Os Botões do L.F.Veríssimo
Date: Thu, 15 Sep 2011 17:43:04 -0300
OS BOTÕES
BOM ERA O FUTEBOL DE BOTÃO. VOCÊ PODIA TER QUEM QUISESSE NO SEU TIME, SEM LIMITAÇÕES NÃO SÓ DE VERBAS COMO DE TEMPO E LÓGICA.
Di Stéfano fazia dupla com Zizinho, Stanley Matthews cruzava bolas para Leônidas, e nadaimpedia você de ir buscar talento fora do futebol: Albert Einstein de centro-médio, por que não ? Só não tive o Pelé no meu time, entre Tesourinha e o Heleno de Freitas, porque quando o Pelé começou a aparecer eu já não jogava botão.. Como seria o meu time de botão, hoje ? Castilho, Djalma Santos, Muhamad Ali, Desailly e Nilton Santos; Diderot, Dunga e Redondo,; Charlie Parker, Pelé e Puskas...
Nunca mais se e teve a mesma possibilidade de comandar a realidade como num time de botão. A imaginação era livre,, claro. Em pensamento comiam-se mulheres e viviam-se glórias impossíveis. Mas no futebol de botão o mundo estava ali, sob os seus dedos, para ser organizado como você o queria.. Só um romancista teria o mesmo domínio sobre seus personagens como voce escalando seu time de botão.. No fim éramos isso, ficcionistas inventando tramas e manipulando vidas en cima da mesa, onde o Ademir recebia passes do Puskas e você era o senhor de pelo menos 11 destinos. Isso quando não jogava sozinho, pois aí era o Deus da Criação.
Me lembrei do meu time de botão quando li que o Chico Buarque e o Edu Lobo tinham se rejuntado para fazer um musical com texto e direção da Adriana e do João Falcão.. Está aí, pensei, se eu fosse fazer um musical brasileiro de mesa seriam justamente esses os nomes que poria nos meus botões.
Não dá para imaginar combinação mais infalível, um time mais de sonho.. Cruyff, Platini, Maradona e Ronaldinho Nazário com o joelho bom - só que neste caso são todos de verdade !
Crônica publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre - RS. por Luís Fernando Veríssimo, em setembro de 2000.
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