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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Enciclopédia do Enio Seibert

Os Botões do L.F.Veríssimo
Date: Thu, 15 Sep 2011 17:43:04 -0300

                    OS  BOTÕES

BOM ERA O FUTEBOL DE BOTÃO.   VOCÊ PODIA  TER QUEM QUISESSE NO SEU TIME, SEM  LIMITAÇÕES  NÃO  SÓ DE VERBAS COMO DE TEMPO E LÓGICA.
Di Stéfano fazia  dupla com Zizinho, Stanley Matthews cruzava bolas para Leônidas, e nadaimpedia você de ir buscar talento fora do futebol:  Albert Einstein de centro-médio, por que não ?  Só não tive o Pelé no meu time, entre Tesourinha e o Heleno de Freitas, porque quando o Pelé  começou a aparecer eu já não jogava botão..  Como seria  o meu time de botão, hoje ?  Castilho, Djalma Santos, Muhamad Ali, Desailly e Nilton Santos;  Diderot, Dunga e Redondo,; Charlie Parker, Pelé  e  Puskas...
Nunca mais se e teve a mesma possibilidade de comandar a realidade como num time de botão.  A imaginação era livre,, claro.  Em pensamento comiam-se mulheres e viviam-se glórias impossíveis.  Mas no futebol de botão o mundo estava ali, sob os seus dedos, para ser organizado como você o queria..   Só um romancista teria o mesmo domínio sobre seus personagens como voce  escalando seu time de botão..  No fim éramos isso, ficcionistas  inventando tramas  e manipulando vidas en cima da mesa, onde  o Ademir recebia passes do Puskas e você era o senhor de pelo menos  11  destinos.  Isso quando não jogava sozinho, pois aí era o Deus da Criação.
Me lembrei do meu time de botão quando li que o Chico Buarque e o Edu Lobo tinham se rejuntado para fazer um musical com texto e direção da  Adriana e do João Falcão..  Está aí, pensei,  se eu fosse fazer um musical brasileiro de mesa seriam justamente esses os nomes que poria nos meus botões. 
Não dá para imaginar combinação mais infalível, um time mais de sonho..  Cruyff, Platini,  Maradona e  Ronaldinho  Nazário com o joelho bom  -  só que neste caso são todos de verdade !

Crônica publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre - RS. por Luís Fernando Veríssimo, em setembro de 2000.

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