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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Casos no nosso futebol de mesa

Lendo a crônica  do nosso grande amigo Adauto Sambaquy, lembrei também de alguns casos acontecidos  com alguns dos meus times de galalite, em confrontos com companheiros de esporte.

Regra gaucha:  Realizava-se em Capão Novo o 2o. campeonato praiano de futebol de mesa com apôio de Grêmio e Internacional de Porto Alegre, coordenado  pelo grande incentivador do  esporte dos botões, Domênico Romano, proprietário do Bazar Mimo, uma das maiores lojas do ramo no Brasil,reunindo cerca de 100 botonistas  de todo o Estado, numa semana de carnaval e feriadão de verão, com o Clube Capão Novo superlotado de botonistas e veranistas. Casualmente, na época, minha família era proprietária de um apartamento naquela praia e eu havia me programado uma semana de férias. No sábado, chegando no clube, fui recepcionado por companheiros botonistas, com  estas palavras:  " veio aprender com a melhor regra do mundo ? "  Havia uma rivalidade muito grande  entre as regras praticadas no Internacional (Unificada) e Grêmio (Regra Gaucha)  e êles sabiam muito bem a minha preferência pela regra  unificada do Internacional, onde  eu jogava e era o coordenador. No primeiro dia, fase de classificação, consegui passar com apenas uma derrota para os grupos  de domingo quando  reiniciou uma nova maratona de jogos que  aconteceram do início da manhã até  o meio da tarde, horário das semi-finais  e posteriormente, as partidas finais. Dei muita sorte e consegui  chegar ao confronto final que seria exatamente contra um dos amigos  botonistas  que me recebera na véspera com os comentários  sobre regras e que se tornaria  nos anos seguintes  TRI-CAMPEÃO  Estadual da regra gaucha, o gordo simpático Vinicius Bueno.  Mas naquela tarde não deu  pro campeão, pois além de jogar por empate, ainda  tive a sorte  de aplicar sonoros 3 x 0 no companheiro botonista.  Como não poderia deixar de acontecer, os comentários e gozações rolaram  soltos nas semanas seguintes àquele  campeonato estadual praiano, principalmente no Ginásio Gigantinho do Internacional,  onde a minha equipe do G.E.Renner jogava todas as semanas.

No Gigantinho - sala 24 - ficava o depto. de futebol de mesa  do Clube e o acesso acontecia pelos portões de entrada principais, na frente do ginásio.Num belo sábado de inverno, dirigímo-nos  para o Internacional  para uma decisão de campeonato interno quando fomos informados  que o Ginásio fora locado  por um mes inteiro para o Circo de Moscou e que o nosso acesso à sala de jogos estava suspenso, temporariamente.  A solução foi carregar algumas mesas de futebol de botão para  a sede dos companheiros do Grêmio , os quais sabedores  da nossa  proibição de acesso ao depto.,  gentilmente, nos ofereceram  a sua sala no Ginásio David Gusmão, no Estádio Olímpico.  Mas o grande problema estava para acontecer, pois o transporte das mesas pesadas, em dia de forte ventania, forçava demasiadamente os braços da gente, os quais ficaram trêmulos  e praticamente sem nenhuma sensibilidade.E a decisão do nosso campeonato estava  confirmada  para aquela tarde, exatamente na meia-hora seguinte e o nosso adversário esperava tranquilamente a nossa chegada com as mesas, treinando e fazendo aquecimento  leve com os seus botões de galalite do E.C.Bahia.
Com as mãos trêmulas, pelo esforço de carregamento  das pesadas mesas de imbuia, no primeiro tempo da decisão, fui tomando 2 x 0 ligeirinho e não foi mais por muita sorte, pois foi um dos maiores banhos de bola que  me lembro de ter tomado numa  primeira metade de jogo. No intervalo salvador procurei acalmar os nervos e as mãos e braços, para tentar a missão impossível  de desmanchar a vantagem do meu adversário.  Como a equipe adversária  arrefeceu a pressão inicial, talvez achando que a partida estava liquidada, achei um gol  na metade do 2o. tempo, fato que me deu esperança, pois eu tinha a vantagem de jogar por simples empate.  Os meus esforços naquela  empreitada de transporte de mesas , aliado ao espírito de luta que sempre me acompanha nas competições, foram recompensados nos minutos finais da partida, quando o meu querido companheiro  botonista, cometeu um pênalti (mão na bola depois de uma tentativa de cavada), o qual  converti milagrosamente, empatando o jogo e levantando  o campeonato. Foi um campeonato inesquecível para mim e lógicamente, também, para o meu amigo e irmão Gerson Azevedo, parceiro leal de tantos jogos de futebotão nos anos 80 e 90.

Outra decisão de campeonato interno na Regra Unificada:  O G.E. Renner liderava a competição e jogava a última rodada por simples empate contra Luzardo Carpes, jovem botonista  hoje Contador/Economista, dono do Corínthians Paulista do craque Neto.  Clóvis Pavão, hoje presidente da Liga Gaucha de Futebol de Mesa, oferecera uma mala preta ( 1 guaraná  antártica Litro ) para a equipe paulista derrotar  a nossa equipe do Renner, pois  a vitória de Luzardo daria o título para o E.C.Juventude que corria por fora na competição.  O primeiro tempo foi tranquilo dando a lógica, porque o Renner era o franco favorito na bolsa de apostas:  2 x 0 para a equipe de Enio  Andrade, comandada pelo técnico Enio Seibert.  No segundo tempo, porém, o time desandou e conseguiu tomar  1 gol  aos 10 minutos, outro aos 15  minutos  e no último minuto  o terceiro gol inacreditável. Foi talvez o campeonato mais ganho que tive nas mãos e consegui perder por não administrar  com mais eficiência o resultado favorável da primeira etapa.

Regra baiana/brasileira:  No final do ano de 2010 tive um reencontro com a Regra Baiana/Brasileira na casa do companheiro amigo Mário Burgel que convidou alguns botonistas para um Torneio de Natal, o qual seria realizado  nas regras  gaucha e baiana, nas duas mesas/estádios de sua residência.
Na regra da  Bahia eu só jogara 2 partidas  contra o Sr. Cláudio Schemes (empate 2 x 2) e seu filho, o grande botonista campeão sul-brasileiro Paulo Schemes (derrota por 2 x 0), na residência da família, na década de 80.  Mas como eu sou um pesquisador e estudioso de todas as regras de futebol de botão, conhecia os fundamentos principais  da regra baiana, apesar das mudanças acontecidas nas últimas décadas.
O torneio multi-regras  foi  se desenvolvendo  e a decisão praticamente seria no confronto   Atlético de Madrid  x  América RJ  do companheiro anfitrião Mário Burgel, especialista  em regra baiana  da Sede Academia Franzen, praticante  assíduo e conhecedor profundo.   Aí  começou a acontecer o imprevisível e o Atlético de Madrid do técnico Enio Seibert (time de galalite vermelho  encima  e azul  na camada de baixo)  marcou uma goleada histórica de 5 x 0 que não foi entendida por ninguém.  E o mais inusitado ainda foi um golaço de placa, marcado  por Diego Forlan, de folha seca ( à la Didi da seleção brasileira bi-campeã do mundo), com a bola rolando de pé após o arremesso, descrevendo uma parábola e entrando  no gol pelo lado oposto do goleiro.  Eu senti que este primeiro gol espírita, desmontou a equipe do América que era franca favorita, mas não conseguiu jamais encontrar o seu jogo.
Coisas do nosso Futebol de Botão.

Abraços a todos os botonistas do Brasil e de outros países praticantes  do melhor jogo do mundo.
Enio Seibert - enioseibert@hotmail.com  - Porto Alegre - Rio Grande do Sul  - Brasil.

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