam ficar longe  de seus pés e das suas mãos, ponderaram a respeito e aceitaram a proposta portuguesa.
Li certa feita uma descrição de Vasco da Gama aos 37 anos de idade.  Diziam que ele tinha " aparência  terrível ", com um grande nariz acoplado no meio do rosto sempre sério, uma bocarra ameaçadora rasgando a barba negra e hirsuta, e olhos penetrantes que metiam medo no interlocutor.  Vasco da Gama era conhecido por sua arrogância e crueldade.  Um dia, durante o interrogatório de um prisioneiro, derramou-lhe azeite fervente na barriga para obter algumas informações.  Obteve-as.
Vasco da Gama estava acostumado a  conseguir o que  queria.  Um  clube com esse nome merece respeito.

Nota:  A homengem/dedicatória postada na manchete e constante no início do texto foi introduzida pelo colaborador Enio Seibert.  E-mail:  enioseibert@hotmail.com

Transcrição de crônica do jornalista David Coimbra, editor de esportes do jornal Zero Hora de Porto Alegre - RS , publicada em 17-09-2011.

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