Lendo a crônica do nosso grande amigo Adauto Sambaquy, lembrei também de alguns casos acontecidos com alguns dos meus times de galalite, em confrontos com companheiros de esporte.
Regra gaucha: Realizava-se em Capão Novo o 2o. campeonato praiano de futebol de mesa com apôio de Grêmio e Internacional de Porto Alegre, coordenado pelo grande incentivador do esporte dos botões, Domênico Romano, proprietário do Bazar Mimo, uma das maiores lojas do ramo no Brasil,reunindo cerca de 100 botonistas de todo o Estado, numa semana de carnaval e feriadão de verão, com o Clube Capão Novo superlotado de botonistas e veranistas. Casualmente, na época, minha família era proprietária de um apartamento naquela praia e eu havia me programado uma semana de férias. No sábado, chegando no clube, fui recepcionado por companheiros botonistas, com estas palavras: " veio aprender com a melhor regra do mundo ? " Havia uma rivalidade muito grande entre as regras praticadas no Internacional (Unificada) e Grêmio (Regra Gaucha) e êles sabiam muito bem a minha preferência pela regra unificada do Internacional, onde eu jogava e era o coordenador. No primeiro dia, fase de classificação, consegui passar com apenas uma derrota para os grupos de domingo quando reiniciou uma nova maratona de jogos que aconteceram do início da manhã até o meio da tarde, horário das semi-finais e posteriormente, as partidas finais. Dei muita sorte e consegui chegar ao confronto final que seria exatamente contra um dos amigos botonistas que me recebera na véspera com os comentários sobre regras e que se tornaria nos anos seguintes TRI-CAMPEÃO Estadual da regra gaucha, o gordo simpático Vinicius Bueno. Mas naquela tarde não deu pro campeão, pois além de jogar por empate, ainda tive a sorte de aplicar sonoros 3 x 0 no companheiro botonista. Como não poderia deixar de acontecer, os comentários e gozações rolaram soltos nas semanas seguintes àquele campeonato estadual praiano, principalmente no Ginásio Gigantinho do Internacional, onde a minha equipe do G.E.Renner jogava todas as semanas.
No Gigantinho - sala 24 - ficava o depto. de futebol de mesa do Clube e o acesso acontecia pelos portões de entrada principais, na frente do ginásio.Num belo sábado de inverno, dirigímo-nos para o Internacional para uma decisão de campeonato interno quando fomos informados que o Ginásio fora locado por um mes inteiro para o Circo de Moscou e que o nosso acesso à sala de jogos estava suspenso, temporariamente. A solução foi carregar algumas mesas de futebol de botão para a sede dos companheiros do Grêmio , os quais sabedores da nossa proibição de acesso ao depto., gentilmente, nos ofereceram a sua sala no Ginásio David Gusmão, no Estádio Olímpico. Mas o grande problema estava para acontecer, pois o transporte das mesas pesadas, em dia de forte ventania, forçava demasiadamente os braços da gente, os quais ficaram trêmulos e praticamente sem nenhuma sensibilidade.E a decisão do nosso campeonato estava confirmada para aquela tarde, exatamente na meia-hora seguinte e o nosso adversário esperava tranquilamente a nossa chegada com as mesas, treinando e fazendo aquecimento leve com os seus botões de galalite do E.C.Bahia.
Com as mãos trêmulas, pelo esforço de carregamento das pesadas mesas de imbuia, no primeiro tempo da decisão, fui tomando 2 x 0 ligeirinho e não foi mais por muita sorte, pois foi um dos maiores banhos de bola que me lembro de ter tomado numa primeira metade de jogo. No intervalo salvador procurei acalmar os nervos e as mãos e braços, para tentar a missão impossível de desmanchar a vantagem do meu adversário. Como a equipe adversária arrefeceu a pressão inicial, talvez achando que a partida estava liquidada, achei um gol na metade do 2o. tempo, fato que me deu esperança, pois eu tinha a vantagem de jogar por simples empate. Os meus esforços naquela empreitada de transporte de mesas , aliado ao espírito de luta que sempre me acompanha nas competições, foram recompensados nos minutos finais da partida, quando o meu querido companheiro botonista, cometeu um pênalti (mão na bola depois de uma tentativa de cavada), o qual converti milagrosamente, empatando o jogo e levantando o campeonato. Foi um campeonato inesquecível para mim e lógicamente, também, para o meu amigo e irmão Gerson Azevedo, parceiro leal de tantos jogos de futebotão nos anos 80 e 90.
Outra decisão de campeonato interno na Regra Unificada: O G.E. Renner liderava a competição e jogava a última rodada por simples empate contra Luzardo Carpes, jovem botonista hoje Contador/Economista, dono do Corínthians Paulista do craque Neto. Clóvis Pavão, hoje presidente da Liga Gaucha de Futebol de Mesa, oferecera uma mala preta ( 1 guaraná antártica Litro ) para a equipe paulista derrotar a nossa equipe do Renner, pois a vitória de Luzardo daria o título para o E.C.Juventude que corria por fora na competição. O primeiro tempo foi tranquilo dando a lógica, porque o Renner era o franco favorito na bolsa de apostas: 2 x 0 para a equipe de Enio Andrade, comandada pelo técnico Enio Seibert. No segundo tempo, porém, o time desandou e conseguiu tomar 1 gol aos 10 minutos, outro aos 15 minutos e no último minuto o terceiro gol inacreditável. Foi talvez o campeonato mais ganho que tive nas mãos e consegui perder por não administrar com mais eficiência o resultado favorável da primeira etapa.
Regra baiana/brasileira: No final do ano de 2010 tive um reencontro com a Regra Baiana/Brasileira na casa do companheiro amigo Mário Burgel que convidou alguns botonistas para um Torneio de Natal, o qual seria realizado nas regras gaucha e baiana, nas duas mesas/estádios de sua residência.
Na regra da Bahia eu só jogara 2 partidas contra o Sr. Cláudio Schemes (empate 2 x 2) e seu filho, o grande botonista campeão sul-brasileiro Paulo Schemes (derrota por 2 x 0), na residência da família, na década de 80. Mas como eu sou um pesquisador e estudioso de todas as regras de futebol de botão, conhecia os fundamentos principais da regra baiana, apesar das mudanças acontecidas nas últimas décadas.
O torneio multi-regras foi se desenvolvendo e a decisão praticamente seria no confronto Atlético de Madrid x América RJ do companheiro anfitrião Mário Burgel, especialista em regra baiana da Sede Academia Franzen, praticante assíduo e conhecedor profundo. Aí começou a acontecer o imprevisível e o Atlético de Madrid do técnico Enio Seibert (time de galalite vermelho encima e azul na camada de baixo) marcou uma goleada histórica de 5 x 0 que não foi entendida por ninguém. E o mais inusitado ainda foi um golaço de placa, marcado por Diego Forlan, de folha seca ( à la Didi da seleção brasileira bi-campeã do mundo), com a bola rolando de pé após o arremesso, descrevendo uma parábola e entrando no gol pelo lado oposto do goleiro. Eu senti que este primeiro gol espírita, desmontou a equipe do América que era franca favorita, mas não conseguiu jamais encontrar o seu jogo.
Coisas do nosso Futebol de Botão.
Abraços a todos os botonistas do Brasil e de outros países praticantes do melhor jogo do mundo.
Enio Seibert - enioseibert@hotmail.com - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário