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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Enciclopédia do Enio Seibert

O Vasco e meu time de botão
Date: Thu, 15 Sep 2011 18:10:46 -0300


                      O  VASCO  E  MEU  TIME  DE  BOTÃO

A primeira lembrança que tenho do futebol quando criança foi meu time de botão, anterior aos de caixinha com botões padronizados e coloridos, era mesmo botão puxador de gaveta,  Minha vó tinha um armário com duas gavetonas em baixo.  Foi lá que tirei meus dois zagueirões, altos, fortes, lixados para não levantar a bola  ( que era um botãozinho branco de camisa ) e para impedir a  simples passagem de quem fosse atacar.   O goleiro era uma caixa de fósforo com preguinho dentro para dar peso;  fica de pé e acompanha a direção do ataque.  Às vezes fazia defesas empolgantes, outras vezes se distraía.
A nossa cultura futebolística era da Rádio Nacional, do Rio,  e meu time de botão era o Vasco  da  Gama, talvez o  melhor Vasco que já existiu:  Barbosa;  Augusto e Wilson;  Eli ,  Danilo Alvim e Jorge;  Friaça, Maneca, Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto e Chico.  Tanto que não substituia ninguém, eram sempre os mesmos heróis.
Talvez por isso quase me emocionei no sábado com a volta do Vasco da Gama à  Primeira Divisão.  Verdade que venceu na raspa o bom Juventude em campo.  Estádio cheio, torcida entusiasmada, uma festa programada e justa.  O time  de Ivo Wortmann sustentou bem o jogo, perdeu  o mesmo na raspa.  Mas o Vasco estava lá, vibrante e feliz, outra vez em seu lugar no futebol brasileiro.

  Até parecia meu time de botão, se eu soubesse onde foi que o deixei na minha adolescência. 

Crônica publicada no jornal Zero Hora de Porto Alegre - RS, coluna  Gol de Letra do comentarista  da RBS -  Rede Globo, Ruy Carlos Ostermann.

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